A Paróquia e Santuário Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza, divulgou um comunicado para informar que, a partir de dezembro, não permitirá mais o registro de intenções de missa em nome de figuras políticas. O aviso foi assinado pelo pároco, padre Ivan de Souza, nesta segunda-feira, 24.
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No texto, a paróquia afirma que a decisão “nasce do desejo de preservar o espírito de unidade, oração sincera e neutralidade” e reforça que a Santa Missa deve permanecer um espaço dedicado ao encontro com Deus. O texto diz que os responsáveis desejam garantir que o altar seja “livre de qualquer expressão que possa gerar divisão ou interpretações inadequadas”.
No entanto, a paróquia reforçou que continuará a acolher “com amor todas as intenções pessoais, familiares e comunitárias” e que as equipes pastorais permanecem “sempre com o coração aberto para rezar pelas necessidades de cada fiel”.
De olho em 2026
A decisão ocorre às vésperas do ciclo eleitoral de 2026. A legislação brasileira estabelece restrições específicas ao uso de templos religiosos durante o período de campanha: segundo o Tribunal Superior Eleitoral, “é proibida a realização de propaganda eleitoral em bens de uso comum, sobretudo no caso de igrejas e de templos religiosos”.
A jurisprudência da Corte entende que a vedação alcança manifestações realizadas dentro de templos mesmo quando não há pedido explícito de votos. Em decisão da ministra Isabel Gallotti, o TSE afirma que “a realização de atos de campanha ou manifestação de apoio a candidatos em templos religiosos, ainda que sem pedido explícito de votos, configura propaganda eleitoral irregular em bem de uso comum”.
A Lei das Eleições informa que a norma vale tanto para manifestações favoráveis quanto para ataques a candidatos e que “fazer algum tipo de propaganda” pode gerar multa. A legislação também proíbe que entidades religiosas façam doações de bens ou serviços a campanhas eleitorais, inclusive de forma indireta.
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Políticos de fora das intenções de missa
Segundo o Código de Direito Canônico, as chamadas “intenções de missa” são pedidos legítimos feitos pelos fiéis para que o sacerdote celebre a Eucaristia em benefício de uma pessoa ou situação específica.
As normas litúrgicas não exigem que o celebrante cite nomes próprios de autoridades públicas. A Instrução Geral do Missal Romano estabelece apenas que, durante a Oração Universal, a comunidade reze “pelos governantes e autoridades civis”, sem especificar indivíduos.
A instrução Redemptionis Sacramentum, por sua vez, afirma que a celebração da missa deve evitar “elementos de discórdia” e garantir aos fiéis o direito de participar de liturgia “livre de divisões e facções”. O documento foi publicado com a aprovação do papa João Paulo II.

Decisão da paróquia repercutiu nas redes
A divulgação do comunicado gerou centenas de comentários no Instagram da paróquia e em perfis que reproduziram o aviso. As manifestações mostram opiniões divididas entre usuários que apoiam a decisão e outros que criticam a restrição.
Entre os críticos, alguns afirmaram que a medida contraria a prática cristã de orar pelas autoridades. Um usuário escreveu: “Espero que D. Gregório [Paixão, arcebispo de Fortaleza] tome providências contra a falsa doutrina desse padre e determine o fiel cumprimento das Sagradas Escrituras, que é rezar e orar pelas autoridades, porque toda autoridade na Terra foi dada do Céu”. Outro comentário perguntava: “Nunca me enganei com a postura desse pároco, por ser político deixa de ser humano?”. Também houve questionamentos sobre seletividade: “Em outras palavras: para esse padre, ser político é estar condenado ao fogo do inferno.”
Em contrapartida, parte dos comentários demonstrou apoio à iniciativa. Um comentário afirmou: “O púlpito não é lugar de política, é o lugar do evangelho de Cristo”. Outra usuária escreveu: “Quem dera se o país seguisse esse modelo, política e religião não deveriam se misturar”. Também houve quem considerasse a medida uma forma de preservar a unidade religiosa: “A igreja do Senhor não é lugar de divisão, é lugar de oração e união”.
Leia também: “Fé sem fronteiras”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 239 da Revista Oeste







































Acredito que propaganda política na marcha da Maconha seja autorizada pelo TSE
Cuidado com Alexandre das quantas….