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Política

Motta confirma votação de projeto que amplia isenção do Imposto de Renda

Relatada por Arthur Lira (PP-AL), a medida abrange quem ganha até R$ 5 mil por mês; oposição quer aumentar a faixa para R$ 10 mil

Em evento em São Paulo, Motta reforçou que PEC das Prerrogativas objetiva conter excessos do Judiciário contra deputados | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou a votação no seu perfil no X | Foto: | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta quarta-feira, 1º, a votação do projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês. A proposta é uma das principais promessas de campanha do presidente Lula.

+ Comissão do Senado aprova projeto alternativo do Imposto de Renda

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“Hoje é um dia muito importante, inclui o projeto de isenção de Imposto de Renda na pauta de votação”, declarou Motta. “A matéria sempre foi uma prioridade da minha gestão.”

Segundo o parlamentar, a ampliação da faixa de isenção “não é um favor do Estado, é o reconhecimento de um direito, um avanço na justiça social do país, garantindo mais dinheiro no bolso de quem ganha até R$ 5 mil”.

Câmara vota isenção do Imposto de Renda

Na Câmara, a ampliação da faixa de isenção do IR é relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL). A proposta enviada pelo governo Lula, já alterada pelo parlamentar, mantém?

  • Isenção total para quem recebe até R$ 5 mil;
  • Isenção parcial para rendas de até R$ 7.350; e
  • Benefício estimado para 16 milhões de brasileiros a partir de 2026.
O deputado federal Arthur Lira (PP/AL), é o relator do projeto de lei que trata de mudanças no IR | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O deputado federal Arthur Lira (PP/AL), é o relator do projeto de lei que trata de mudanças no IR | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

+ Renan Calheiros apresenta proposta alternativa para correção do Imposto de Renda

Segundo o relator, o desenho da medida busca ampliar o poder de compra da população, ao mesmo tempo em que preserva o equilíbrio fiscal.

A oposição da Câmara, no entanto, quer ampliar a faixa de isenção total para quem recebe até R$ 10 mil. O líder do PL na Casa, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que vai buscar apoio no plenário para a emenda.

Compensação

O principal ponto de divergência é a compensação financeira. A ampliação da isenção representa renúncia de R$ 25 bilhões em arrecadação. Para equilibrar as contas, o projeto prevê:

  • Taxação progressiva de altas rendas, com alíquota mínima para ganhos acima de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil anuais);
  • Cobrança chegando a 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão por ano; e
  • Exceções: lucros e dividendos distribuídos até 31 de dezembro de 2025 não serão taxados.

O mecanismo divide opiniões. Parlamentares do agronegócio, por exemplo, propõem que a compensação venha de cortes de despesas no Orçamento, e não da tributação sobre os “super-ricos”.

Se aprovado na Câmara e no Senado ainda neste ano, o novo modelo poderá já valer para a declaração do IR em 2026. O governo e a base aliada tratam a votação como estratégica para a eleição presidencial.

Projeto alternativo de Renan Calheiros

Senado Renan Calheiros
Senado Renan Calheiros, relator do PL isenta do Imposto de Renda rendas mensais de até R$ 5 mil | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Na semana passada, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou por 20 votos favoráveis e nenhum contrário o PL n° 1.952/2019 — alternativa à reforma do Imposto de Renda enviada pelo governo Lula. O projeto propõe:

  • Isenção efetiva até R$ 5 mil/mês por meio de redutor que zera o IR nessa faixa. Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o redutor cai linearmente. 
  • Tributação de lucros e dividendos somente quando uma mesma pessoa jurídica pagar a uma mesma pessoa física mais de R$ 50 mil no mês: retenção de 10% na fonte sobre o total do mês (abaixo desse limite, segue isento). A vigência é a partir de janeiro de 2026; lucros apurados até 2025 e já aprovados até 31 de dezembro deste ano ficam preservados. 
  • Imposto de Renda Mínimo (IRPFM) para altas rendas: incide de forma escalonada sobre quem recebe acima de R$ 600 mil/ano, chegando a 10% a partir de R$ 1,2 milhão/ano. Há redutor para impedir bitributação quando somada a carga no CNPJ e na pessoa física ultrapassar.
  • Remessas de dividendos ao exterior: IR na fonte de 10%, com crédito quando a soma Brasil+exterior exceder IRPJ+CSLL, para evitar carga acima do padrão internacional. 
O senador Renan Calheiros
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), em pronunciamento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Já as principais diferenças do projeto da Câmara são:

  • Programa de Regularização Tributária para Baixa Renda (Pert-Baixa Renda): voltado a contribuintes com renda de até R$ 7.350/mês, com condições facilitadas de parcelamento, para reinserção na legalidade fiscal e redução de litígios. 
  • Simples Nacional: a versão acolhe parcialmente emenda de Kátia Abreu para preservar os optantes do Simples — mantida a isenção, salvo quando a PF ultrapassar R$ 50 mil/mês de dividendos da mesma PJ (caso em que vale a alíquota de 10%). 
  • Segurança jurídica: emenda de Izalci Lucas foi acolhida para deixar explícito que não há retroatividade: a tributação sobre dividendos vale só para resultados a partir de 1ª de janeiro de 2026.

Como a ampliação da isenção reduz o IR retido na fonte sobre folhas e contratos de governos locais, a CAE aprovou compensação temporária e escalonada  – emenda do senado Jorge Kajuru, ampliada aos Estados –, calculada pela diferença de arrecadação em relação a 2025, com correção pelo IPCA:

  • 2026-2029: 100%
  • 2030-2031: 80% 
  • 2032-2033: 60% 
  • 2034: 40%
  • 2035: 20%. 

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1 comentário
  1. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Vai chegando as eleições, aparecem medidas populistas.

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