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Política

Mendonça rejeita condenação de Zambelli por porte ilegal de arma

Ministro afirma que parte do julgamento cabe à Câmara e critica competência da Corte no caso da deputada

André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
O ministro considerou que houve constrangimento ilegal, respaldado pelas imagens que circularam à época | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro André Mendonça votou contra a condenação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) por porte ilegal de arma no Supremo Tribunal Federal (STF). Em julgamento que já conta com maioria formada pela punição da parlamentar, Mendonça seguiu a divergência aberta por Nunes Marques e rejeitou parte das acusações.

Zambelli responde por ter perseguido um homem com arma em punho, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. A relatoria do caso, conduzida por Gilmar Mendes, propôs pena de cinco anos de prisão e perda do mandato pelos crimes de constrangimento ilegal com arma de fogo e porte ilegal. Seis ministros já votaram a favor da condenação.

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Para Mendonça, embora Zambelli tenha agido de forma errada ao empunhar uma arma durante a discussão, ela possuía autorização legal para o porte. Segundo o magistrado, o mau uso não anula o direito previamente concedido. “Pode ter feito mal uso de seu porte de arma, mas o tinha, sem dúvida.”

O ministro considerou que houve constrangimento ilegal, respaldado pelas imagens que circularam à época. No entanto, defendeu pena mais branda: oito meses de prisão em regime aberto, exclusivamente pelo constrangimento, e não por porte.

Mendonça afirma que o STF não tem competência para julgar o caso

Na avaliação do magistrado, o STF não tem competência para julgar o episódio, já que os fatos não guardam relação com o mandato parlamentar. Mendonça enfatizou que a deputada estava em um restaurante, sem compromissos de campanha nem atividades institucionais.

“A conduta da denunciada, embora deputada federal, não teve, conforme se extrai da própria narração acusatória, relação com o exercício de suas funções”, disse o ministro.

Ele também rebateu a possibilidade de o STF determinar a perda de mandato da parlamentar. Segundo ele, cabe exclusivamente à Câmara dos Deputados decidir sobre a cassação de um mandato, salvo nas exceções previstas pela Constituição.

+ Leia também: “Justiça italiana mantém prisão cautelar de Carla Zambelli”

O episódio de 2022 não é o único processo enfrentado por Zambelli. A deputada já foi condenada a dez anos de prisão por envolvimento em um ataque hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça.

Na ocasião, um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes foi inserido no sistema eletrônico do órgão. Antes de sofrer a prisão, Zambelli foi para a Itália e permaneceu no país por dois meses.

Em 29 de julho, autoridades italianas realizaram sua prisão. Atualmente, ela aguarda o desfecho do processo de extradição, com pedido para permanecer em prisão domiciliar enquanto o retorno ao Brasil não se concretiza. A defesa argumenta que a parlamentar enfrenta problemas de saúde e que a extradição pode demorar até dois anos.

3 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Cada voto do Mendonça é uma aula de Direito para os demais que dizem ter “notório saber jurídico”.

  2. TALITA CASTRO DE FREITAS
    TALITA CASTRO DE FREITAS

    Que decisão sensata, estava num dia iluminado….

  3. Robinson dos Santos Pereira
    Robinson dos Santos Pereira

    O STF puxa para si tudo que pode resultar em prejuízos para a oposição ao governo. O padrão das decisões já está cristalino. Os negacionistas que rejeitam a constatação de que vivemos sob uma ditadura da toga se encaixam perfeitamente no lado de quem está se beneficiando fartamente com isso.

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