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Política

Marco temporal: o impasse que virá com as decisões do Senado e do STF

Legislativo e Judiciário possuem entendimentos diferentes sobre o tema

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Tanto na Câmara quanto no Senado, a maioria do Parlamento se posicionou favorável ao marco temporal | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Nesta quarta-feira, 27, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu derrubar a tese do marco temporal para demarcação das terras indígenas.

No mesmo período, por 43 votos, o Senado aprovou um projeto de lei (PL) que possui parecer favorável a tese de que um território indígena só poderia ser demarcado se houvesse uma comprovação de que o requerente estava no local quando a Constituição Federal foi promulgada, em 5 de outubro de 1988. O texto vai à sanção presidencial.

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O posicionamento do Congresso Nacional vai em uma direção contrária ao Judiciário. Tanto na Câmara quanto no Senado, a maioria do Parlamento se posicionou favorável ao marco temporal.

Em maio deste ano, com 283 votos a favor, a Casa Baixa aprovou o PL que limita a ocupação dos indígenas apenas em territórios em que eles estavam em outubro de 1988. Hoje, o Senado reafirmou o apoio à tese.

O presidente Lula tem agora duas opções: acatar a decisão da maioria do Congresso ou vetar a lei em consideração a decisão do STF. Se vetar o PL, o Legislativo pode ainda derrubar o veto. Contudo, representantes da sociedade civil podem provocar o STF a decidir sobre inconstitucionalidade da lei.

No entanto, uma possível contestação da lei no Judiciário pode virar uma confusão jurídica e levar anos para ser analisada. Assim, a composição da Suprema Corte pode ser outra, permitindo, até mesmo, uma mudança de entendimento do próprio Supremo.

Marco temporal: Parlamento vs Supremo

No Parlamento, a ala governista — que é contrária ao relatório da matéria — defende a tese de que, se o STF julga um tema inconstitucional, uma lei infraconstitucional aprovada pelo Senado não pode superar o que já foi decidido.

Desse modo, a exceção acontece apenas se o Congresso interferir por intermédio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). “Se for PEC, o Legislativo consagra na Constituição”, avaliou o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP).

Contudo, segundo a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), a decisão do STF declarou a Constituição “inconstitucional”, pois a Carta Magna já estabelece o marco temporal. Nesse sentido, propor uma PEC para manter a Constituição não faria sentido.

“O STF declarou a Constituição inconstitucional”, destacou Soraya. “Isso é ridículo. Como mudaremos a Constituição por meio de uma PEC se concordamos com ela? Não posso entrar com uma PEC para manter a Constituição, mas para modificar. O PL traz um preciosismo, ele confirma a Constituição, não é inconstitucional.”

Relator da proposta no Senado, Marcos Rogério (PL-RO) acredita que a decisão da Suprema Corte não gera efeito vinculante para o Legislativo. Desse modo, o julgamento do STF seria apenas relacionado ao caso pontual em questão, a reintegração de posse movida contra o povo Xokleng, em Santa Catarina.

Soraya compartilha do mesmo entendimento de Rogério. Conforme a parlamentar, a lei não pode retroagir, pois a decisão do STF, apesar de ir contra ao que a Constituição já prevê, vale apenas para um caso. “O Supremo precisa guardar a Constituição, que não foi mudada por este Poder”, disse a senadora.

Bancada do agronegócio mobiliza congressistas com PECs

Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

Apesar da constatação da senadora, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPE), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), anunciou que o trabalho da bancada vai se concentrar em tramitar e aprovar duas PECs.

A primeira é a PEC 132/2015, que trata de indenizações prévias em terras utilizadas para demarcação. De autoria do ex-senador Paulo Bauer, a proposta está na Casa com o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS).

O texto já foi aprovado pelo Senado anteriormente e agora está na Câmara. Conforme antecipou Oeste, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já concordou em criar uma comissão para discutir a proposta.

A outra frente de atuação é a PEC 48/2023, do senador Dr. Hiran (PP-RR), que coloca de modo claro na Constituição a obrigatoriedade do cumprimento do marco temporal. A proposta já conta com a assinatura de 27 senadores.

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5 comentários
  1. Cynthia T dos Santos
    Cynthia T dos Santos

    Percebam o BURACO que o stf (em minúsculo mesmo) se meteu! Agora comprou uma briga que NAO TEM COMO GANHAR! Tudo começa com o o Moraes se achando o DONO DO BRASIL e vai crescendo a cada semana até chegar num Momento de RUPTURA, ponto q estamos agora! Parabéns a todas a Frentes Parlamentares!! Isso aí, tiverem a CORAGEM de erguer a cabeça e dizer BASTA! BASTA! BASTA!

  2. Manfred Trennepohl
    Manfred Trennepohl

    Tudo isso não tem nada a ver com entendimento. A lei é clara e o STF não tem que criar nova lei. Tem que cumprir o que está na constituição. Ministros do STF não são legisladores. É hora de acabar com a farra desses ministros.

  3. Semiao Emediato
    Semiao Emediato

    Então, stf… Vão cuidar de seus AFAZERES… Leis, são do LEGISLATIVO, CONGRESSO NACIONAL…Ainda não entenderam, seus ativistas políticos!!!

  4. Perez Mangueira
    Perez Mangueira

    O STF não respeita a constituição, vai respeitar o congresso? Suas reiteradas decisões vem sendo no sentido de auto afirmação, de governo imposto pela toga , assim , palmo a palmo , decisão a decisão .

  5. Laercio Stella
    Laercio Stella

    STF NÃO TEM Q LEGISLAR, apenas fazer CUMPRIR as Leis promulgadas pelo Congresso; ademais o marco temporal já é matéria prevista na Constituição de 88. Portanto, STF deve retroceder e colocar-se no seu devido lugar. Da mesma forma sobre Aborto, pois STF NÃO É LUGAR PARA IDEOLOGIAS.

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