O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez um duro discurso sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fim da Escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas. Durante a votação da proposta, em dois turnos no plenário da Câmara, na noite de quarta-feira 27, o parlamentar acusou a esquerda de usar a matéria como ferramenta política.
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“A mentira pode enganar alguns por um tempo, pode chegar às pessoas que estão em situação ruim neste país que vocês deixaram”, declarou Nikolas. “Mas a mentira não perdura por muito tempo.”
Nikolas afirmou que os parlamentares de esquerda estavam “enganando os trabalhadores” com a narrativa apresentada acerca do fim da escala 6×1, ignorando as problemáticas econômicas para o país em decorrência da mudança — como inflação, demissão em massa e aumento do trabalho informal no país.
“Quando tiver demissão em massa, quando aumentar o preço dos produtos, quando o empreendedor não conseguir mais e vai ter que demitir a pessoa para contratar outro, aí, meus amigos, esse dia vai ser maravilhoso, porque vocês queriam colocar algo e fugir da consequência, mas não”, declarou o deputado mineiro. “Quando acontecer, eu estarei pronto para falar quem é o responsável por isso.”
Nikolas também afirmou que a votação abriu espaço para que a oposição expusesse o que chamou de “realidade” enfrentada pela população: “Hoje é um dia histórico”, disse. “O dia que a esquerda está me permitindo explicar para todo o Brasil o que eles fizeram com os trabalhadores.”

O deputado atacou diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao citar aumento da carga tributária, inflação, gastos públicos e problemas nas áreas de segurança, saúde e educação.
“Os mesmos que hoje, daqui a pouco, vão completar 20 anos no poder, que foram responsáveis pelos maiores escândalos de corrupção neste país, que literalmente deixaram o Brasil com a maior carga tributária nos últimos 15 anos, que bateram recorde em arrecadação, que somente neste ano de 2026 já arrecadaram R$ 1,5 trilhão em impostos, são os mesmos que hoje estão dizendo que são o baluarte de defender o trabalhador”, alertou.
Debate da escala 6×1
Ao longo do discurso, Nikolas Ferreira afirmou que o debate sobre jornada de trabalho deveria estar ligado ao aumento de produtividade, e não apenas à redução da carga horária.
“A defesa ou não da escala nunca deveria ter sido somente pela escala”, ressaltou. “Deveria ter sido, como outros países que de fato são exemplos para o mundo, discutindo produtividade. Mas é muito fácil chegar e querer mudar a realidade com uma canetada.”
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O parlamentar também afirmou que o trabalhador perde renda não apenas com a jornada extensa, mas com o custo de vida elevado e a necessidade de recorrer a serviços privados.
“O alimento cada vez mais caro, a gasolina cada vez mais cara”, prosseguiu o deputado do PL de Minas Gerais. “Se você está num ponto de ônibus esperando para ir para o trabalho e é roubado, isso também diz respeito ao seu salário. É a escola que precisa ser paga também com o dinheiro do seu salário, porque tem que colocar o seu filho na escola privada. É a saúde que não funciona, e a pessoa precisa recorrer para a rede privada.”
“Inimigos do povo”
Nikolas ainda acusou a base governista de tentar construir uma narrativa para transformar opositores da PEC em “inimigos do povo”. Segundo ele, a esquerda esperava usar a votação como arma política contra parlamentares conservadores.
“Qual era a jogada?”, indagou. “Vamos colocar 5 por 2, a gente vai fazer eles votarem contra e aí a gente coloca eles como inimigos do povo.”
O deputado afirmou, porém, que a oposição decidiu votar favoravelmente à proposta para neutralizar o discurso político da esquerda. “Quer jogar o jogo? Eu sei jogar o jogo também”, disse. “A narrativa vai cair.”

Durante o pronunciamento, Nikolas também criticou, sem citar formalmente a deputada Erika Hilton (Psol-SP), autora de uma das PECs sobre o tema. O parlamentar questionou a ausência de estudos econômicos detalhados e ironizou um erro matemático presente em uma das versões do texto.
“Mesmo com que a pessoa que propôs esse projeto simplesmente errou o cálculo matemático no projeto, colocou que 4 vezes 4 era 36. Quanto que é 4 vezes 4, senhores?”, indagou. “É 32, não é 36.”
Nikolas também usou a regra de transição prevista no parecer para argumentar que os próprios defensores da proposta reconhecem os possíveis efeitos econômicos negativos da mudança.
“Eu queria para agora, para amanhã, 4 por 3, mas não”, afirmou. “Fizeram uma vigência de 60 dias, diminui duas horas e depois um ano para poder o fim da escala 6 por 1. Por que não colocaram agora? Porque sabem que iria ter efeito econômico.”
A PEC aprovada na Câmara em dois turnos, com 461 votos, estabelece a redução gradual da jornada semanal para 40 horas e prevê o fim da escala 6×1, com período de transição para adaptação dos setores econômicos. O texto ainda será analisado pelo Senado Federal.
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