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Política

Lula chama parceria com China de 'indestrutível' e critica EUA

Petista vê aliança como estratégica, ataca protecionismo norte-americano e promete transferência de tecnologia

Lula
A China é o maior parceiro comercial do Brasil há 16 anos | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Durante viagem oficial a Pequim nesta segunda-feira, 12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou a aliança econômica com a China, classificando a relação como “indestrutível” e sem retorno.

Em discurso no Seminário Empresarial Brasil-China, Lula adotou um tom firme contra os Estados Unidos e argumentou que a cooperação sino-brasileira ajudará a fortalecer o chamado Sul Global.

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“Se depender do meu governo e da minha disposição, Brasil e China serão parceiros incontornáveis e nossa relação será indestrutível”, disse o petista. “Nós dois juntos poderemos fazer com que o Sul Global seja respeitado no mundo como nunca foi.”

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Horas antes do evento, China e EUA haviam anunciado uma trégua parcial na guerra comercial iniciada por Donald Trump. Os dois países concordaram em reduzir tarifas mútuas por 90 dias.

Mesmo assim, Lula evitou comentar o acordo e preferiu criticar diretamente o presidente norte-americano. Para ele, o multilateralismo é o único caminho para evitar conflitos comerciais e preservar a soberania das nações.

“Não existe saída para um país sozinho”, ponderou Lula. “Nós precisamos trabalhar juntos, por isso eu não me conformo com a chamada taxação que o presidente dos EUA tentou impor ao planeta Terra de uma hora para outra.”

A China é o maior parceiro comercial do Brasil há 16 anos, enquanto os EUA ocupam a segunda posição. Só os negócios anunciados no seminário devem movimentar R$ 27 bilhões, segundo estimativa da Apex Brasil.

Segundo Lula, a relação entre os dois países não é “comum”, pois compartilham a experiência de superação da pobreza. Sem mencionar diretamente a Casa Branca, o presidente acusou potências ocidentais de negligenciarem a América Latina e a África.

Parceria inclui tecnologia, saúde e energia

Lula rebateu críticas de que o Brasil exporta apenas commodities para a China. Ele argumentou que o agronegócio nacional também carrega tecnologia e culpou a falta de investimentos em educação por limitar a produção de bens de maior valor agregado.

O presidente destacou iniciativas conjuntas nas áreas de energia, saúde, defesa e tecnologia. Citou, por exemplo, o centro de pesquisa em inteligência artificial da Huawei com a Dataprev, voltado para segurança pública e agricultura.

Também anunciou oito acordos com transferência de tecnologia para a produção de vacinas, medicamentos e insumos farmacêuticos.

Na área de conectividade, Lula mencionou o acordo entre Space Sail e Telebrás para levar internet a regiões remotas por meio de satélites. Já no setor de energia, destacou parcerias para o desenvolvimento de baterias elétricas, energia solar, eólica e armazenamento.

Lula aposta na transição energética para atrair investimentos

Ao final do discurso, Lula afirmou que o Brasil está em posição estratégica para liderar a transição energética global.

Segundo ele, o país oferece condições únicas para atrair investimentos internacionais no setor e pode avançar rapidamente com apoio chinês na montagem de baterias e no refino de minerais críticos.

+ Leia também: “Lula exalta revolução chinesa durante evento em Pequim”

O presidente também defendeu maior intercâmbio cultural e educacional entre os países, reforçando que a troca de conhecimento é essencial para ampliar a cooperação estratégica.

Lula afirmou que pretende agradecer pessoalmente ao presidente Xi Jinping pela confiança mútua entre os dois governos.

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