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Política

Pacheco diz que aborto não é homicídio e pede cautela em projeto que avançou na Câmara

Urgência de proposta foi aprovada na Casa; presidente do Senado disse que projeto jamais iria diretamente ao plenário

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado | Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse, nesta quinta-feira, 13, que aborto é diferente de homicídio e pediu cautela na tramitação do Projeto de Lei (PL) 1.904/2024, que equipara o aborto realizado acima de 22 semanas de gestação ao homicídio simples.

A urgência da proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira 11 em uma votação relâmpago, que durou 23 segundos. Com isso, a proposta não precisa passar pelas comissões da Casa e pode ir diretamente ao plenário. Ainda não há, contudo, uma data para a análise do texto, que também não tem um relator até o momento.

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“Não conheço o projeto e não li o projeto de lei”, disse Pacheco. “Esses temas de matéria penal devem ser objeto de muita cautela por parte do Parlamento.” O presidente do Senado destacou que, sem entrar no mérito de ser contra ou favor do aborto, há um regime jurídico no Brasil que prevê a proibição do aborto, salvo em algumas exceções — como estupro e anencefalia — e que, nessas hipóteses, a ação não se torna crime. Contudo, destacou que o procedimento é diferente de homicídio.

“Na sua essência, o aborto é considerado um crime doloso contra a vida, está no Código Penal, e ele é naturalmente diferente do homicídio”, continuou. “Há uma diferença eminente entre matar alguém, que nasce com vida, o crime de homicídio, e a morte do feto através do mecanismo, método de aborto, que também é um crime. Mas são duas coisas diferente, são meios jurídicos parecidos, mas são duas situações diferentes.”

+ PL do Aborto: autor quer escolher relator na próxima semana

Pacheco defendeu tratar o tema em uma discussão sobre a atualização do Código Penal. Além disso, que, se o PL do Aborto estivesse no Senado, seria discutido amplamente nas comissões permanentes e “jamais iria direto ao plenário do Senado”.

“Um projeto dessa natureza, que é eminentemente de matéria penal e que guarda muita divisão, muita polêmica, é muito importante ter cautela em relação a ele”, ressaltou.

O presidente do Senado alertou ainda que é necessário evitar legislar em “matéria penal pautado pela emoção ou circunstância do momento”. “Vamos receber o projeto, vamos dar atenção, respeitamos o que vem da Câmara.”

PL sobre aborto aprovado pela Câmara

De autoria do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o PL do Aborto aumenta para 20 anos a pena máxima para quem realizar o procedimento. A matéria fixa em 22 semanas de gestação como prazo máximo para abortos legais.

Conforme a matéria, se a mulher provocar o aborto em si mesma ou permitir que um terceiro faça o procedimento, a pena passa de um a três anos de prisão para de seis a 20 anos. A pena para quem realizar o procedimento com ou sem consentimento passa a ser de seis a 20 anos.

Atualmente, a lei permite o aborto nos casos de estupro; de risco de vida à mulher e de anencefalia fetal (quando não há formação do cérebro do feto). Na prática, a mulher não vai presa, mas responde pelo crime.

+Câmara aprova urgência de projeto que acaba com delações premiadas de réus presos

Conforme o projeto, só poderá realizar o aborto mulheres com gestação até 22ª semana, mesmo que em casos de estupro. Depois desse período, o procedimento vai se tornar crime, o que não ocorre hoje. Atualmente, não há no Código Penal um prazo máximo para o aborto legal.

Pelo projeto, aborto pode ter pena maior do que estupro

Em casos de estupro, a pena mínima prevista é de seis anos quando a vítima é adulta, podendo chegar a dez. Se a vítima for menor de idade, a pena mínima aumenta para oito anos e a máxima para 12 anos.

No caso de estupro de vulnerável, quando a vítima é menor de 14 anos ou incapaz de oferecer resistência, a pena mínima é de oito anos de prisão e máximo de 15. Apenas quando a violação é praticada contra um vulnerável, resultando em lesão corporal grave, a pena pode chegar a 20 anos.

Com o PL do Aborto em vigor, caso uma mulher adulta vítima de estupro faça um aborto depois da 22ª semana, ela pode ser condenada a 20 anos de detenção, enquanto o abusador pode ficar com pena entre seis e dez anos de prisão.

Proposta foi em reação ao STF

O texto ganhou força nas últimas semanas depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o tema.

Em 17 de maio, o ministro derrubou uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibia médicos de realizarem a chamada assistolia fetal. O procedimento é usado nos casos de aborto legal de fetos de até 22 semanas, decorrente de gravidez por estupro.

A decisão do ministro acolheu uma ação do Psol que alegou que, ao estabelecer a proibição do procedimento a partir das 22 semanas de gestação, a norma impõe barreiras que não estão previstas na lei nem na Constituição. A regra também violaria direitos como o da saúde, livre exercício da profissão, dignidade da pessoa humana.

Em 25 de maio, o ministro ainda proibiu a abertura de novos procedimentos contra profissionais de saúde com base na resolução do CFM.

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14 comentários
  1. Thiago
    Thiago

    O Pacheco desconsidera que o cabeça de bagre, de forma ilegal e monocrática, sem qualquer discussão, cancelou uma resolução legítima do conselho federal de Medicina. Ora, em vista disso, uma revisão do legislativo se faz urgente.

  2. MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO
    MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO

    E um grande cara-de-pau esse Pacheco. Os temas de matéria penal devem ser objto de muita cautela por parte da câmara, mas o código civil pode ir a toque de caixa. Desde que seja o que o governo quer, não é seu Pachecuzinho?

  3. Paulo Cardoso
    Paulo Cardoso

    Pela esquerda o aborto poderia ser realizado até depois de a criança nascer, ou seja, se os conservadores não imporem um limite, é justamente isso que os revolucionários defenderão, por isso é muito importante esse limite de 22 semanas em caso de estupro, anencefalia e risco de vida da mãe.

  4. Route 66
    Route 66

    Ora, se a partir de 22 semanas de gestação o feto consegue sobreviver fora do útero então o testo do PL segue a lógica.

  5. MNJM
    MNJM

    O traste além de covarde, capacho do STF é abortista
    Toma vergonha na cara.

  6. Mario Hugo Ladeira Filho
    Mario Hugo Ladeira Filho

    Homicídio ,suicídio, Delcídio.
    Além de ser homicídio, quando um deputado ou senador prevarica, acresce-se o crime de Delcídio.
    Crime incorporado ao Código Penal, em homenagem ao ex-senador Delcídio Amaral, que foi cassado por prevaricação.
    Pacheco, que se cuide!

  7. Luiz Carlos Mendonça
    Luiz Carlos Mendonça

    Pacheco:
    Exodus 20:13
    “Thou shalt not kill.” (King James Version (KJV) 1611 = “Não matarás”
    THE END

  8. Marcus Magalhães
    Marcus Magalhães

    Quantas garrafas de vinho premiado, camarões e lagostas, foram consumidas nas horas de convencimento entre os iluministros e esse vendido prá sair esse arroto de declaração?

  9. Vicente Pinheiro
    Vicente Pinheiro

    Esse baitola é o canalha mais vaselina dessa nossa lamentável classe política.

    1. Evandir Corrêa Pimenta
      Evandir Corrêa Pimenta

      E pensar que votei neste indivíduo!
      A outra alternativa era a Dilma estocadora de vento. Eta escolha difícil!

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