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Política

O choro laureado e o cinismo dos invejosos

Lula despreza Maria Corina Machado, opositora de Maduro e vencedora do Prêmio Nobel da Paz

A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, em um protesto antes da posse do ditador Nicolás Maduro - 9/1/2025 | Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
A filha da opositora, Ana Corina Sosa Machado, será a responsável por receber o prêmio | Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters

Em 2024, ao aconselhar María Corina Machado a “parar de chorar”, o descondenado que ora usurpa a Presidência da República do Brasil fazia questão de chancelar abertamente a farsa eleitoral na Venezuela, que manteve no poder o narcoditador Nicolás Maduro. Proferida com o usual tom etílico do deboche, a fala dizia mais do falante que da falada. Era a confissão de quem, também de volta ao poder mediante um processo eleitoral ilegítimo conduzido por magistrados parceiros, não se importava nada com a injustiça sofrida pela oposição venezuelana, uma vez que ela favorecia um aliado histórico.

Não é de hoje que Lula recorre a esse expediente. Quando, em 2009, seu amigo e companheiro roubou a eleição e massacrou opositores no Irã, o descondenado-em-chefe também repreendeu as vítimas por seu “choro de perdedor”. No ano seguinte, voltou a debochar dos dissidentes de um regime ditatorial, ao criticar presos políticos cubanos por fazerem uma greve de fome. O mandatário brasileiro chegou a compará-los com bandidos comuns, clamando por respeito à “justiça de Cuba”.

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O “choro de perdedor” tornou-se um bordão típico dos regimes narcossocialistas da América Latina, cujos bufões no comando jamais reconhecem a legitimidade da oposição, e adotam a tática de desqualificá-la moralmente. Chávez o fez. Maduro o fez. O aiatolá iraniano o fez. E agora o apaniguado de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes o repete, como quem não apenas copia a retórica, mas internaliza o método. A zombaria do choro por justiça é a gramática do tirano cucaracho.

Depois de tantos anos cassada e perseguida em sua pátria, a valente opositora venezuelana María Corina Machado é reconhecida com o Nobel da Paz (um prêmio com o qual o marido da Janja sempre sonhou). A resiliência de Corina, hoje laureada, tornou-se um símbolo eloquente daquilo que os falsos democratas não suportam: a fortaleza moral da dissidência. Nada ameaça mais os tiranetes sem honra.

Ao desdenhar o sofrimento alheio, o petista revelou, mais uma vez, a natureza de sua aliança com o regime venezuelano, que vai muito além de uma parceria geopolítica, consolidando-se como um plano comum e supranacional de poder, que tem na eliminação de todas as liberdades civis a sua pedra fundamental. Quem mais fala em “empatia” é quem menos a pratica. Quem mais evoca a “democracia” é quem mais teme a voz livre da sociedade. O pranto autêntico de quem luta por liberdade e justiça aterroriza o ditador cínico como a água benta ao vampiro.

4 comentários
  1. Chaves
    Chaves

    Gordon, como sempre. Artigos excepcionais, com leituras profundas e análises perfeitas.

  2. ELIAS
    ELIAS

    Parabéns pelo excelente artigo.
    Esse Nobel da Paz foi um tapa na cara do narco-ditador venezuelano e também dos seus parceiros e apoiadores como o apedeuta que se esmera na condução do nosso país no rumo do abismo.

  3. Egas Moniz Pascoal Batista
    Egas Moniz Pascoal Batista

    Nestes tempos sombrios que ora vivemos, em que nos rondam situações grotescas e surpresas em notícias ruins, a informação de que o Prêmio Nobel da Paz foi concedido à venezuelana Maria Corina Machado nos chega como um bálsamo suave a nos aliviar das atribulações de governantes padrastos.
    Armada tão somente com suas convicções levantou todo o povo de sua pátria e levou de vencida todos os algozes da liberdade.
    Sua honraria é o reconhecimento de uma luta sem quartel contra uma tirania que tenta calar todo o seu país.
    Que ela nos inspire a lutarmos ainda mais pelo Brasil. Parabéns Maria Corina, não esmoreça, siga firme.

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