publicidade
Política

O conselho de uma ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça ao STF

Eliana Calmon, de 79 anos, afirma que os ministros devem respeitar a Constituição

STF | Aposentada desde 2014, Eliana exerce a advocacia em Brasília e diz não temer o STF | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Aposentada desde 2014, Eliana exerce a advocacia em Brasília e diz não temer o STF | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon é crítica das arbitrariedades do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mais do que continuar pedindo transparência do Judiciário, agora seu descontentamento é com o poder crescente e desenfreado da Suprema Corte, que hoje “tem a nação nas mãos” porque decide “desde briga de vizinho até dissidência entre Poderes”.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Aposentada desde 2014, Eliana exerce a advocacia em Brasília e diz não temer o STF. “Sou uma cidadã brasileira de 79 anos e já cumpri com meu dever”, declarou. “Se estivesse na ativa, seria afastada, e isso não está certo.”

O Legislativo aprova uma lei, e o Supremo vem imediatamente e desfaz aquilo que foi feito no Legislativo | Foto: Reprodução/STF

Em entrevista publicada na Edição 193 da Revista Oeste, Eliana comentou os avanços do Supremo Tribunal Federal e criticou o desrespeito dos ministros pela Constituição de 1988. “A gente tem de ter instituições, tem de respeitar as instituições”, salientou a ex-magistrada. “Mas essas instituições estão amordaçadas pela instituição maior, que é aquela onde nós iríamos buscar toda a segurança jurídica.”

Leia abaixo um trecho da entrevista com a ex-ministra Eliana Calmon, em que há críticas sobre o STF

De quem é a responsabilidade pela morte de Cleriston Cunha, o preso do 8 de janeiro que já tinha parecer da PGR pela liberdade, mas seguiu encarcerado na Penitenciária da Papuda?

Foi uma morte anunciada. Me parece que não há muita celeridade na condução dos pedidos de liberdade. Houve um descuido. O ministro não analisou os pedidos. A imprensa diz que foram mais de 30 pedidos esclarecendo que ele estava doente e ele terminou falecendo. Então, isso é imperdoável. O Estado é responsável por essa morte. Cleriston estava preso por determinação do Supremo Tribunal Federal, e quem tem agora de dar as explicações é o STF através do juiz que estava conduzindo o processo.

Essas explicações sobre a demora na análise dos pedidos de liberdade ainda não vieram. Quem vai cobrar essa resposta do ministro?

Eles são imponderáveis porque estão na cúpula de um Poder que atualmente está exacerbado e em posição até superior a dos outros dois Poderes, de forma que a gente não tem de quem cobrar. Vai cobrar de quem? Acho que a única solução é justamente o povo se manifestar e mostrar que não está satisfeito com a ação do Supremo.

Já se admitiu que, em virtude de um suposto ‘risco democrático’, o Judiciário extrapolou seus poderes. A Corte poderia ter feito isso? 

O Poder Judiciário não existe para isso. Existe para levar a paz social, defender os conflitos existentes na sociedade. E, quando chamado em algum processo, pode ter algum ativismo se o Poder Legislativo não estiver agindo. Então, entra o ativismo em razão da falta de um dos Poderes, uma vez que o Legislativo não cumpre a sua tarefa e o Poder Judiciário ocupa esse espaço.

Leia também: “Gilmar Mendes diz que ministros do STF não são odiados pela população”

4 comentários
  1. Miriam Grosman
    Miriam Grosman

    Não gosto decusar a palavra ódio. É muita cara de pau do Gilmar Mendes admitir q o STF NAO E ODIADO. Podemos usar outras palavras: são autoritários, legislam a favor dos seus interesses e apaniguados, considersm-se semideuses, donos do poder, mudam de sentença como mudam de gravatas, de acordo com o que lhes convém ou em.parceria com os q lhe são caros, vivem nas rodas e jantares do poder., enfim, praticamente tentam ( e acabam conseguindo) mandar no país. Como conclusão da pesquisa, não é difícil imaginar o qto são amados

  2. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    Parece ter bom senso.
    No entanto, quando aceita e valida o indevido Ativismo Judicial por conta de uma possível “omissão” do Legislativo, outorga ao Judiciário – pelas cabeças de menos de uma dúzia de indivíduos limitados ao Português e ao regramento Jurídico, e sem um único voto do povo -, a indevida função de legislar
    Sem a mínima representatividade popular, sem conhecimento das diversas áreas do saber, quando invadem seara para as quais não foram preparados ou autorizados, cometem crime contra a Constituição.
    Soberba, prepotência, inadequação, presunção e autoritarismo puro, na veia!

  3. José Rubens Medeiros
    José Rubens Medeiros

    Declarou certa vez a ilustre entrevistada, Ministra aposentada do STJ, ELIANA CALMON, que existem muitos BANDIDOS DE TOGA.
    Já o não menos ilustre Desembargador Federal aposentado TOURINHO NETO tempos atrás afirmou que há muitos juízes ANALFABETOS empoleirados em todas as instâncias, inclusive em tribunais superiores.

  4. Paulo Renato Versiani Velloso
    Paulo Renato Versiani Velloso

    Respeitar a Constituição, eu também acho. Mas, qual delas? Tem 11+1, qual delas doutora? Ops… excelência? Esse negócio de chamar juíza de doutora, não dá certo.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade