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Política

Na masmorra de Alexandre de Moraes

Como se sabe, o 'Careca do Master' determinou a última prisão preventiva de Filipe baseado na alegação de que o réu acessara o LinkedIn

Moraes participa da cerimônia de abertura do ano judicial no Supremo Tribunal Federal, em Brasília - 2/2/2026 | Foto: Mateus Bonomi/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
Moraes participa da cerimônia de abertura do ano judicial no Supremo Tribunal Federal, em Brasília - 2/2/2026 | Foto: Mateus Bonomi/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

“Esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lucas 22:53)

O passageiro mais assíduo nos jatinhos de Vorcaro continua sem nenhuma vergonha de praticar os seus abusos de autoridade. Seu voto pela manutenção da prisão de Filipe Martins é o mais recente capítulo na história indecente do assalto togado ao país. E deverá ser seguido por Zanin e Carmen Lúcia, os submissos, e por Flávio Dino, o stalinista igualmente vingativo.

O caso de Filipe Martins já ultrapassou a esfera do Direito há algum tempo. O que se vê aí é coisa inteiramente distinta: um experimento de poder conduzido a céu aberto, com a tranquilidade de quem não se sente minimamente obrigado a prestar contas, sequer mesmo à realidade dos fatos.

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Como se sabe, o “Careca do Master” determinou a última prisão preventiva de Filipe baseado na alegação de que o réu acessara o LinkedIn, violando as restrições impostas. Mas a defesa apresentou registros técnicos demonstrando o contrário — que não houve o acesso no período indicado. Em qualquer ambiente onde ainda exista algum resquício de lógica, isso encerraria a discussão. Não no Brasil de Moraes, que mentiu para prender o ex-assessor de Bolsonaro da primeira vez, voltou a mentir para prendê-lo da segunda vez e insiste na mentira para mantê-lo preso.

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Tendo o Direito se retirado pela porta dos fundos — e ido beber uísque milionário na taverna londrina de Vorcaro —, a prisão preventiva foi convertida em puro instrumento de afirmação de autoridade. Não importa mais o risco concreto, a necessidade cautelar ou a proporcionalidade da medida. Importa demonstrar quem manda — e até onde esse mando pode ir. É o Direito reduzido à sua forma mais primitiva: a vontade do mais forte travestida de decisão técnica. Ninguém sai da masmorra de Moraes senão por sua vontade.

O STF de Moraes

O Supremo Tribunal Federal, que deveria funcionar como anteparo contra esse tipo de distorção, tornou-se, ao menos em casos como este, o seu principal veículo. Os demais ministros são cúmplices da completa desmoralização da corte, hoje desprezada por seis entre dez brasileiros, como mostrou pesquisa recente da Atlas Intel. E o mais perturbador não é apenas a decisão em si, mas o precedente que ela estabelece.

Porque, uma vez admitido que se pode manter alguém preso com base em uma alegação falsa, a porta está aberta para qualquer abuso. Em Arquipélago Gulag, Soljenítsin mostrou o que acontece quando a verdade factual perde relevância diante da necessidade de sustentar uma decisão. O momento decisivo de consolidação de uma patocracia não é quando a mentira aparece, mas quando ela passa a estruturar toda a segunda realidade imposta pelo regime à sociedade. Não há dúvidas de que, sob Moraes e seus camaradas, o Brasil é uma patocracia consolidada.

2 comentários
  1. Antonio Fernandes Kopf
    Antonio Fernandes Kopf

    Acho que deveríamos ter uma revolução francesa por aqui…

  2. Daniel BG
    Daniel BG

    Janeiro de 23. Combinado pelo recém saído da cadeia com a polícia do Planalto. Nenhuma guarda na edificação perante a população que não aceita termos fraudado as urnas. A referida população sequer imagina que 1⁰ de janeiro o plano já estava em vigor.
    Alguém derrubou um relógio francês.
    O ministro “rainha de copas”, depois descoberto “careca do Master” gritou: foi golpe! E o presidiário: “fui traído”!
    E Alice e o chapeleiro maluco… Opa! Essa é outra estória.

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