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Política

Mudança no Ministério da Justiça acirra disputa interna no PT

O atual ministro da Educação, Camilo Santana, entra para a lista de cotados para substituir Ricardo Lewandowski — e ficar de plano B em caso de Lula não disputar a reeleição à Presidência da República

Camilo Santana
O ministro da Educação, Camilo Santana, ao lado do presidente Lula: petista pode trocar de pasta e se apresentar como presidenciável | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A saída de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça vai além de abrir uma vaga na Esplanada dos Ministérios. A movimentação pode representar briga interna no Partido dos Trabalhadores (PT).

De acordo com o site Diário do Poder, do jornalista Cláudio Humberto, um petista entrou para a lista de cotados para ocupar o posto deixado por Lewandowski. Trata-se, segundo ele, de Camilo Santana, que é o ministro da Educação desde que Luiz Inácio Lula da Silva reassumiu a Presidência da República, em janeiro de 2023.

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A disputa dentro do PT não ficaria, contudo, restrito à pasta da Justiça. A eventual troca de ministério por parte de Santana poderia representar sua alçada a uma nova posição: a de ficar à disposição do partido para se candidatar a presidente, caso Lula desista de tentar a reeleição em outubro deste ano.

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Entretanto, Santana, independentemente de se tornar ou não ministro da Justiça, não é o único petista a ser cogitado a disputar a Presidência do país, seja agora ou para o pleito de 2030. Outros três ministros são citados nessa briga interna: Rui Costa (Casa Civil), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Fernando Haddad (Fazenda).

Vitórias de Camilo Santana

Pesa a favor de Camilo Santana o histórico vitorioso nas urnas. Principal liderança do PT no Ceará, onde foi governador por dois mandatos consecutivos, ele foi eleito senador em 2022 — mas nem assumiu o cargo, justamente para ser o ministro da Educação de Lula. No mesmo ano, fez o sucessor no governo estadual, atuando como principal cabo eleitoral de Eumano de Freitas.

Ministro da Educação, Camilo Santana, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante cerimônia de anúncio da expansão do programa Pé-de-Meia no Estado do Ceará
Ministro da Educação, Camilo Santana, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncio da expansão do programa Pé-de-Meia no Estado do Ceará | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Além disso, sob o grupo político de Santana, o PT cearense foi o único a conseguir eleger prefeito de capital nas eleições municipais de 2022. Na ocasião, o petista Evandro Leitão, então deputado estadual, venceu o deputado federal André Fernandes (PL-CE) no segundo turno da disputa pela Prefeitura de Fortaleza. A vitória se deu forma apertada, com 50,37% dos votos válidos contra 49,63%.

O histórico recente de êxitos eleitorais de Santana contrasta, por exemplo, com a situação de Haddad. À frente da Fazenda, ele acumula três derrotas consecutivas diante das urnas:

  1. 2016 — então prefeito da capital paulista, Haddad não se reelegeu, perdendo a eleição já no primeiro turno para João Doria (PSDB);
  2. 2018 — candidato a presidente pelo PT, no lugar de Lula que estava preso em decorrência de condenação em processo de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato, ele chegou ao segundo turno, quando foi derrotado por Jair Bolsonaro (PSL); e
  3. 2022 — Haddad tentou se eleger governador de São Paulo, mas perdeu, no segundo turno, para Tarcísio de Freitas (Republicanos).

PT de olho no Ministério da Justiça

A informação de que Camilo Santana pode ir para o Ministério da Justiça, e eventualmente disputar a Presidência da República, reforça a ideia de que o PT está de olho na pasta. Por ora, o órgão tem como ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto.

O Partido dos Trabalhadores quer um de seus filiados no comando da Justiça. Nesse sentido, ventila-se o nome do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador e cofundador do grupo Prerrogativas.

Lideranças petistas também querem aproveitar a saída de Lewandowski para convencer Lula a recriar o Ministério da Segurança Pública, a partir do desmembramento da pasta da Justiça. Se essa ideia prosperar, o partido tem como postulantes ao cargo de ministro a deputada federal Adriana Accorsi (GO) e o secretário de Segurança Pública do Piauí, Francisco Lucas Veloso. Ela é delegada, enquanto ele é procurador.

Leia também: “Lula 3: já acabou, mas precisa terminar”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição da Revista Oeste

1 comentário
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Já estou rindo há tempos do que o PT tem para concorrer à Presidência. Haddad, Santana, Coringa, Padre Cícero, Virgulino… E porque não, Gleisi Hoffmann, Maria do Rosário? É claro. Estou brincando. O candidato do PT é o lula.

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