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Política

Mendonça vota a favor da revisão da vida toda no STF

Recurso do INSS está sob análise pela Suprema Corte

Mendonça STF marco temporal
O ministro André Mendonça, durante o julgamento do marco temporal no STF - 30/08/2023 | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta segunda-feira, 9, a favor da revisão da vida toda das aposentadorias concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A manifestação foi feita no julgamento virtual em que a Corte analisa um recurso do INSS para aplicar o entendimento que vetou a revisão dos benefícios aos processos ainda em tramitação na Justiça. Mendonça apresentou voto divergente e entendeu que aposentados têm direito à revisão, mas com o estabelecimento de balizas para o recálculo.

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Entre as condições, estão a possibilidade de revisão para benefícios extintos, o ajuizamento de ação rescisória para recebimento nos processos que transitaram em julgado antes de 17 de dezembro de 2019 e o pagamento de diferença de valores anteriores a essa data.

Apesar do posicionamento favorável de Mendonça a aposentados, o placar está, até o momento, em 2 votos a 1 pelo não reconhecimento da revisão da vida toda. O julgamento começou na sexta-feira 6, quando o ministro Alexandre de Moraes votou no sentido de que, depois da decisão do plenário, deve ser aplicada a nova tese aos processos pendentes.

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O voto de Moraes foi acompanhado pelo do ministro Cristiano Zanin. Com isso, formou-se maioria provisória contra a revisão. O julgamento segue no plenário virtual do STF e está previsto para ser finalizado na sexta-feira, 13.

Em março do ano passado, o Supremo decidiu que os aposentados não têm direito de optar pela regra mais favorável para recálculo do benefício. A decisão anulou uma deliberação anterior da Corte, que era favorável à revisão da vida toda.

A mudança de entendimento decorreu do julgamento de duas ações de inconstitucionalidade contra a Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/91), e não do recurso extraordinário que havia reconhecido o direito de aposentados.

Atualmente, a Corte julga o recurso do INSS para que o resultado do novo julgamento seja aplicado ao recurso extraordinário e, por consequência, às ações que tramitam em todo o país sobre o tema.

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A discussão no STF envolve um grupo específico de aposentados que começou a contribuir com o INSS antes do Plano Real, em 1994, mas só se aposentou depois da reforma da Previdência de 1999. Essa categoria está submetida à chamada “regra de transição”, que exclui os salários anteriores a julho de 1994 do cálculo do benefício.

A “revisão da vida toda” permitiria a esses segurados optar pela regra “definitiva”, que considera os 80% maiores salários de toda a trajetória laboral, inclusive os anteriores ao Plano Real.

Segundo defensores da revisão, essa alternativa poderia beneficiar alguns segurados, embora especialistas consideram que o impacto seria limitado, uma vez que os salários iniciais costumam ser menores.

Fachada do INSS em Brasília - 2.11.2023 | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Fachada do INSS em Brasília – 2.11.2023 | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O governo federal, sob as gestões de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, contestou a possibilidade de revisão, sob a alegação de risco fiscal. A estimativa inicial da União foi de impacto de até R$ 480 bilhões.

Já estudos encomendados pelo Instituto de Estudos Previdenciários estimaram valores mais baixos, entre R$ 1,5 bilhão e R$ 3,1 bilhões, enquanto a Advocacia-Geral da União também apresentou projeção intermediária de R$ 70 bilhões.

Em dezembro de 2022, o STF reconheceu o direito de aposentados de escolherem a regra mais vantajosa. Essa decisão, no entanto, foi anulada em março de 2024, por razões processuais. Em setembro, a Corte formou maioria para rejeitar a tese da revisão.

Leia também: “Nada me ocorre sobre Alexandre de Moraes”, artigo de Flávio Gordon publicado na Edição 233 da Revista Oeste

1 comentário
  1. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Já virão Moraes e Zanin votarem a favor da sociedade. Os ministros são ministros, advogados, ex secretários. Enfim faltam juízes de carreira para compor o STF.

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