O governo federal mobiliza seus principais ministérios na manhã desta quarta-feira, 18, para tentar evitar um colapso logístico no país. O ministro dos Transportes, Renan Filho, e o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentam em Brasília um pacote de rigor na fiscalização do piso mínimo do frete. A iniciativa atende a uma exigência direta das lideranças dos transportadores autônomos, que ameaçam interromper as atividades logo que o aumento dos combustíveis inviabilizou o trabalho nas rodovias.
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A estratégia do Palácio do Planalto visa a impedir que o movimento ganhe proporções similares ao locaute de 2018. Para a CNN, um líder dos caminhoneiros, Wallace Landim, o “Chorão”, adverte que a categoria paralisará os eixos de escoamento automaticamente se não houver um sinal claro do Executivo até o encerramento da semana. Para conter a crise, o Ministério da Fazenda deslocou o foco do embate para o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em que pressiona os Estados pela redução temporária do ICMS sobre o diesel.
A resistência regional, contudo, permanece alta. O comitê que reúne os secretários estaduais de Fazenda já manifestou oposição ao corte no tributo, alegando prejuízo na arrecadação. O impasse ganha contornos eleitorais, uma vez que muitos governadores de oposição disputarão a reeleição e rejeitam subsidiar a popularidade de Lula com recursos dos Tesouros estaduais. Como contra-ataque, o governo federal utiliza a Polícia Federal para investigar supostos crimes contra a ordem financeira e ressalta que já eliminou os impostos federais PIS e Cofins.
O núcleo político do governo, sob a coordenação da Casa Civil e do marqueteiro Sidônio Palmeira, monitora o risco de desabastecimento com receio do impacto nas urnas. A força-tarefa ministerial tenta convencer a opinião pública de que o cumprimento da tabela de frete, estabelecida por lei há oito anos, depende agora de uma vigilância punitiva contra empresas que ignoram os custos de transporte. Se a sinalização desta manhã fracassar, o país corre o risco de reviver o cenário de prateleiras vazias e bloqueios em pontos estratégicos da malha rodoviária.
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