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Política

Judiciário elevou gastos em 15% e atingiu R$ 181 bilhões em 2024

Relatório do Tesouro Nacional mostra aumento nas despesas do sistema de Justiça, com forte concentração em folhas de pagamento

Judiciário
A metodologia inclui tribunais estaduais, regionais e superiores | Foto: Reprodução/Flickr

Dados do relatório de despesas do governo geral, publicado pelo Tesouro Nacional em dezembro de 2025, mostram que o Judiciário aumentou seus gastos em 15,8%, de 2023 a 2024, e atingiu R$ 181,5 bilhões. O montante representa 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB) e corresponde a 3,38% do total desembolsado pela União, pelos Estados e pelos municípios no período.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que divulgou as informações, o Tesouro utilizou dados de 2024 para o cenário interno, mas adotou números de 2023 na comparação internacional.

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De acordo com o órgão, outros 56 países divulgaram suas informações com defasagem. O levantamento, portanto, não inclui Estados Unidos, China e Rússia e traz poucos dados de países vizinhos, com exceção da Colômbia.

O Tesouro empregou a Classificação de Funções do Governo, modelo adotado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico para organizar gastos públicos.

A metodologia inclui tribunais estaduais, regionais e superiores, além das Justiças Eleitoral, Militar e do Trabalho, do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF) na função “ordem e segurança pública”.

O critério, no entanto, não segue a estrutura institucional. Assim, incorpora também órgãos fora do Judiciário, como Ministério Público, Defensoria Pública da União e Advocacia-Geral da União.

Estados direcionam bilhões ao sistema de Justiça

Em 2021, o Brasil liderou o ranking global de gastos com o sistema de Justiça, quando destinou 1,6% do PIB à área. Nos dois anos seguintes, o país ficou na segunda colocação, atrás de El Salvador. As despesas representaram 1,33% do PIB em 2022 e 1,43% em 2023.

Os pagamentos de pessoal concentraram a maior parte das despesas do sistema em 2024. As folhas salariais consumiram 77,9% dos recursos, enquanto benefícios previdenciários e assistenciais representaram 1,7%. Juntas, essas categorias somaram R$ 144,3 bilhões.

+ Leia também: “PF apreende R$ 284 mil em espécie em operação que apura venda de sentenças no Maranhão”

Um estudo da Plataforma Justa analisou 94% dos orçamentos estaduais destinados a tribunais, defensorias e Ministério Público, que, ao todo, somaram R$ 93,2 bilhões. As folhas de pagamento consumiram 67% desse total.

A pesquisa também identificou o uso de créditos adicionais para financiar despesas com pessoal e revelou que R$ 4,7 bilhões foram direcionados a folhas salariais fora da previsão original.

Estados como Pará e Santa Catarina registraram participação significativa desses créditos. Em ambos, cerca de um terço das despesas com pessoal foi financiado por esse mecanismo.

Como resultado, o tema ganhou destaque em decisões recentes do STF. Em fevereiro, os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino determinaram a suspensão de pagamentos acima do teto.

A Corte também analisou o assunto e decidiu limitar essas verbas, mas autorizou a manutenção de parte dos valores acima do limite do funcionalismo, superior a R$ 46 mil.

Eis a lista dos países que mais gastaram com o Judiciário em 2023

  • El Salvador — 1,45%
  • Brasil — 1,43%
  • Costa Rica — 1,33%
  • Colômbia — 1,01%
  • Bulgária — 0,68%
  • Kosovo — 0,64%
  • Guatemala — 0,59%
  • Malta — 0,50%
  • Letônia — 0,48%
  • Polônia — 0,46%
  • Namíbia — 0,45%
  • Romênia — 0,44%
  • África do Sul — 0,44%
  • Eslovênia — 0,44%
  • Andorra — 0,43%
  • Reino Unido — 0,42%
  • Croácia — 0,38%
  • Alemanha — 0,37%
  • Espanha — 0,35%
  • Austrália — 0,34%
  • Grécia — 0,33%
  • Itália — 0,33%
  • Hungria — 0,32%
  • Albânia — 0,32%
  • Israel — 0,31%
  • Canadá — 0,31%
  • Eslováquia — 0,31%
  • República Dominicana — 0,31%
  • Estônia — 0,29%
  • Portugal — 0,29%
  • França — 0,29%
  • Suíça — 0,28%
  • Tchéquia — 0,28%
  • Geórgia — 0,28%
  • Turquia — 0,27%
  • Áustria — 0,26%
  • Hong Kong — 0,26%
  • Holanda — 0,26%
  • Suécia — 0,26%
  • San Marino — 0,24%
  • Luxemburgo — 0,24%
  • Armênia — 0,24%
  • Bélgica — 0,23%
  • Tailândia — 0,23%
  • Azerbaijão — 0,23%
  • Finlândia — 0,23%
  • Lituânia — 0,21%
  • Islândia — 0,21%
  • Bielorrússia — 0,17%
  • Maurício — 0,17%
  • Irlanda — 0,16%
  • Dinamarca — 0,15%
  • Noruega — 0,13%
  • Chipre — 0,10%
  • Japão — 0,09%
  • Cazaquistão — 0,09%

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