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Política

PF revê posse de delegada brasileira para função no ICE 

Impasse surge depois da saída de Marcelo Ivo dos EUA e da reação do Itamaraty com medida de reciprocidade

A delegada Tatiana Alves Torres, nova representante da PF em Miami | Foto: Divulgação/TCEMG
Delegada Tatiana Alves Torres | Foto: Divulgação/TCEMG

A Polícia Federal (PF) decidiu reavaliar a posse da delegada Tatiana Alves Torres no cargo de oficial de ligação com o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em Miami. 

A indefinição ocorre depois da expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Ele ocupava o mesmo posto e deixou o país por decisão das autoridades norte-americanas, que destacaram atuação irregular em um caso que envolveu o ex-deputado Alexandre Ramagem. 

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O governo Lula reagiu à medida adotada pelos EUA. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) aplicou reciprocidade e interrompeu o exercício de funções de um representante norte-americano no Brasil. 

O MRE argumentou que a medida dos EUA “não observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”. 

Antes disso, o governo dos EUA já havia se posicionado sobre o episódio. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental acusou o delegado de contornar procedimentos formais de extradição para promover perseguição política em território norte-americano. 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA”, disse o órgão. “Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso.”

Versões divergentes sobre a prisão de Ramagem

A prisão de Ramagem gerou versões divergentes entre aliados do ex-deputado e a PF. Segundo pessoas próximas, agentes locais o abordaram em razão de uma suposta infração leve de trânsito. Nesse entendimento, o encaminhamento ao ICE ocorreu apenas depois da verificação dos documentos. 

A PF, por sua vez, afirma que a detenção resultou de uma cooperação internacional estruturada ao longo de meses. De acordo com a corporação, o monitoramento de Ramagem já ocorria antes da abordagem. 

+ Leia também: “Deputado quer que diretor-geral da PF explique expulsão de agente brasileiro dos EUA”

Ao mesmo tempo, o governo Lula requer a extradição do ex-deputado com base na condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que apura a suposta tentativa de golpe de Estado, ainda sem desfecho.

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