O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados em janeiro por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Apesar disso, a investigação contra ele na Polícia Federal (PF) ainda não avançou.
A apuração está travada porque os investigadores não concluíram a análise do material obtido com as quebras de sigilo. A avaliação preliminar de fontes próximas ao caso, ouvidas pela coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, é de que, até o momento, não há elementos robustos que justifiquem medidas mais duras, como eventual prisão.
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Os desdobramentos do esquema bilionário de fraudes em aposentadorias do INSS passaram a preocupar o Palácio do Planalto. A avaliação no governo é de que o caso pode afetar o ambiente político de uma eleição que tende a ser novamente acirrada, com impacto potencial na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Integrantes do governo estariam atuando nos bastidores para tentar o arquivamento da investigação envolvendo Lulinha, em meio à crise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — que teve como episódio recente a demissão do então presidente Gilberto Waller.
A empresária Roberta Luchsinger é considerada peça-chave no caso. Alvo de busca e apreensão e também com sigilos quebrados por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, ela é apontada como possível intermediária entre Lulinha e Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de liderar o esquema.
Roberta, que disputou vaga de deputada estadual pelo PT em 2018 sem sucesso, declarou à época patrimônio de R$ 1,5 milhão. A PF investiga se ela atuou como elo entre o filho do presidente e Antunes.

No inquérito, investigadores mencionaram que Lulinha “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do Careca do INSS. Os dois viajaram juntos a Portugal em novembro de 2024. A defesa sustenta que a viagem ocorreu a pedido de Antunes, para visita a uma fábrica de cannabis medicinal.
A PF identificou cinco transferências de Antunes para Roberta, de R$ 300 mil cada, somando R$ 1,5 milhão entre novembro de 2024 e março de 2025. Preso preventivamente desde setembro, Antunes é apontado como um dos principais beneficiários do esquema.
Em depoimento, o ex-funcionário Edson Claro afirmou que o investigado pagava cerca de R$ 300 mil mensais ao filho do presidente. O conteúdo foi compartilhado com a CPI do INSS, já encerrada.

PGR foi contra quebra de sigilos de Lulinha
A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra a quebra de sigilos de Lulinha por entender que não havia elementos suficientes para justificativa. André Mendonça, entretanto, autorizou a medida.
O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar, pediu o indiciamento de Lulinha por tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva, com base nos depoimentos. O relatório, porém, foi rejeitado mediante articulação do governo, que também evitou a convocação do empresário.
Na defesa, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que não há nenhuma irregularidade. “Diante da ausência de ilegalidades, o caminho natural é o arquivamento”, disse ao O Globo. Segundo ele, em condições normais, o caso já teria sido encerrado.






































Tal pai, tal filho,