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Política

Juiz que denunciou colegas em Mato Grosso do Sul é afastado por tribunal

Rodrigo Pedrini está impedido de participar de mutirões e atividades simultâneas no âmbito da Corte do Estado

O juiz Rodrigo Pedrini, responsável pela vara de Três Lagoas | Foto: Reprodução/Redes sociais
O juiz Rodrigo Pedrini, responsável pela vara de Três Lagoas | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) limitou as funções do juiz Rodrigo Pedrini, que atua em Três Lagoas, depois de uma fiscalização mostrar atrasos no andamento dos processos.

A decisão, tomada em 26 de maio, o afastou de mutirões, atividades simultâneas e da substituição em outras Varas. Ele permanece responsável apenas pelos processos da própria Vara.

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Pedrini ficou conhecido por denunciar colegas por supostas irregularidades, como a soltura de um narcotraficante em 2020, que fugiu depois de romper a tornozeleira eletrônica. Ele também denunciou a atuação da desembargadora Tânia Borges, afastada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por tentar libertar o filho, investigado por envolvimento com o crime organizado.

Relatório da Corregedoria mostra falhas cometidas em tribunal de juiz que denunciava colegas

Fachada do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul | Foto: Divulgação/TJMS
Fachada do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul | Foto: Divulgação/TJMS

Durante correição em Batayporã, a Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ) recebeu relatos sobre falhas no juízo de garantias de Três Lagoas. Entre os problemas citados estavam demora em decisões cautelares, falhas na emissão de guias de recolhimento e descumprimento de regras sobre audiências de custódia.

Um dos casos mais graves foi um intervalo de 89 dias entre a conclusão de um processo e a decisão sobre quebra de sigilo telefônico.

A Corregedoria avaliou que as falhas poderiam comprometer a imagem do Judiciário e recomendou medidas corretivas. Relatórios de monitoramento e relatos de outras comarcas reforçaram a decisão.

Magistrado contesta acusações e critica apuração

Pedrini recorreu ao Conselho Superior da Magistratura e negou as acusações. Disse que não teve chance de se defender antes da decisão e argumentou que os problemas foram causados pela implementação do juízo de garantias, que aumentou sua carga de trabalho.

O juiz também criticou o uso de relatos informais, sem registro oficial, como base para a decisão. Ele comparou a investigação a uma “fishing expedition“, expressão usada para descrever apurações sem critérios claros.

Segundo Pedrini, não houve queixas formais contra sua Vara nos anos de 2024 e 2025. Ele reconheceu falhas pontuais no sistema SEEU por inconsistências de dados, mas disse que os ajustes estão em andamento. Também citou a sobrecarga da equipe — apenas um servidor é responsável por cerca de 2,5 mil processos — e pediu reforço na estrutura da Vara.

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