publicidade
Política

Potencial vítima: Moraes deveria se declarar impedido em investigação contra Bolsonaro

Especialistas explicam que a legislação brasileira impede que um juiz atue em caso no qual é parte ou diretamente interessado

Moraes é juiz e vítima do mesmo caso | Foto: Andressa Anholete/STF
Moraes é juiz e vítima do mesmo caso | Foto: Andressa Anholete/STF

Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram um suposto plano para matar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

De acordo com juristas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a investigação reforça o fato de que o magistrado deveria se declarar impedido de julgar os casos que envolvem a suposta tentativa de golpe de Estado.

Receba nossas atualizações

Vítima e juiz ao mesmo tempo, Moraes cita seu nome 44 vezes em decisão

Os especialistas afirmaram à reportagem que os fatos revelados pela PF são graves e exigem uma apuração rigorosa. Como Moraes seria um alvo direto, o ideal é que ele se declarasse impedido de continuar na condução do inquérito na Corte.

Os juristas argumentam essa medida pode evitar que brechas processuais sejam exploradas pelas defesas dos envolvidos e que poderiam levar à anulação do caso.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Em fevereiro, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente da Corte, rejeitou um pedido da defesa de Bolsonaro pelo impeachment de Moraes. “Para essa finalidade, não são suficientes as alegações genéricas e subjetivas, destituídas de embasamento jurídico”, disse o magistrado.

Na última semana, o decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes, também manifestou apoio à permanência de Moraes na condução dos inquéritos nos quais é apontado como vítima. Mendes afirmou que “seria um absurdo” e que “não faz sentido” afastar Moraes do inquérito que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado.

Depois do indiciamento de Bolsonaro e outras 36 pessoas, cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir pela apresentação da denúncia. Em seguida, Moraes, como relator do inquérito, pode optar por submeter a denúncia à apreciação da Primeira Turma do STF ou levá-la ao Plenário, que reúne os 11 ministros da Corte.

Por fim, vai caber ao Supremo decidir se aceita a denúncia e inicia o processo ou se arquiva o pedido.

O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou o fato de o ministro Alexandre de Moraes ser o relator da ação | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou o fato de o ministro Alexandre de Moraes ser o relator da ação | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“Neste caso específico, me parece que é de toda prudência que o ministro se afaste da relatoria, para que o tribunal não fique sob suspeita, sob questionamento, sob discussão. Isso preservaria mais a imagem do tribunal”, afirma ao Estadão o professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense (UFF) Gustavo Sampaio.

Ele acrescenta que, caso Moraes se declare impedido, a relatoria será redistribuída por sorteio entre os ministros do STF.

Postura de Moraes é contraditória

O jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Wálter Maierovitch concorda. Para ele, Moraes deveria se declarar suspeito, não apenas por figurar como possível vítima, mas por ter conduzido o inquérito, desempenhando um papel semelhante ao de um juiz de garantias.

Leia também: “Alexandre de Moraes é o juiz que marca e cobra o pênalti, diz Estadão

Embora o instituto seja aplicável apenas à primeira instância, Maierovitch considera contraditória a postura de Moraes ao permanecer no caso.

“Ora, se eles defenderam isso, é uma hipocrisia virarem agora as costas”, afirmou ao jornal. “E uma contradição. Nós estamos numa situação patética. Como o Brasil vai ser visto internacionalmente com um juiz que é vítima e julgador? […] Sou professor de processo penal e isso é estarrecedor para quem atua como operador dessa área do direito processual, constitucional e penal.”

Em sua avaliação, a amplitude de atribuições exercidas por Moraes guarda semelhanças com o ocorrido na Operação Lava Jato, quando o então juiz Sérgio Moro foi criticado por sua atuação em diferentes investigações.

Leia também: “Moraes flexibiliza medida cautelar para Anderson Torres cuidar da mãe que tem câncer”

“Tivemos o caso da parcialidade do Moro”, disse. “Será que já esquecemos? É preciso levar em conta o histórico de Moraes, não é só esse inquérito.”

Maierovitch destacou ao Estadão que a permanência do ministro no caso pode gerar contestações futuras por parte das defesas dos investigados, especialmente por meio da arguição de suspeição.

6 comentários
  1. Joaz Santana Praxedes
    Joaz Santana Praxedes

    Bocó – O BObo da COrte

    Procurei mas não encontrei a etimologia da palavra ‘Bocó’. O termo existe, é usado e está catalogado no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) – documento oficial atualizado em tempo real, válido para todos os países da Comunidade. Além de que seu significado está nos dicionários. Dizem, segundo o site ‘Significados’ que viria do francês ‘boucaut’. Lá na França nada tinha a ver com os significados de bocó cá no Brasil de hoje. Era um saco feito de pele de bode. Ao migrar para o Brasil, virou saco de couro de tatu. E como o saco não tinha tampa, a expressão ‘boca aberta’ foi substituída por ‘bocó’.

    Na época, os bocas-abertas eram os bocós de hoje, pessoas que tinham raciocínio lento, palermas ou ignorantes. Depois os significados atuais: bobo, estúpido, pacóvio, idiota, bobalhão, ignorante, lerdo, mentecapto, ingênuo, tonto, babaca, trouxa, abestalhado, anta, burro [Site ‘Significados’].

    Penso diferente, embora reconheça que meu pensamento neste terreno literário é de um leigo em matéria peles, couros e carcaças, como a do jabuti. Assim pensei em ‘boca open’, levando em conta que brasileiros gostam de misturar, numa mesma expressão, palavras em português com palavras inglesas, no todo ou parcialmente. Mesmo quando uma não é sobrenome da outra. Como há muitos casos, vou evitar citar exemplos.

    O que restou oficialmente desse pensamento foi o que está no título deste texto e o motivo é que foi usada apenas a lógica sem viés. E a inspiração veio do fato de que há muitos bobos nas cortes brasileiras. Veja que o julgamento do século, que convenceu todos os brasileiros de que enfim viveriam num país sem corrução, foi anulado por uma questão de CEP – que não podia começar com um número diferente de 70.

    Para corrigir o problema e fazer a necessária ‘falta de correção da corrução’ voltar aos patamares históricos que possibilitaram as grandes fortunas do Brasil, o CEP foi ajeitado para o valor correto reclamado e mudou-se o juiz; mas copiou-se a sistemática que tornou o juiz condenado um herói. Hoje o novo magistrado é tudo a que se resume o judiciário e é candidato ao mesmo fim, como escreve hoje o jurista esquerdista aposentado Wálter Maierovitch, em sua coluna no UOL. A diferença é que o leque de ilegalidades nos processos não se resume a dois dígitos de um código postal. A lista é grande e é citada sem cerimônia por especialistas de qualquer ideologia.

    Esse especialista experiente, muito mais que todos os da Corte, está alertando para o fato de o bocó estar pavimentando a estrada que conduz o alvo principal – o Lula de hoje, aquele que deve ser retirado da disputa com cartões vermelhos – à liberdade de presidir.

  2. Adail da Costa Leite Filho
    Adail da Costa Leite Filho

    Nada de novo no front. Donos da verdade não abrem mão de nada.

  3. Jocelio de Abreu e Silva
    Jocelio de Abreu e Silva

    Ridícula estas pessoas juristas, ficarem com estas entrevistas invocando a lei sobre esta situação. O Moraes está fazendo isso há tempos, qualquer criança q vai nascer sabe deste absurdo,e ninguém faz nada, só ficam dando entrevistas e os deputados fazendo discursos na tribuna, o cara faz o q quer e não há ninguém q impeça. Chega dessa palhaçada de ficar explicando q a constituição veda isso, aliás o Brasil ainda tem constituição?

  4. Marco Aurélio Oliveira De Farias
    Marco Aurélio Oliveira De Farias

    Me parece que a questão de Moraes com relação à Bolsonaro, passou a ser algo pessoal, e isso não é bom para as instituições que garantem o Estado Democrático de Direito.
    Moraes passará, Bolsonaro, passará; mas às instituições continuarão eternamente.
    É hora de ter bom senso.

  5. Bruno Thiago Souza de Lima
    Bruno Thiago Souza de Lima

    O pessoal da “Fóia de SÃO Paulo” e os especialistas jurídicos esquecem que em terra de ditador, discurso de opinião não tem vez, eles podem falar o que quiser que ele deve se considerar impedido, mas ditador não aceita opinião de ninguém.

  6. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Alguém já viu algum ditador respeitar as leis?

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade