Ana Carolina Oliveira (Podemos), mãe de Isabella Nardoni, e Leniel Borel (PP), pai de Henry Borel, foram eleitos vereadores nas eleições municipais deste domingo, 6.
Ambos passaram por situações semelhantes: perderam seus filhos em crimes com grande repercussão jurídica e midiática.
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Ana Carolina foi a segunda vereadora mais votada em São Paulo, com 129.563 votos, com a bandeira de “dar voz a vítimas que sofrem em silêncio”, segundo a parlamentar eleita. Já Leniel foi o oitavo mais votado no Rio, com 34.359 votos, com a pauta de defender os direitos de crianças e adolescentes.
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No Instagram, Ana Carolina celebrou a votação. “Eu não tenho palavras para agradecer todo mundo que me deu este voto de confiança”, disse. Ela tem 40 anos, é bancária e declarou um patrimônio de R$ 881 mil.
Borel, por sua vez, demonstrou entusiasmo com o resultado. “Alegra muito o meu coração saber que tem muito mais trabalho daqui pra frente em prol das nossas crianças e adolescentes”, declarou. Leniel, também de 40 anos, é engenheiro e declarou R$ 1,1 milhão em bens.
Caso Nardoni
O caso Nardoni ocorreu em 29 de março de 2008, quando uma menina de 5 anos, Isabella de Oliveira Nardoni, filha de Ana Carolina, morreu depois de ser jogada do 6° andar de um prédio em São Paulo.
A menina chegou a ser socorrida, mas morreu logo depois. Seu pai, Alexandre Nardoni, e a mulher dele, Anna Carolina Jatobá, relataram que “alguém jogou Isabella” da janela, mas não sabiam dizer quem.
Com base em laudos da perícia, a investigação revelou que o caso era um homicídio, e não um acidente. Segundo a polícia, a janela da qual Isabella caiu tinha uma tela de proteção, que foi cortada.
Dias depois, um laudo do Instituto de Criminalística mostrou que a menina foi esganada dentro do apartamento, o que causou parada respiratória, e foi jogada pela janela. A investigação policial confirmou que não havia outro adulto no apartamento além do casal.
Em 2010, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados por homicídio qualificado pela morte de Isabella.
Caso Borel
O caso Henry Borel aconteceu em 8 de março de 2021. O garoto de 4 anos é filho da professora Monique Medeiros e do engenheiro Leniel Borel, que foram casados até 2020.
Naquele ano, Monique começou a namorar com o médico Jairo de Souza Santos, conhecido como Dr. Jairinho, então vereador da cidade do Rio de Janeiro. Em poucos meses, Monique e Henry passaram a morar com Jairo em um apartamento na Barra da Tijuca.
Foi no apartamento do médico que o garoto foi encontrado caído no chão, com as mãos e os pés gelados e olhos revirados. O casal levou Henry ao Hospital Barra D’Or, onde chegou já sem vida, segundo os médicos que o atenderam. A autópsia revelou que a causa de sua morte foi hemorragia interna por laceração hepática e que o menino tinha 23 lesões pelo corpo.
Jairinho e Monique foram presos um mês depois, em 8 de abril de 2021, acusados de tentar se desfazer de seus aparelhos celulares. Um dos smartphones de Monique continha uma conversa na qual a babá relatava machucados de Henry à mãe.
A Polícia Civil concluiu que Jairinho agredia o enteado e que Monique sabia da situação. Ele foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual, enquanto ela foi denunciada por homicídio, tortura, falsidade ideológica, fraude processual e coação de testemunha.
O julgamento ainda não ocorreu, mas o caso já gerou frutos: em 2022, foi sancionada a Lei Henry Borel, que aumentou a punição a crimes cometidos contra menores.
Leia também: “O cálice eleitoral”, artigo de Guilherme Fiúza publicado na Edição 237 da Revista Oeste








































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