publicidade
Política

Governo fala em abertura de mercado, mas mantém monopólio no setor rodoviário

Grandes grupos continuam no controle de parte das principais rotas de ônibus interestaduais

Ônibus em plataforma de rodoviária para viagens intermunicipais | Foto: Agência Gov | Via ANTT
Ônibus em plataforma de rodoviária para viagens intermunicipais | Foto: Agência Gov | Via ANTT

O governo federal, por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), lançou recentemente uma medida para ampliar a competição no transporte rodoviário de passageiros. A ideia era permitir que novas empresas de ônibus disputassem espaço em rotas interestaduais. Porém, o plano deixou de fora cerca de 220 trajetos sob controle, direto ou indireto, dos mesmos grupos empresariais. O resultado é a manutenção de um monopólio parcial que, segundo especialistas, limita a concorrência no setor.

Conforme levantamento decorrente de dados públicos, o processo de suposta renovação não alterou a concessão de linhas já pertencentes a companhias que compartilham sócios ou administradores. Na prática, essas conexões permitem que um mesmo grupo controle trechos estratégicos. Seria, assim, uma forma de driblar a tese de abertura do mercado por parte da agência governamental.

Receba nossas atualizações

Governo promete previsibilidade e estabilidade

A agência afirmou, em nota, que o novo marco regulatório, que teve início em 2024, prevê uma abertura gradual e busca garantir previsibilidade e estabilidade. Destacou da mesma forma que o processo respeita a legislação e evita disputas judiciais. No entanto, críticos dizem que a “janela extraordinária” lançada neste ano acabou beneficiando conglomerados tradicionais e restringindo a participação de novos operadores.

Entre os grupos mais presentes nas rotas mantidas estão, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Eucatur, Gontijo, Guanabara, Progresso/Cruzeiro e o Grupo Brasileiro. Juntas, essas empresas concentram mais de 200 linhas. Em trechos como Rio de Janeiro–Santos ou Piracicaba–Rio de Janeiro, transportadoras com nomes diferentes pertencem ao mesmo conglomerado, o que reduz a competição e mantém tarifas elevadas.

Leia também: “É recebendo que se dá”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 294 da Revista Oeste

Especialistas em transporte afirmam que o monopólio indireto distorce o objetivo do marco regulatório e cria barreiras à entrada de concorrentes. O Ministério Público Federal emitiu alerta em 2024. Disse na época que as novas regras poderiam favorecer as empresas de maior porte. O órgão considerou que o modelo atual perpetua a concentração de mercado. Do mesmo modo, posterga uma real democratização do transporte rodoviário de longa distância.

+ Leia mais notícias de Política na Oeste

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. IVAN SEVERO DA SILVA
    IVAN SEVERO DA SILVA

    🇳🇮🇺🇲🇺🇲🇺🇲🇮🇱🇮🇱🇺🇾🇦🇷🇬🇧🇧🇷🇧🇷

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.