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Política

Indicado por Pacheco, auxiliar de Lula contraria regras em estatal

Presidente de empresa pública teria feito manobra para entrar em plano de demissão voluntária; salário ultrapassa R$ 34,5 mil

Adauto Seixas, presidente da INB: mesmo tendo residência no Rio de Janeiro, executivo teria recebido mais de R$ 46 mil como auxílio-moradia, contrariando as regras da estatal | Foto: Divulgação/INB
Adauto Seixas, presidente da INB: mesmo tendo residência no Rio de Janeiro, executivo teria recebido mais de R$ 46 mil como auxílio-moradia, contrariando as regras da estatal | Foto: Divulgação/INB

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Adauto Seixas, aderiu ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) da estatal no fim de 2023, embora estivesse impedido de fazê-lo pelas regras internas. Mesmo assim, ele permaneceu no comando da empresa, contrariando o próprio regimento da instituição, que proíbe esse acúmulo de situações.

Conforme reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Seixas, que é servidor público da INB, assumiu a presidência da estatal em 2023 com o apoio político do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A empresa, que opera em Caldas (MG), Rio de Janeiro (RJ), Resende (RJ) e Caetité (BA), produz combustível nuclear para as usinas de Angra dos Reis (RJ).

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Estatal proíbe PDV para cargos comissionados

A INB lançou o PDV para seus funcionários em 2023, oferecendo uma alternativa de saída voluntária. No entanto, o próprio regulamento do plano proíbe a adesão de quem ocupa cargos comissionados ou estatutários, como é o caso do presidente da estatal.

Outra exigência do programa determina que o servidor esteja com a matrícula ativa no sistema de recursos humanos da INB. Quem assume cargos de confiança tem a matrícula automaticamente suspensa, o que, por norma, impede a adesão ao PDV.

Apesar das restrições, Seixas conseguiu incluir seu nome no PDV. Dados obtidos pela Folha de S.Paulo revelam que a INB reativou temporariamente sua matrícula em 2023, permitindo sua inscrição no plano, mesmo com ele ainda ocupando o cargo de presidente da estatal.

Atualmente, Seixas recebe salário líquido mensal superior a R$ 34.500. A manobra administrativa que o beneficiou levantou questionamentos sobre o uso de brechas regulatórias dentro da empresa estatal.

Auxílio-moradia pago indevidamente

Além do episódio do PDV, Seixas também recebeu R$ 43.086,96 em fevereiro deste ano, a título de pagamento retroativo de auxílio-moradia. O valor corresponde a um período em que ele se mudou de Poços de Caldas (MG) para o Rio de Janeiro, onde a INB mantém escritório.

No entanto, ele possui um imóvel próprio no Rio, localizado no bairro de Copacabana. A posse desse imóvel torna o pagamento indevido, segundo regras da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest).

Norma federal proíbe benefício a quem tem imóvel

A Sest, órgão do Ministério da Gestão e da Inovação, determina que o funcionário não pode receber auxílio-moradia se for proprietário de imóvel na mesma região metropolitana onde exerce o cargo. A única exceção é quando nem o servidor, nem seu cônjuge ou companheiro, têm propriedade residencial no local.

O pagamento do benefício a Seixas, portanto, viola essa norma federal. A situação amplia as suspeitas sobre a gestão de benefícios dentro da INB e a atuação do presidente da empresa. A Controladoria-Geral da União acompanha o caso. 

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2 comentários
  1. Christian
    Christian

    A famosa lei de Gerson : Quer levar vantagem em tudo.
    Bem a cara do Pacheco …

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