Uma operação da Polícia Federal (PF) cumpriu seis mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 1º, em uma investigação sobre o suposto vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Todos os endereços que constam dos mandados são vinculados ao empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, que seria o mandante dos vazamentos. Ele é filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde.
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Batizada como Operação Exfil, os agentes da PF investigam a suposta existência de uma organização criminosa dedicada à obtenção e ao vazamento ilícito de dados sigilosos de autoridades. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, autorizou a operação.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que investigados acessaram indevidamente dados fiscais sigilosos de ministros da Corte, do procurador-geral e de seus familiares.
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Os acessos foram realizados pelo sistema da Secretaria da Receita Federal. Depois de pegarem as informações, os dados eram divulgados ilicitamente.
Conforme a PGR, a organização teria acessado dados de quase 2 mil cidadãos, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, do Tribunal de Contas da União, de deputados federais, ex-senadores, dirigentes de agências reguladoras e empresários, entre outros.
Oeste tenta contato com o empresário Marcelo Paes Fernandez Conde. Até o momento, não houve resposta.
PF aponta crime estruturado
Segundo a PF, a organização teria diversos membros praticando ações para os vazamentos. Entre elos, servidores públicos com acesso funcional, funcionários terceirizados (vigilantes), despachantes e intermediários.
A PF acredita que Marcelo Conde seria o mandante do crime. Depoimentos colhidos pelos policiais revelam que ele teria fornecido listas de CPFs e realizado pagamentos em espécie, no valor de R$ 4,5 mil, para receber as declarações fiscais obtidas de forma ilícita.
“A apreensão de dispositivos eletrônicos revela-se medida indispensável, uma vez que comunicações por aplicativos de mensagens e registros em nuvem podem evidenciar a extensão da atuação do investigado”, diz o relatório da PF entregue a Moraes.
Além das buscas domiciliares e pessoais, o ministro autorizou o afastamento do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos, permitindo a extração forense de dados que possam confirmar a negociação de valores e a eventual reiteração da conduta criminosa.
O material apreendido passará por perícia técnica pela PF. A investigação está sob sigilo.
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