publicidade
Política

Ian Maldonado: ‘No geral, o cinema brasileiro é uma porcaria’

Diretor do documentário Lockdown — Uma História de Desinformação e Poder afirma que a militância de esquerda está incrustada nas produções nacionais

Ian Maldonado
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

O cineasta Ian Maldonado, 28 anos, é diretor do documentário Lockdown — Uma História de Desinformação e Poder. A obra, disponível na plataforma de streaming Aurora Prime, investiga o surgimento do coronavírus e denuncia as tentativas de controle social orquestradas pelas entidades internacionais, por tecnocratas de gabinete e pelos representantes da velha imprensa.

O cineasta não imaginava, entretanto, que o próprio documentário se tornasse alvo dos censores. Mais precisamente, do YouTube. Antes mesmo de o filme ser lançado, em setembro de 2020, a plataforma derrubou seu link de acesso e acusou o diretor de “disseminar informações médicas incorretas”. No entanto, a produção baseou-se apenas em documentos oficiais e publicações científicas.

Receba nossas atualizações

Em entrevista a Oeste, Maldonado explicou os objetivos de Lockdown — Uma História de Desinformação e Poder, criticou a postura do YouTube e analisou a atual situação do cinema brasileiro. A seguir, os principais trechos.

— Por que o senhor fez Lockdown — Uma História de Desinformação e Poder?

Muitas vezes o documentário, como escreveu certa vez o diretor uruguaio Patrício Guzmán, se resume a “filmar o incêndio antes que se enxerguem as chamas”. Foi isso que aconteceu: estive tão envolvido no tema que, antes mesmo do anúncio oficial da pandemia por parte da Organização Mundial da Saúde [OMS], em 11 de março de 2020, já pensava no que estaria se aproximando e comecei a rodar. Acabou que tudo foi muito pior do que eu mesmo imaginava, mas fiquei satisfeito por ter registrado. A população mundial já permitiu uma acumulação de poder inimaginável nas mãos de certos grupos. Deixar que dominem a História seria nosso fim — ainda que não exerçamos um milésimo da influência dessas pessoas.

https://youtu.be/HDc1wf18gsQ

— Antes mesmo de ser lançado, o documentário foi censurado pelo YouTube. Por qual motivo isso ocorreu?

Na verdade, fiz o upload do filme apenas como “não listado” — isto é: apenas pessoas com o link poderiam acessar. O objetivo era mostrar e validar as informações com os entrevistados — tanto os brasileiros como os estrangeiros. Ocorre que, em algumas horas, o link caiu e ainda recebi uma notificação do YouTube. Imaginei que isso pudesse ter acontecido em virtude de reclamações de direitos autorais, por conter algumas imagens de reportagens. Mas, para a minha surpresa, a notificação foi por “disseminar informações médicas incorretas”, sendo que mais da metade dos entrevistados são justamente médicos. Além deles, há uma virologista pesquisadora que trabalhou na Universidade de Hong Kong e no principal laboratório de referência da OMS para estudos em coronavírus. Ela lidou diretamente com Malik Peris e Leo Poon, conselheiros da OMS para doenças emergentes. Ainda que fossem todos apenas domadores de leões, que perigo isso poderia representar? Deveriam ao menos ter sido mais sinceros, dizendo: “É proibido questionar”.

https://youtu.be/bW1_y-dkeBk

— De que forma o senhor vê a atuação do governo diante da pandemia?

Depende. As escolhas dos ministros da Saúde foram péssimas — sobretudo as do primeiro deles [Luiz Henrique Mandetta]. A lei 13.979/2020 embasou quase todas as ações totalitárias durante a pandemia, mas o governo distribuiu dinheiro para quem pôde, disponibilizou vacinas para quem as quisesse e mobilizou as Forças Armadas. Mas é difícil avaliar isso isoladamente, até porque a condução da pandemia se diluiu entre Estados e municípios (após decisões absurdas de alguns juízes da Suprema Corte). O presidente fez quase tudo o que estava ao seu alcance para buscar alternativas e divulgar possíveis tratamentos e novas abordagens. Ele se posicionou contra o lockdown desde o início e avisou que a medida traria problemas econômicos e psicológicos para o país e a população — e foi justamente o que aconteceu. Bem ou mal, foi a única liderança mundial que teve coragem de peitar o cânone das organizações transnacionais e sua imprensa oficial, além de ter criado o auxílio emergencial e garantido a sobrevivência de muita gente, graças às habilidades de seu ministro da economia [Paulo Guedes].

https://youtu.be/Yde_nejanxQ

— Como o senhor avalia o cinema brasileiro?

Há muita coisa boa, mas, no geral, é uma porcaria. E não falo só da militância de esquerda, que está incrustada em quase tudo. Há muita gente por aí fazendo amontoados de entrevistas, sem respeitar pausas, condenando até mesmo a profundidade necessária para determinados temas, e chamando isso de documentário. Isso pode ser tudo, menos cinema. Pode até haver boa vontade, o que não duvido, mas o principal objetivo nesse caso é ganhar dinheiro — e só. Veja, há muitas coisas legais, como mencionei, e que não possuem o devido valor: os filmes de Amácio Mazzaropi e de Zé do Caixão, por exemplo. Há também Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor — que é a única boa adaptação de Nelson Rodrigues para o cinema, a propósito —, Um Cabra Marcado para Morrer e Edifício Master, de Eduardo Coutinho — o primeiro é sobre o assassinato de um membro da liga camponesa de Sapé e traz uma visão bem mais à esquerda, mas não preciso concordar com o filme para que ele seja bom. Cidade de Deus, o primeiro Tropa de Elite, O Auto da Compadecida — que, apesar de estar ainda abaixo da peça de Ariano Suassuna, naturalmente, cumpre o papel de resgatar as origens da nossa tradição barroca — e muitos outros. Hoje, há coisas boas surgindo. Os dois documentários de Josias Teófilo, O Jardim das Aflições e Nem Tudo se Desfaz, são excelentes.

— E sobre Hollywood, qual é sua avaliação?

Hoje, Hollywood se dedica a criar espetáculos, não filmes. Atualmente, quando um filme não é mero show de luzes e cores, é porque foi criado apenas para dar eco à agenda política oficial do mundo. Ainda existem filmes excelentes sendo feitos, é claro, mas estão cada vez mais raros — talvez porque precisem devotar cada vez mais tempo à resolução de problemas internos, que envolvem perversão sexual.

Leia também: “Na cultura, conservadorismo não tem espaço”, entrevista com Josias Teófilo publicada na Edição 55 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

14 comentários
  1. Almanakut Brasil
    Almanakut Brasil

    O QUE MAIS TEM É PAPEL DE PUTA, CRIMINOSO, CELEBRIDADE MARGINAL E POBRE MALANDRO.

  2. Alice Gouvêa Alves da Silva
    Alice Gouvêa Alves da Silva

    Não sabia que existia um cineasta sensato. Parabéns e muito louvável irei procurar e compartilhar até o dedo adormecer

  3. cido
    cido

    unicos filmes que prestavam eram só as pornochanchadas , tambem eram ruim , mas engracados

  4. Dias
    Dias

    O cinema nacional produz mais de 450 “filmes” por no. A cada dez anos aparece um que mereça a atenção do público. Que indústria mais produtiva!!!

  5. Lara Alvarenga Sipavicius
    Lara Alvarenga Sipavicius

    O Bolsonaro não foi o unico. A Suécia conseguiu efetivamente não fazer lockdown (e realmente com resultados ótimos) e tenho a impressão de que também foi assim com a Coreia do Sul e cok certeza na autonomia de Madrid na Espanha com a Ayuso .

  6. Márcia Paula
    Márcia Paula

    Prezados,
    Sempre pensei que minha opinião sobre o cinema brasileiro era preconceituosa. Concordo plenamente com esse diretor sobre a qualidade dos bons filmes que ele citou. E acredito que o cinema brasileiro – atualmente – é uma porcaria.

  7. Bolso Mito
    Bolso Mito

    Que homem lúcido, espero que apareçam mais pessoas como ele no cinema nacional e internacional.

    Talvez seja a hora de se criar filmes de cinema junto com a plataforma do Brasil Paralelo, que já tem maior fama e difusão.

  8. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    1- Excessivamente PORNOGRAFICO; desnecessariamente LIBIDINOSO…mal gosto na sua essência.
    2- SEM história, assunto ou mensagem que valha a pena querer ENTENDER… são estorinhas sonsas de guetinhos… guetinhos esses… que na sua essência são vagabundos chorões e cheios de mimimis…ávidos em culpar o sistema, a classe média ou seja lá quem for que obteve sucesso na vida.
    3- NÃO TEMOS ESCRITORES que saibam captar e escrever temas sociais realmente relevantes (e não de guetinhos vagais) NOSSOS ESCRITORES NÃO PENSAM FORA DA CAIXINHA…querem aparentar inteligência e sofisticação/erudição IMITANDO Alemães e Franceses nas suas escritas…O RESULTADO É UM LIXO PIEGAS…CAFONA!
    Quando conseguirem inventar crônicas/contos, fantasias, ficção como o Nosso Monteiro Lobato …UM GÊNIO ..nossa cultura muda da água para o vinho…

    POR ENQUANTO É SÓ BATESSÃO DE TAMBOR E DANÇA CANDOMBLÉ.
    LIXO CULTURAL…seu nome é “abraçar guetinhos WOKE”.

  9. Paulo Renato Versiani Velloso
    Paulo Renato Versiani Velloso

    Essa pandemia foi considerada como tal, a partir de março/20 e um picareta que até aparece na filmagem previu 1 milhão de mortos até agosto/20, em cinco meses apenas, o sujeito é tão desimportante que, apesar da grande exposição de seu nome, já não me lembro mais dele. Nesse caso se aplica a frase,”A internet deu voz aos imbecís”, não só a esse iombecil como a milhares de prefeitinhos aprendizes de ditadores espalhados pelo interior afora, todos eles incentivados por um tribunal de irresponsáveis. As consequências se farão sentir em muitos anos ainda. A América e a Europa que o digam.

    1. Luiz Barros
      Luiz Barros

      Esse idiota era o atila kikomarinho, tido como sumidade pela grobolixo.

  10. Júlio Rodrigues Neto
    Júlio Rodrigues Neto

    O cinema nacional, com raríssimas exceções, é Péssimo.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade