Em 2024, ao aconselhar María Corina Machado a “parar de chorar”, o descondenado que ora usurpa a Presidência da República do Brasil fazia questão de chancelar abertamente a farsa eleitoral na Venezuela, que manteve no poder o narcoditador Nicolás Maduro. Proferida com o usual tom etílico do deboche, a fala dizia mais do falante que da falada. Era a confissão de quem, também de volta ao poder mediante um processo eleitoral ilegítimo conduzido por magistrados parceiros, não se importava nada com a injustiça sofrida pela oposição venezuelana, uma vez que ela favorecia um aliado histórico.
Não é de hoje que Lula recorre a esse expediente. Quando, em 2009, seu amigo e companheiro roubou a eleição e massacrou opositores no Irã, o descondenado-em-chefe também repreendeu as vítimas por seu “choro de perdedor”. No ano seguinte, voltou a debochar dos dissidentes de um regime ditatorial, ao criticar presos políticos cubanos por fazerem uma greve de fome. O mandatário brasileiro chegou a compará-los com bandidos comuns, clamando por respeito à “justiça de Cuba”.
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O “choro de perdedor” tornou-se um bordão típico dos regimes narcossocialistas da América Latina, cujos bufões no comando jamais reconhecem a legitimidade da oposição, e adotam a tática de desqualificá-la moralmente. Chávez o fez. Maduro o fez. O aiatolá iraniano o fez. E agora o apaniguado de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes o repete, como quem não apenas copia a retórica, mas internaliza o método. A zombaria do choro por justiça é a gramática do tirano cucaracho.
Depois de tantos anos cassada e perseguida em sua pátria, a valente opositora venezuelana María Corina Machado é reconhecida com o Nobel da Paz (um prêmio com o qual o marido da Janja sempre sonhou). A resiliência de Corina, hoje laureada, tornou-se um símbolo eloquente daquilo que os falsos democratas não suportam: a fortaleza moral da dissidência. Nada ameaça mais os tiranetes sem honra.
Ao desdenhar o sofrimento alheio, o petista revelou, mais uma vez, a natureza de sua aliança com o regime venezuelano, que vai muito além de uma parceria geopolítica, consolidando-se como um plano comum e supranacional de poder, que tem na eliminação de todas as liberdades civis a sua pedra fundamental. Quem mais fala em “empatia” é quem menos a pratica. Quem mais evoca a “democracia” é quem mais teme a voz livre da sociedade. O pranto autêntico de quem luta por liberdade e justiça aterroriza o ditador cínico como a água benta ao vampiro.





































Gordon, como sempre. Artigos excepcionais, com leituras profundas e análises perfeitas.
Monumental artigo! Longa vida a Gordon.
Parabéns pelo excelente artigo.
Esse Nobel da Paz foi um tapa na cara do narco-ditador venezuelano e também dos seus parceiros e apoiadores como o apedeuta que se esmera na condução do nosso país no rumo do abismo.
Nestes tempos sombrios que ora vivemos, em que nos rondam situações grotescas e surpresas em notícias ruins, a informação de que o Prêmio Nobel da Paz foi concedido à venezuelana Maria Corina Machado nos chega como um bálsamo suave a nos aliviar das atribulações de governantes padrastos.
Armada tão somente com suas convicções levantou todo o povo de sua pátria e levou de vencida todos os algozes da liberdade.
Sua honraria é o reconhecimento de uma luta sem quartel contra uma tirania que tenta calar todo o seu país.
Que ela nos inspire a lutarmos ainda mais pelo Brasil. Parabéns Maria Corina, não esmoreça, siga firme.