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Política

Justiça bloqueia bens de Crivella por suspeita de irregularidades na pandemia

Rio atende a pedido do Ministério Público e aponta prejuízo de R$ 68 milhões com contratos firmados durante a covid-19

Ex-prefeito do Rio de Janeiro, Crivella justifica contratos como medidas antecipadas à crise de atendimento sistema de saúde | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Ex-prefeito do Rio de Janeiro, Crivella justifica contratos como medidas antecipadas à crise de atendimento sistema de saúde | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de até R$ 50,5 milhões em bens do ex-prefeito da capital fluminense Marcelo Crivella (Republicanos). A decisão, em caráter liminar, surgiu nesta segunda-feira, 12. A responsável é a 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital, atendendo a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

Crivella recebeu a acusação de cometer principalmente improbidade administrativa e de causar prejuízos à administração pública com contratos firmados durante a pandemia de covid-19. Segundo o MPRJ, houve direcionamento em processos de licitação e dispensa de licitação envolvendo a empresa chinesa China Meheco.

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Justiça vê prejuízo em contratos emergenciais

De acordo com auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM-RJ), os contratos resultaram em um prejuízo de R$ 68 milhões. As perdas envolvem compra de equipamentos médicos além da necessidade da rede pública, variações cambiais desfavoráveis e, da mesma forma, sobrepreço nas aquisições emergenciais.

Além de Crivella, também tiveram bens bloqueados a ex-secretária municipal de Saúde Ana Beatriz Busch Araújo, e o ex-subsecretário Ivo Remuszka Junior. A mesma situação se aplica à empresa China Meheco Corporation, fornecedora dos equipamentos,

Empresas e empresários também são alvos

Outros nomes também integram a decisão judicial. A indisponibilidade de bens se estende aos empresários Bruno Cavalcanti e Bing Changbao. Do mesmo modo, constam no processo as empresas Z Fu Consultoria Empresarial, Mayers Participações e Marzuk Projetos Especiais. Os valores bloqueados variam de R$ 355 mil a R$ 36,9 milhões por réu.

A defesa de Crivella afirmou que “soube da decisão da Justiça pela mídia” e que aguarda a notificação oficial para apresentar recurso. O ex-prefeito disse que, ao contrário de outras capitais, o Rio de Janeiro já contava com estrutura hospitalar reforçada no início da crise sanitária. “O Rio de Janeiro foi a única cidade do mundo que, em plena pandemia, já tinha 27 tomógrafos, 800 respiradores e 2 mil monitores”.

Segundo ele, a administração adquiriu os equipamentos um ano antes da pandemia. Os preços seriam inferiores aos de 2020, quando a demanda global elevou os valores e reduziu a oferta. Crivella destacou principalmente a construção de um hospital de campanha com 500 leitos. Nele, havia 100 estações de UTI, que teriam permitido à cidade auxiliar outras 26 localidades no enfrentamento à covid-19.

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