Relatórios da Polícia Federal (PF) descrevem uma sequência de retiradas de dinheiro vivo durante a execução do contrato para construir o Hospital Geral Municipal de Macapá. A apuração indica quase R$ 10 milhões sacados em espécie por sócios da empresa responsável pela obra.
Os documentos integram a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo relacionado à Operação Paroxismo. O portal Metrópoles divulgou as informações neste domingo, 8.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
Os investigadores identificaram um padrão considerado atípico. Recursos da prefeitura chegavam à conta da construtora e, pouco tempo depois, valores elevados eram retirados diretamente no caixa das agências bancárias.
Entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, a Santa Rita Engenharia Ltda. realizou 59 saques em espécie que somaram R$ 9.892.800. Rodrigo de Queiroz Moreira respondeu por 42 operações, com retirada aproximada de R$ 7,4 milhões. Fabrizio de Almeida Gonçalves executou outros 17 saques, que totalizaram R$ 2,46 milhões.
A PF acompanhou parte dessas movimentações. Em 23 de maio de 2025, agentes monitoraram Moreira quando ele entrou em uma agência bancária no centro de Macapá. O empresário deixou o local carregando uma mochila preta. Registros do próprio banco indicaram que naquele momento ocorreu um saque de R$ 400 mil da conta da empresa.
Moreira seguiu para seu apartamento e permaneceu no imóvel cerca de dez minutos. Em seguida, dirigiu-se ao Laboratório Dr. Paulo Albuquerque, também no centro da cidade.
Vigilância da PF registra entrega de mochila a motorista
De acordo com o relatório policial, um homem entrou no laboratório e saiu pouco tempo depois acompanhado de outro indivíduo. O segundo homem carregava a mochila preta.
Ele entrou em um Fiat Cronos branco estacionado nas proximidades e deixou o local. Os agentes iniciaram acompanhamento do veículo, mas interromperam a vigilância para evitar a exposição da operação.
Consulta aos registros oficiais indicou que o carro estava registrado em nome de Antônio Paulo de Oliveira Furlan, então prefeito de Macapá.
Outro episódio citado na investigação ocorreu em 23 de dezembro de 2024. Naquele dia, Moreira retirou R$ 850 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil.
Segundo a decisão judicial, funcionários da agência separaram grande volume de cédulas, principalmente notas de R$ 50 e R$ 100, para realizar a operação. Ele deixou o local acompanhado por outra pessoa, cuja identidade não aparece nos registros da investigação.
Investigação revela repetição do padrão
Os documentos da PF registraram novos episódios semelhantes em junho de 2025. Em uma das diligências, agentes observaram a presença de Hulgo Márcio Bispo Corrêa nas proximidades do laboratório citado na investigação. Segundo os investigadores, ele possui ligação com uma clínica associada ao prefeito.
Dois dias depois, outra vigilância identificou novamente o Fiat Cronos registrado em nome do prefeito estacionado perto de uma agência bancária enquanto novos saques eram realizados.
+ Leia também: “Em 3 anos, conta bancária de Lulinha movimentou quase R$ 20 milhões”
A decisão do STF apresenta a sequência observada pelos investigadores como cadeia probatória relevante.
Os relatórios indicam um fluxo repetido: entrada de recursos públicos na conta da empresa, retirada imediata em dinheiro, transporte em mochila e circulação por locais ligados a pessoas próximas ao prefeito.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.