A CPMI do INSS aprovou os convites ao atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e ao ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto. A votação ocorreu na sessão desta quinta-feira, 19.
Além dos convites, a comissão aprovou a autorização de compartilhamento dos dados sigilosos do empresário Fabiano Campos Zettel, citado como operador financeiro ligado ao Banco Master. Ele também é ex-pastor da unidade de Belvedere da Igreja Batista da Lagoinha.
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Os requerimentos foram apresentados pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e miram tanto a atuação das instituições financeiras quanto o papel dos órgãos de regulação diante da explosão dos empréstimos consignados nos últimos anos.
Como a comissão aprovou convites a Galípolo e Campos Neto, eles não são obrigados a comparecer.
Argumentos da CPMI do INSS
Segundo o requerimento, a decisão de convidar Galípolo ocorre em um cenário que já apresenta indícios robustos de irregularidades no sistema de crédito consignado. Viana revelou que “mais de 250 mil contratos apresentam indícios de irregularidade ou fraude, somando cerca de R$ 2 bilhões em crédito”, mesmo depois de alertas de órgãos de controle.
Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) levaram o INSS a suspender operações de diferentes instituições financeiras por práticas consideradas abusivas. Diante disso, Viana sustentou que a presença de Galípolo é necessária “para esclarecimento dos fatos”, especialmente pelo papel do Banco Central na supervisão do sistema.
O convite a Campos Neto tem caráter retrospectivo. A CPMI busca entender como o ambiente regulatório permitiu a expansão das irregularidades em sua gestão. Segundo o requerimento, o volume de consignados chegou a R$ 466 bilhões, acompanhado de um aumento expressivo nas reclamações por descontos indevidos. Auditorias da CGU revelam que cerca de 25% dos contratos firmados em 2024 tinham indícios de fraude.

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Paralelamente, a comissão decidiu avançar sobre o que considera o núcleo financeiro do esquema ao aprovar o compartilhamento de dados sigilosos da CPI do Crime Organizado que envolvem Zettel. O empresário é apontado como possível elo com o Banco Master e “seria uma espécie de operador financeiro” de Daniel Vorcaro.
A expectativa é que o acesso a dados fiscais, bancários e telemáticos permita mapear a movimentação de recursos e esclarecer a dinâmica do esquema. Os números reforçam a dimensão do caso: contratos ligados ao banco saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024 — um crescimento superior a 2.500%.
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