publicidade
Política

Mais de 20 deputados acionam TCU contra Lewandowski

Liderada por Rosângela Moro, a representação pede um inquérito sobre dinheiro pago pelo Banco Master ao ex-ministro da Justiça por consultoria

usp portaria O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski | Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Escritório de advocacia da família de Ricardo Lewandowski manteve contrato de consultoria com o Banco Master enquanto ele foi ministro da Justiça e Segurança Pública | Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP) apresentou, nesta quarta-feira, 28, uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) em que pede a investigação de possíveis irregularidades atribuídas ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Outros 21 parlamentares assinaram a petição.

O requerimento tem como base relatos de que o escritório de advocacia associado a Lewandowski recebeu cerca de R$ 6,5 milhões do Banco Master ao longo de 21 meses. Desse total, aproximadamente R$ 5,25 milhões teriam sido pagos no período em que o ex-ministro ainda chefiava o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

O contrato previa repasses mensais de R$ 250 mil por serviços de consultoria jurídica e participação em reuniões estratégicas. “O Brasil não pode normalizar a convivência entre o exercício de cargos de alta relevância institucional e vínculos econômicos privados que colocam em xeque a imparcialidade do Estado”, afirmou Rosângela.

O empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante entrevista à TV Lide, em 2024 | Foto: Divulgação/Lide
O empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante entrevista à TV Lide, em 2024 | Foto: Divulgação/Lide

Na avaliação da deputada, a gravidade da situação não se resume ao valor envolvido, mas ao fato de ter sido mantido um fluxo financeiro privado durante o exercício do cargo. “Quem ocupa o Ministério da Justiça precisa estar acima de qualquer suspeita, porque a credibilidade das instituições começa pelo comportamento de seus dirigentes.”

A representação sustenta que o estatuto da advocacia veda expressamente o exercício da advocacia por ministros de Estado, inclusive na modalidade de consultoria. Para Rosângela Moro, Lewandowski, ex-integrante do Supremo Tribunal Federal, tinha pleno conhecimento das incompatibilidades legais do cargo, o que afasta a hipótese de desconhecimento ou erro involuntário.

Veja os signatários do requerimento:

  1. Adriana Ventura (Novo-SP);
  2. Capitão Alberto Neto (PL-AM);
  3. Alceu Moreira (MDB-RS);
  4. Bibo Nunes (PL-RS);
  5. Capitão Alden (PL-BA);
  6. Daniela Reinehr (PL-SC);
  7. General Girão (PL-RN);
  8. Clarissa Téricio (PSDB-PE);
  9. Evair Vieira de Melo (PP-ES);
  10. Dr. Frederico (PL-MG);
  11. Sargento Fahur (PSD-PR);
  12. Gustavo Gayer (PL-GO);
  13. João Chrisóstomo (PL-RO);
  14. Delegado Caveira (PL-PA);
  15. Luiz Fernando Cardoso (PSDB-SC);
  16. Marcel Van Hattem (Novo-RS);
  17. Paulo Bilynskyj (PL-SP);
  18. Pedro Westphalen (PP-RS);
  19. Rodolfo Oliveira Nogueira (PL-MS);
  20. Rosangela Moro (União Brasil-SP);
  21. Coronel Fernanda (PL-MT); e
  22. Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil-AL).

Rosângela Moro ressalta a existência de conflito de interesses, uma vez que o Ministério da Justiça exerce influência institucional sobre órgãos como a Polícia Federal, responsável por investigações no sistema financeiro. A manutenção de vínculo econômico com uma instituição bancária compromete a confiança pública na imparcialidade das decisões administrativas.

“A lei existe justamente para impedir que interesses privados se confundam com o exercício da função pública”, destaca. “Não se trata de prejulgamento, mas de garantir que as regras valham para todos, independentemente da trajetória de quem ocupa o cargo.”

Advogada, Rosângela Moro aponta ainda indícios de violação à Lei de Improbidade Administrativa. Ela explica que a percepção continuada de vantagem econômica privada durante o exercício do cargo pode configurar enriquecimento indevido ou afronta aos deveres de honestidade, legalidade e imparcialidade.

Rosângela Moro pt
Rosângela Moro foi eleita deputada federal por São Paulo | Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Requerimento contra Lewandowski aguarda análise do TCU

Diante dos fatos, o requerimento solicita que o TCU instaure procedimento de apuração, com diligências no Banco Master e no Ministério da Justiça para a obtenção de contratos, notas fiscais e demais documentos relacionados aos pagamentos.

O pedido inclui ainda o encaminhamento do caso ao Ministério Público Federal, à Ordem dos Advogados do Brasil e à Comissão de Ética Pública da Presidência da República, para análise de eventuais responsabilidades.

A representação aguarda análise do TCU. O tribunal deverá decidir sobre a abertura de instrução técnica para apuração dos fatos e eventual aplicação das sanções cabíveis, caso as irregularidades sejam confirmadas.

Leia também: “Os Poderes apodrecem na Praça“, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 306 da Revista Oeste

1 comentário
  1. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    Laddao que julga ladrão, tem como fim a absolvição

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.