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Política

Governador de SC brinca sobre separatismo e responde a críticas

Jorginho Mello criticou a concentração de recursos em Brasília

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, durante um evento | Foto: Jonatã Rocha/Secom
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, durante um evento | Foto: Jonatã Rocha/Secom

Durante participação em um evento da indústria da construção civil em Curitiba, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), fez declarações em tom de brincadeira sobre a possibilidade de separação da Região Sul do restante do país.

A fala ocorreu na quinta-feira, 12, durante o Construa Sul, que contou também com a presença dos governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ambos filiados ao PSD.

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Ao comentar a relação entre os três Estados e as possibilidades eleitorais futuras, Mello afirmou: “Se o negócio não funcionar muito bem lá para cima, passamos uma trena para o lado de cá e fazemos ‘o Sul é nosso país’, né?”, declarou.

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A frase remete ao movimento separatista O Sul É o Meu País, que defende a criação de uma nação independente formada pelos Estados do Sul. “Vamos fazer o país do Sul aqui”, disse o governador catarinense. “Daqui a pouco, chegamos lá.”

No mesmo evento, Mello comentou o erro de medição que levou o Paraná a reconhecer como pertencente a Santa Catarina uma área equivalente a 500 campos de futebol. “As divisas estavam meio erradas, aí passamos a régua, ele foi generoso e deixou nós [sic] pegarmos”, afirmou.

A repercussão das falas levou o governador de Santa Catarina a gravar um vídeo no qual esclareceu o contexto de suas declarações. “Fui brincar de colocar uma trena para tornar o Sul um país, e a polêmica se instalou”, disse. Mello destacou que a crítica não se dirige a outros Estados, mas à política de centralização de recursos em Brasília.

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Segundo ele, Santa Catarina envia muito mais recursos do que recebe da União. “Nosso problema não é com os outros Estados, é com essa política de manutenção da pobreza”, afirmou. “O nosso dinheiro vai para Brasília e volta em migalhas. Aqui em Santa Catarina, volta 10% do que mandamos.”

E acrescentou: “É justo que os mais ricos ajudem os mais pobres”, avaliou. “Somos um país só, um povo só. Mas as regiões que mais precisam, historicamente, seguem abandonadas, com as pessoas passando dificuldade, tanto que migram para cá em busca de uma vida melhor.”

O governador ainda afirmou que sua indignação é com a má distribuição dos recursos federais. “Brasília drena os nossos recursos, não ajuda quem precisa e não nos devolve para que possamos crescer mais.”

O movimento O Sul É o Meu País foi fundado em 1992, com o objetivo de promover o debate sobre a autodeterminação dos Estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Com base na Constituição Federal e em resoluções da ONU, o grupo defende a ideia de que a população sulista possa decidir, por meio de plebiscito, se deseja ou não constituir um novo país.

A pauta do movimento é sustentada por críticas à centralização de recursos em Brasília, pelo argumento de que o Sul contribui mais do que recebe da União e por uma construção simbólica de identidade cultural e histórica própria.

Além da insatisfação tributária e política, o grupo também recorre a elementos históricos, como a Revolução Farroupilha e a República Juliana, para reforçar a ideia de um povo sulista com trajetória autônoma. Essa combinação de fatores é usada para justificar a defesa da separação como um direito legítimo à autodeterminação dos povos.

Leia também: “Nas mãos do Senado”, reportagem de Silvio Navarro publicada na Edição 250 da Revista Oeste

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2 comentários
  1. Fernando Anthero
    Fernando Anthero

    Não é melhor mexermos nas representações (câmara federal e Senado)

  2. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Olha, não seria má idéia separar o centro-oeste, sudeste e sul do Brasil do norte e nordeste, viu.

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