Uma organização ligada à filha do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Stella Vorcaro, tirou do ar sua conta no Instagram neste fim de semana, em meio à repercussão de reportagens que apontaram uma possível conexão da entidade com o escândalo do Banco Master. A informação foi revelada pelo jornal Gazeta do Povo.
Nesta segunda-feira, 9, o perfil da Fundação Solar aparecia como indisponível no Instagram. O site institucional da organização não governamental (ONG), porém, seguia no ar.
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Segundo o jornal, a fundação tem como único sócio-administrador o empresário Leonardo Augusto Palhares. Ele também é sócio da Varajo Consultoria Empresarial, empresa citada pela Polícia Federal (PF) como operadora de pagamentos a dois servidores de carreira do Banco Central (BC) suspeitos de receber propina de Vorcaro.
ONG aparece em investigação sobre o Banco Master
A Fundação Solar usa uma conta no Banco Master para receber doações. A Polícia Federal, porém, não investiga a ONG nem Stella Vorcaro nesta fase da apuração.
A Sociedade Organizada Spread of Love and Respect arrecada recursos para a fundação. A empresa foi aberta em 10 de fevereiro de 2025, em Belo Horizonte, em meio ao agravamento da crise do Master.
A empresa surgiu poucos meses depois de Vorcaro buscar apoio político para enfrentar a crise do banco. Em reunião fora da agenda oficial, o banqueiro relatou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que estaria sofrendo perseguição de pessoas interessadas em derrubá-lo. Mais tarde, Lula afirmou ter pedido ao BC uma apuração técnica sobre o caso. A investigação acabou revelando a atuação irregular de servidores dentro da instituição.
Em sua apresentação institucional, a Fundação Solar afirma ter surgido a partir de uma iniciativa de Stella Vorcaro, inspirada por um trabalho voluntário na África. A ONG diz atuar para ampliar oportunidades em comunidades vulneráveis do continente, com ações nas áreas de educação, saúde, tecnologia, cultura, infraestrutura e formação de lideranças.
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Embora seja apresentada como embaixadora da fundação, Stella Vorcaro não figura como sócia formal da empresa responsável por captar os recursos.
Operação da PF detalha esquema de pagamentos
A ligação entre Leonardo Augusto Palhares e o caso veio à tona na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF na última quarta-feira, 4. Segundo os investigadores, empresas mascaravam pagamentos como serviços de consultoria para repassar propina a servidores do Banco Central.
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Registros oficiais também apontam que Palhares participa da Super Empreendimentos e Participações S.A., outra empresa mencionada na investigação. Segundo a PF, a companhia teria realizado pagamentos a integrantes de um grupo que os investigadores descrevem como uma espécie de milícia privada criada por Vorcaro para monitorar e pressionar adversários.
Ainda segundo a apuração, integrantes do grupo coordenavam as ações em um chat chamado “A Turma”. A investigação também aponta a participação da empresária Ana Cláudia Queiroz de Paiva, sócia de Palhares, na movimentação financeira dessas operações.
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