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Política

Jurista expõe erros em pedido de Boulos contra o Discord

Em postagem nas redes sociais, André Marsiglia critica medida proposta pelo deputado e afirma que suspensão é censura

O deputado do Psol/SP, Guilherme Boulos: discurso em favor da censura, segundo jurista | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O deputado do Psol/SP, Guilherme Boulos: discurso em favor da censura, segundo jurista | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O jurista e especialista em liberdade de expressão André Marsiglia listou, nesta quarta-feira, 8, cinco equívocos no pedido feito pelo deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) para suspender o funcionamento do aplicativo Discord no Brasil. A análise foi publicada em seu perfil na plataforma Twitter/X e reprova o que Marsiglia considera uma tentativa de censura disfarçada de ação regulatória.

Boulos acionou o Ministério da Justiça para pedir providências contra a plataforma de comunicação depois da divulgação de que grupos neonazistas brasileiros teriam utilizado o Discord para planejar ataques violentos. Para o deputado, a ferramenta seria “terra de ninguém” e operaria de forma irregular no país.

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Jurista: falta base jurídica a Boulos

Na análise de Marsiglia, o pedido é juridicamente falho. Ele afirma, em primeiro lugar, que não há exigência legal de moderação de conteúdo por parte das plataformas no Brasil. Acrescenta que existe, sim, a obrigação de garantir um ambiente de interação saudável entre os usuários. “Suspender uma plataforma é desproporcional e configura censura, pois prejudica a totalidade dos usuários pelo uso inadequado de alguns.”

O segundo ponto de destaque é que o conceito de discurso de ódio não está tipificado na legislação brasileira. Conforme Marsiglia, tratar o ódio como atributo exclusivo de determinado grupo político — no caso, a direita — é uma generalização imprecisa e de natureza política, não jurídica.

Em sua terceira observação, o jurista admite que pode haver discussão sobre a necessidade de registro com CNPJ no Brasil. Lembra, contudo, que o Discord não opera de forma clandestina, já que possui representantes no país. O quarto item reforça o argumento da desproporcionalidade da medida proposta por Boulos, reiterando que punir todos os usuários pela conduta de alguns é incompatível com os princípios democráticos.

Por fim, Marsiglia aponta contradição no discurso do deputado. “Ele diz que a internet é terra de ninguém, mas em seguida afirma que a polícia interceptou os crimes. Ora, na terra de ninguém a polícia não intercepta nada.”

Quem é o Discord; entenda

O Discord é uma plataforma digital que permite comunicação por voz, vídeo e mensagens de texto. A solução tecnológica tem uso frequente por comunidades de jogos eletrônicos, estudantes e grupos de afinidade em geral. Criada em 2015, oferece servidores privados em que os usuários podem criar salas de bate-papo e interagir em tempo real.

Apesar de seu uso legítimo por milhões de pessoas em todo o mundo, o Discord, como outras plataformas, também pode estar sujeito a grupos criminosos. Por isso, sua atuação tem sido monitorada por autoridades e especialistas em segurança digital, assim como ocorre com outras conhecidas plataformas.

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2 comentários
  1. Gilson Herz
    Gilson Herz

    Lixo comunista envernizado. Mais um canalha que deve ser extirpado, de preferência da terra.

  2. José Ângelo
    José Ângelo

    DISCORDo como sempre de Boulos invasor de propriedades.
    Como a Amanda, o seu sentimento é de que democracia não atende a interesses pessoais!

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