publicidade
Política

Piso da enfermagem: entidade calcula impacto de R$ 10,5 bilhões

Conforme a CNM, quase 18 milhões de moradores do Nordeste poderiam ficar sem os serviços básicos de saúde

piso da enfermagem
Piso foi suspenso em setembro pelo STF. -Foto: Pixabay

O piso salarial da enfermagem vai impactar R$ 10, 5 bilhões por ano. A informação é da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que divulgou nesta segunda-feira, 12, um estudo sobre a implementação da lei.

Conforme a CNM, para cumprir o pagamento do piso salarial sem ampliar o montante total de recursos para as folhas de pagamentos, as prefeituras das cidades devem demitir um quarto dos pouco mais de 10 mil profissionais de enfermagem da Estratégia de Saúde da Família (ESF).

Receba nossas atualizações

Desse modo, a aplicação do piso salarial poderia deixar 35 milhões de brasileiros sem assistência médica de qualidade. Os cálculos consideram o cenário em que o orçamento para os salários da enfermagem permanece inalterado, sem fontes adicionais de financiamento.

A lei que estabelece o piso salarial para enfermeiros, auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem e parteiras foi aprovada em julho deste ano pelo Congresso e sancionada em agosto pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

O documento determinou o piso nacional dos enfermeiros dos setores públicos e privados em pouco mais de R$ 4,7. Os técnicos de enfermagem receberiam pouco mais de R$ 3,3 mil e os auxiliares de enfermagem e parteiras, cerca de R$ 2,3 mil.

Relacionadas

No 4 de setembro, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu o piso salarial da enfermagem. O magistrado deu 60 dias para que o governo federal, Estados, Distrito Federal e entidades do setor se manifestem com informações sobre o impacto financeiro, o risco de demissões e a possível redução na qualidade do serviço oferecido.

Em sua decisão liminar, o magistrado disse que não é possível questionar a “relevância dos objetivos” dos parlamentares ao aprovar a lei, e nem a importância de cada profissional de saúde. “Agora, é preciso atentar aos eventuais impactos negativos da adoção dos pisos salariais impugnados”, escreveu. “Pela plausibilidade jurídica das alegações, trata-se de ponto que merece esclarecimento antes que se possa cogitar da aplicação da lei.”

Depois da liminar de Barroso, alguns parlamentares começaram discutir uma solução para o financiamento da lei. Entre as opções estão as correções da tabela do SUS, a desoneração da folha de pagamento do setor e a compensação da dívida dos Estados com a União.

Paulo Ziulkoski, presidente da CNM, argumenta que nenhuma das alternativas atende às cidades. Além disso, Ziulkoski defende a elevação do Fundo de Participação dos Municípios em 1,5% — uma parcela desse aumento seria bancada por repasses na redistribuição do Fundo Constitucional do Distrito Federal.

A entidade informou que programas federais na área da saúde também podem se tornar uma fonte para custear o piso. “O impacto do piso da enfermagem, somente na ESF, vai ser superior a R$ 1,8 bilhão no primeiro ano”, mostra o estudo.

De acordo com a CNM, para manter os pouco mais de R$ 6 bilhões (atuais) em despesas com enfermagem, as cidades têm de descredenciar quase 12 mil equipes que atendem primariamente à saúde (uma redução de pouco mais de 20% do total e cerca de 32 mil profissionais de enfermagem).

Ainda segundo o levantamento, a Região Nordeste é a mais afetada pela aplicação do piso, com impacto de cerca de R$ 940 milhões no primeiro ano de vigência. Assim, para cumprir as despesas com o piso, os municípios deveriam demitir quase 40% do total das equipes credenciadas de atenção primária à saúde e quase 18 mil enfermeiros. Quase 18 milhões de moradores do Nordeste poderiam ficar sem os serviços básicos de saúde, sem financiamento adicional.

Leia mais sobre:

4 comentários
  1. Arlete Pacheco
    Arlete Pacheco

    ENTENDO QUE DEVE HAVER ALGO DE ESCAMOTEADO NESSA QUESTÃO. NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE TANTO DEPUTADOS FEDERAIS, BEM COMO SENADORES, EMBORA GRANDE NÚMERO DELES NÃO SEJA DIGNO DE EXEMPLO PARA NINGUÉM,
    IRIAM VOTAR UMA LEI SEM INDICAÇÃO DA FONTE DE CUSTEIO, IGNORANDO A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL! E O PRESIDENTE DA REPÚBLICA IRIA SANCIONAR TAL LEI! ENTENDO QUE HÁ ALGO DE OBSCURO NO REINO TUPINIQUIM!

  2. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    ORAS!!!
    Não tem enfermeiro corpo mole nesses locais…TODO LOCAL DE TRABALHAO TEM CORPO MOLES, sempre infelizes com o salário, mas não pedem demisão.
    FIQUEM SÓ com os BONS.
    Vcs vão ver como o ambiente de trabalho melhora muito, produtividade aumenta, ainda mais com um salário desses.
    PRECISAMOS DE ENFERMEIRAS (OS) BONS, não vagabundos que sempre tem nos locais de trabalho.
    FAÇAM UMA FORÇA prefeitos….aposto que tem dinheiro sim.
    Em SAMPA gastam-se mais de 250-300 milhões ANO com NÒIAS..com 16000 desse vagabundos espalhados pela RMSP.
    Vocês esquecem que os municipios tem de ALOCAR uma infinidade de mão de obra para cuidar desses nóias…é secretária, é departamentos, são carros, medicamentos, manutenção da cidade que eles detonam todo dia….foram o café da manhã e marmitinha nortuna de TODOS os dias… esses serviços são pagos viu… não é doação como falam. é mentira!
    São 100 reais/nóia/dia o custo dessa distribuição de marmitinhas.
    Enquanto os reais trabalhadores e estudantes dormem sem comer ou só com o macarrão da merenda….

  3. FLAUBERT EUGENIO FERRI
    FLAUBERT EUGENIO FERRI

    Se diminuir o repasse para Camaras municipais ja ajuda bastante.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade