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Política

O Brasil é dos chineses

A ausência de uma estrutura robusta de avaliação de investimentos abre espaço para que decisões de curto prazo comprometam o futuro da economia nacional

Xi Jinping e Lula
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o ditador da China, Xi Jinping | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A recente negociação envolvendo a venda das minas de níquel da Anglo American para os chineses da MMG, subsidiária da estatal China Minmetals, escancara a vulnerabilidade do Brasil diante de investimentos estrangeiros que não apenas movimentam cifras bilionárias, mas tocam o coração da soberania nacional: o controle sobre recursos estratégicos. O negócio, avaliado em US$ 500 milhões, foi concretizado em condições que levantam fortes suspeitas. Outra interessada, a Corex Holding, ofereceu quase o dobro do valor — US$ 900 milhões — e mesmo assim foi preterida, em uma decisão que reforça a percepção de que a Anglo American priorizou interesses políticos e comerciais ligados à China, ainda que em detrimento da transparência e da competitividade.

O caso se torna ainda mais grave quando se analisam seus impactos sobre o mercado. Se confirmada, a transação entregará à MMG o controle de mais de 50% do mercado brasileiro de níquel, praticamente 100% do mercado nacional de ferro-níquel e cerca de 60% do mercado global. Estamos falando de um insumo central para a economia do futuro, essencial na produção de baterias, veículos elétricos e aço inoxidável. Ou seja, o Brasil corre o risco de se tornar conscientemente refém de uma potência estrangeira justamente em um setor estratégico para a transição energética e a indústria de ponta.

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china brasil minas níquel eua soberania
Os ativos negociados abrangem os complexos de Barro Alto e Codemin, localizados em Goiás, além de projetos exploratórios no Pará e em Mato Grosso | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Esse episódio ilustra porque o Projeto de Lei (PL) 1.051/2025, que cria o Comitê de Triagem e Cooperação para Investimentos Estrangeiros Diretos (CTIE) não é apenas necessário, mas urgente. A ausência de uma estrutura robusta de avaliação de investimentos abre espaço para que decisões de curto prazo comprometam o futuro da economia nacional. O CTIE teria a missão de filtrar operações que afetam diretamente a segurança nacional e a autonomia estratégica do país. Trata-se de mecanismo de defesa que países desenvolvidos já utilizam para conter a expansão predatória em setores sensíveis, prática comum entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

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Não se trata de xenofobia econômica, mas de realismo geopolítico. A China, por meio de suas estatais, persegue deliberadamente o controle de cadeias globais de suprimento de minerais críticos. A lógica é clara: quem domina os insumos controla os preços, define os prazos e estabelece condições comerciais e controle econômico. O Brasil, dono de vastas reservas minerais, assiste passivamente à entrega de seu patrimônio estratégico.

Os brasileiros e os chineses

É simbólico que até o Instituto Americano do Ferro e do Aço busque pressão diplomática contra o acordo, denunciando a crescente ação global da China pelo controle dos minerais críticos. O país domina hoje o refino de minerais como níquel, cobalto e terras raras, mas ainda depende de minas no exterior para alimentar suas fundições. Por isso, corre para adquirir ativos estratégicos em diferentes continentes.

Não é um negócio isolado, é um alerta

A soberania nacional está além de manter fronteiras, mas também resguardar a capacidade de decidir sobre nossos recursos. Portanto, a venda das minas de níquel não é apenas um negócio isolado: é um alerta. Sem instrumentos institucionais como o CTIE, o Brasil segue vulnerável a operações que comprometem seu futuro. O PL 1.051/25 surge como uma salvaguarda indispensável, garantindo que decisões estratégicas sobre setores críticos não sejam tomadas sob a lógica do oportunismo financeiro, mas sob o imperativo maior da soberania nacional. O governo diz que o Brasil é dos brasileiros, porém, a verdade é que, até o momento, o Brasil caminha para ser propriedade dos chineses.

Leia também: “Deitado eternamente em terras raras”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na Edição 263 da Revista Oeste

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3 comentários
  1. Marco Aurélio Oliveira De Farias
    Marco Aurélio Oliveira De Farias

    É uma vergonha, o que o governo Lula está fazendo. Se alinhando com o eixo das ditaduras, China, Rússia, Coreia do Norte, Venezuela, Cuba e Nicaragua.

  2. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    Um
    País de políticos ignorantes e corruptos. Povo analfabeto e jovens imbecilizados pela cultura do entretenimento e das ideologias funestas

  3. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Se houver eleições e limpas ,o próximo governo deve acionar os meios legais pra desfazer essa venda do Brasil por favor Silva e colocá-lo na jaula de onde nunca deveria ter saído .O cade deve ser cúmplice.

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