publicidade
Política

'O narcotráfico é nosso': a mais nova campanha nacionalista da esquerda brasileira

A esquerda confunde soberania com submissão ao crime

Apae Brasil que anular decreto de Lula contra educação especializada | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
'O que Flávio Bolsonaro disse, com uma franqueza que irritou os diplomatas do crime, é que o Brasil fracassou no combate ao narcotráfico', escreve Flávio Gordon | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Há certas declarações que funcionam como feixe de luz subitamente lançado sobre um debate público desenvolvido nas sombras. A recente declaração do senador Flávio Bolsonaro — que disse invejar os países que recebem operações militares norte-americanas contra o narcotráfico — é um desses casos exemplares, revelando mais sobre a reação do que sobre a fala em si. Afinal, bastou a frase para que a esquerda nacional, com sua habitual afetação de virtude patriótica, se lançasse em acessos de histeria moral, como se o filho do ex-presidente, imediatamente tachado de “traidor da pátria”, houvesse confessado o desejo secreto de entregar a soberania nacional a uma potência estrangeira. Nada mais falso.

Curiosamente, a fala de Flávio repercutiu no mesmo dia em que o descondenado-em-chefe, do alto de sua sabedoria etílico-humanista, declarou na Indonésia que “os traficantes também são vítimas dos usuários”. A coincidência é perfeita: de um lado, um senador que sonha em combater o crime organizado com rigor e eficácia; de outro, um presidente que não cansa de transformar bandidos em vítimas. A diferença aqui é de projeto civilizacional para o país. Enquanto um propõe um combate real ao poder das facções, o outro continua a dialogar cabulosamente com elas.

Receba nossas atualizações

+ Leia notícias de Política em Oeste

Voltando à suposta “traição” de Flávio Bolsonaro, nota-se que a esquerda parece entender “soberania nacional” como o direito do narcotráfico de operar livremente dentro das fronteiras brasileiras. Trata-se de uma forma curiosa e perversa de patriotismo — não o amor ao país e ao seu povo, mas a defesa intransigente do direito das facções de dominar territórios inteiros, como se o narcotráfico fosse uma espécie de “patrimônio cultural” brasileiro, digno da mesma proteção que o samba e o futebol. Se, no passado, o brado ufanista era “o petróleo é nosso!”, hoje o lema “progressista” parece ser: “o narcotráfico é nosso!”.

Mas que soberania nacional é esta que os detratores do senador do PL alegam querer defender? Uma recente pesquisa intitulada “Governança Criminal na América Latina: Prevalência e Correlações” — conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge, e publicada em agosto na revista Perspectives on Politics — aponta que, no Brasil, entre 50 e 60 milhões de brasileiros (cerca de 25% a 30% da população) vivem em áreas onde as regras são ditadas não pelo Estado, mas por facções criminosas. São territórios com governos paralelos, impostos próprios, tribunais improvisados e códigos morais à margem da lei. Portanto, a República Federativa do Brasil é, na prática, uma federação de poderes ilegais. E, ainda assim, os papagaios lulopetistas ainda têm a cara-de-pau de acusar de “entreguista” quem lamenta esse estado de coisas.

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em pronunciamento na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), em Brasília, DF (19/4/2023) | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O fracasso do Brasil na luta contra o narcotráfico

O que Flávio Bolsonaro disse, com uma franqueza que irritou os diplomatas do crime, é que o Brasil fracassou no combate ao narcotráfico. Um fracasso moral, político e institucional. Um fracasso que, em larga medida, é verdadeiramente um projeto. Eis por que a alegada inveja do senador é um sentimento compreensível, provavelmente partilhado pela maioria da população brasileira — ou, quando menos, por aquela parcela da população mais sujeita ao Estado paralelo do crime. O verdadeiro inimigo da soberania não é quem clama por ajuda externa para libertar o país, mas quem o entrega, todos os dias, ao domínio das facções.

Enquanto os Estados Unidos mantêm operações militares no Caribe e na costa venezuelana para desmantelar cartéis, o Brasil assiste inerte à expansão dos seus próprios barões da droga, agora cada vez mais politizados, articulados com partidos e ONGs. A esquerda brasileira, sempre pronta a denunciar “ingerências imperialistas”, não vê problema algum em pactuar com regimes narcossocialistas da região, de Nicolás Maduro a Gustavo Petro — companheiros do descondenado-em-chefe no Foro de São Paulo, o grande consórcio latino-americano da degradação moral, social e institucional do continente.

Quem hoje se indigna com a fala do senador não está defendendo o Brasil, mas o seu cativeiro. Na boca da esquerda, a “soberania nacional” virou um biombo sob o qual prospera o crime. Por isso, Flávio Bolsonaro acertou na mosca — ou, talvez, num ninho de moscas. Disse o que todos sabem, mas poucos têm coragem de admitir: o narcotráfico tomou o país e, como ocorreu nos países vizinhos (sobretudo nos que são governados por partidos do Foro de S. Paulo), é provável que já tenha tomado partes do Estado. Nosso imperialismo é interno. O império que nos domina é o dá pólvora, da cocaína e do socialismo. Daí que, hoje, o verdadeiro ato patriótico não é berrar contra o “imperialismo estadunidense”, mas ter coragem de admitir que o Brasil precisa ser libertado… quiçá de si mesmo.

6 comentários
  1. IVAN SEVERO DA SILVA
    IVAN SEVERO DA SILVA

    A extrema esquerda, foro de SP são financiadas por organizações, paramilitares e narcotraficante

  2. IVAN SEVERO DA SILVA
    IVAN SEVERO DA SILVA

    Brasil,México , Colômbia, Venezuela, Nicarágua são comandadas por narcotraficantes.
    A extrema esquerda destruí o continente.🚨🚨🚨🚨🚨🚨

  3. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    E os togados garantindo a lambança

  4. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    O Brasil está podre. Os ratos estão soltos e os gatunos comandando a roleta financeira. Os melancias fazendo segurança

  5. Ricardo Villas
    Ricardo Villas

    O PT entregou a soberania do país para o crime organizado e para o crime desorganizado.

  6. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Insana barbárie, o nosso Governo ficou nu, as máscaras cairam, a loucura virou metástase.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.