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Política

O 'fundão' eleitoral é 100% de bandidagem

Congresso aprovou transferência direta de recursos do público para o bolso dos políticos e das suas gangues partidárias

O Fundo Eleitoral, parte do Orçamento Geral da União, é distribuído pelo TSE apenas em anos eleitorais para financiar campanhas | Foto: Reprodução/Ranking dos Políticos
O Fundo Eleitoral, parte do Orçamento Geral da União, é distribuído pelo TSE apenas em anos eleitorais para financiar campanhas | Foto: Reprodução/Ranking dos Políticos

(Por J.R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 22 de dezembro de 2021)

O Brasil democrático, do estado de direito e das “instituições” criadas pela “Constituição Cidadã”, comete sistematicamente crimes à luz do dia para salvar a democracia — ou, pelo menos, é o que dizem os políticos que tiram proveito deles. Para não irem parar na cadeia, aprovam leis tornando legal, muito simplesmente, o crime que praticaram — e pronto, a situação está resolvida. Acontece o tempo inteiro, mas às vezes acontece mais. Está acontecendo agora.

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Poucas vezes se roubou com tanta desfaçatez dinheiro dos impostos como no episódio desse “fundo eleitoral” — uma transferência direta de recursos do público para o bolso dos políticos e das suas gangues partidárias, com a desculpa grosseira de que precisam de dinheiro para concorrer às eleições que são a alma da democracia, etc. etc. etc. É uma história de horror. O Congresso aprovou, como se sabe, a doação de quase R$ 6 bilhões para a politicalha gastar na “campanha eleitoral”, ou onde bem entender; o presidente da República vetou a lei, mas o veto foi rejeitado e os bilhões serão mesmo extorquidos da população.

Agora tentam acertar as contas para construir a mentira de que estão gastando menos do que o previsto. A conversa começou na casa dos R$ 5 bi e tanto; daí fingiram cortar R$ 400 milhões e diminuíram para R$ 4,7 bi. Uma hora depois, mudaram de novo — não, eles precisam daqueles 400 milhões todinhos, não podem dispensar nem 1 real — e voltaram, enfim, para perto dos R$ 5 bi do começo. É o triplo — o triplo — do que pegaram em 2018 e 2020. Dá para entender perfeitamente, nessas horas, por que o Brasil tem mais de 30 partidos e tanto candidato sem a menor chance de ganhar nada — mas com a certeza de encher o bucho com dinheiro roubado, por força de lei, ao Tesouro Nacional.

O “fundo eleitoral” é 100% de bandidagem, salvo por parte da minoria de parlamentares que votou contra a sua aprovação. Os outros são todos eles réus, por igual, do delito que foi cometido. Uma parte não está minimamente interessada em disfarçar o que fez; querem o dinheiro, e dane-se o resto. Outros são piores. Vão meter a mão nas verbas, igualzinho, e fazer de conta que não têm nada a ver com isso.

A culpa, segundo o PT e as suas piores vizinhanças, seria do centrão, da “direita”, do “baixo clero”, das bancadas disso e daquilo, do “sistema” e por aí afora. Conversa. A esquerda é cúmplice integral dessa ladroagem — é por ser cúmplice, justamente, que votou a favor do fundo. Se acha que a coisa é um escândalo, por que não votou contra? Porque quer o dinheiro com tanta indecência quanto todos os demais. Não vão abrir mão de 1 centavo para os jatinhos de Lula — e para todo o maravilhoso mundo de oportunidades que essa montanha de dinheiro abre para políticos empenhados em morrer por “eleições democráticas”.

Leia também: “A imoralidade do fundão eleitoral”, reportagem publicada na Edição 70 da Revista Oeste

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