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Política

Mendonça vota a favor do marco temporal e empata julgamento no STF

Placar está em 2 a 2; votação será retomada nesta quinta-feira, 31

Mendonça STF marco temporal
Ministro André Mendonça começou a leitura do voto favorável na quarta-feira, 30 de agosto: 'Marco objetivo, que reflete o propósito constitucional de colocar uma pá de cal nas intermináveis discussões sobre qualquer outra referência temporal de ocupação da área indígena' | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou na quarta-feira 30 a favor do marco temporal para demarcação de terras indígenas. Com isso, o placar do julgamento está empatado em 2 votos a 2.

O relator, Edson Fachin, e Alexandre de Moraes, em sessões anteriores, votaram contra; Nunes Marques é a favor do marco temporal, ou seja, ele entende que apenas as terras efetivamente ocupadas ou em disputa até a data de promulgação da Constituição de 1988 podem ser demarcadas.

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Mendonça, que votou no mesmo sentido, afirmou que o marco temporal equilibra os interesses de proprietários de terras e dos indígenas. “Marco objetivo, que reflete o propósito constitucional de colocar uma pá de cal nas intermináveis discussões sobre qualquer outra referência temporal de ocupação da área indígena”, declarou.

+ O STF sequestrou até o marco temporal

No voto, o ministro também mencionou o laudo antropológico para a demarcação de terras indígenas. Para ele, esse estudo deve ser conduzido por uma comissão integrante por todos os envolvidos na causa. Sobre a possibilidade de concessão de terras equivalentes aos indígenas, a remoção só ocorreria em comum acordo com os indígenas.

Apesar de adiantar grande parte do voto, Mendonça não concluiu a leitura, e a sessão será retomada nesta quinta-feira, 31. Faltam os votos de sete ministros.

Mais de 200 processos sobre marco temporal aguardam julgamento do STF

STF marco temporal
Indígenas acompanham a sessão do STF da quarta-feira, 30 de agosto | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O STF já tinha adotado a tese do marco temporal em 2013, quando julgou o caso da Reserva Raposa Terra do Sol, em Roraima.

Agora, o tema volta ao Supremo, mas com um caso de Santa Catarina, que teve a repercussão geral reconhecida. Trata-se de um recurso da Fundação Nacional do Índio (Funai) contra decisão da Justiça Federal de Santa Catarina e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

+ Esquerda teme o voto de Zanin no marco temporal das terras indígenas

Essas instâncias concederam reintegração de posse ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) da Reserva Biológica do Sassafrás, reivindicada por indígenas da etnia xokleng. A Funai, no entanto, alega que as demarcações de terras indígenas podem ser feitas a qualquer tempo.

Atualmente, pelo menos 226 processos sobre o marco temporal estão parados, aguardando um posicionamento do STF.

No Congresso, marco temporal está sob análise do Senado

Marco temporal
Comissão de Agricultura do Senado aprovou por 13 votos a 3 o marco temporal das terras indígenas | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Há uma semana, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou o projeto de lei que estabelece o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Foram 13 votos a favor e três contrários. A matéria vai, agora, para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, para o plenário. O marco temporal já foi aprovado na Câmara, no fim de maio, depois de tramitar por mais de 15 anos.  

A relator do projeto no Senado, Soraya Thronicke (Podemos-MS), que manteve a proposta como aprovada na Câmara, sem emendas, disse que estava “convicta de que a data da promulgação da Constituição federal, de 5 de outubro de 1988, representa parâmetro apropriado de marco temporal para verificação da existência da ocupação da terra pela comunidade indígena”.

2 comentários
  1. RODRIGO DE SOUZA COSTA
    RODRIGO DE SOUZA COSTA

    Espero que os ministros saibam o que estão fazendo com o Brasil. Se não, vão entregar o país para os interesses estrangeiros. Será que eles sabem disso?

  2. CESAR MAZULO RIZZO
    CESAR MAZULO RIZZO

    Em pleno ano de 2023, alguns bandidos querem que o Brasil volte ao ano de 1500, um absurdo, isso nem deveria ser de competência do maldito STF

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