O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master não será instalado de forma imediata. Segundo ele, o processo deverá “entrar na fila” de requerimentos já apresentados na Casa.
Motta argumentou nesta terça-feira, 3, que a decisão deve seguir o que determina o regimento interno da Câmara, pelo qual há um limite para o número de CPIs em funcionamento simultâneo. Da mesma forma, ele impõe a observância da ordem cronológica de apresentação dos pedidos. Atualmente, há diversos requerimentos protocolados aguardando análise.
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Motta afirma não ter autonomia
A declaração foi feita em meio à pressão de parlamentares que defendem a abertura da CPI para apurar prováveis irregularidades envolvendo a instituição financeira, alvo de questionamentos depois de sua liquidação. Apesar disso, Motta ressaltou que não há autonomia da Presidência da Casa para acelerar ou frear pedidos específicos.
O discurso do presidente da Câmara busca reforçar o caráter técnico da decisão. Ao afirmar que todas as CPIs seguem a mesma fila, Motta evita personalizar o caso e se ampara nas regras internas para afastar acusações de blindagem política.
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Na prática, porém, a fila funciona como um filtro poderoso. Em um Congresso com agenda congestionada e calendário apertado, a demora na instalação de CPIs costuma esvaziar o impacto político das investigações e reduzir a pressão pública ao longo do tempo. Aliado do governo do Lula da Silva, esfriar a CPI seria do interesse de Motta.
Parlamentares favoráveis à investigação argumentam que o caso envolve repercussões econômicas relevantes e merece apuração célere. Para esses grupos, o adiamento pode enfraquecer a fiscalização do Legislativo e alimentar a percepção de tolerância com irregularidades no sistema financeiro.
Nos bastidores, a avaliação é de que a Presidência da Câmara tenta preservar uma pauta de consensos mínimos, evitando que temas de alto potencial de conflito dominem o plenário logo no início do ano Legislativo.
O pedido de CPI permanece válido, mas sem prazo definido para sair do papel. Até lá, o caso do Banco Master seguirá no campo político e jurídico, à espera de espaço na agenda do Congresso.
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