Fundos de previdência de três Estados e de dois municípios são investigados nas fraudes no Banco Master até agora. Os fundos ligados aos Estados do Rio de Janeiro, do Amazonas e do Pará e aos municípios de Cajamar e Santo Antônio da Posse, ambos em São Paulo, já foram alvo de operações da Polícia Federal. Esses fundos aportaram no Master R$ 3,9 bilhões.
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Entre os pontos analisados, a PF busca identificar eventuais pressões políticas, atuação de intermediários ou descumprimento de critérios técnicos nas aprovações dos investimentos. Também apura se ativos vendidos pelo Master apresentavam riscos incompatíveis com o perfil conservador exigido de fundos de previdência de servidores.
Rio de Janeiro
O caso mais recente é do Rio de Janeiro. Nesta etapa mais recente da apuração, são investigadas aplicações que somam R$ 2,01 bilhões, realizadas desde julho de 2024, em fundos vinculados à mesma instituição financeira. Apenas as transferências feitas pelo Rioprevidência teriam alcançado aproximadamente R$ 3 bilhões.
O ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de buscas depois de decisão judicial que apontou sua relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro, ao facilitar o “alinhamento político necessário” para viabilizar os grandes aportes do Rioprevidência no Banco Master. Segundo a Polícia Federal, mensagens encontradas no celular de Vorcaro sugerem que a liberação dos investimentos dependia de tratativas diretas com Castro.
Os investigadores relatam que Castro mantinha não só contatos institucionais, mas também uma “ligação pessoal estreita” com Vorcaro, ex-proprietário do banco. Eles teriam se reunido diversas vezes, inclusive fora do país, em viagens financiadas pelo banqueiro, que ocorreram simultaneamente aos investimentos bilionários do Rioprevidência no Master.
Amazonas

No Amazonas, a Polícia Federal examina possíveis irregularidades em aplicações de R$ 390 milhões feitas pela Amazonprev, responsável pela previdência dos servidores públicos civis estaduais.
Em março, agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão, ao investigar a aplicação de recursos em letras financeiras de bancos privados, supostamente em desacordo com normas federais e diretrizes de governança. Também foram identificadas movimentações financeiras atípicas e indícios de falhas em procedimentos internos.
Amapá
Em fevereiro, outra operação mirou a Amapá Previdência (Amprev), depois de suspeitas que envolve investimentos de cerca de R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master. Segundo a PF, Jocildo Silva Lemos, diretor-presidente do instituto e coordenador do Comitê de Investimentos, teve papel decisivo nessas operações.
Lemos foi indicado ao cargo por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. Na ocasião da ação policial, Alcolumbre declarou que “tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal”, afirmou.
Cajamar e Santo Antônio da Posse, em São Paulo
No começo de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Off-Balance, para apurar suspeitas de irregularidades em aplicações do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, na Grande São Paulo. Estão sob análise aportes de R$ 107 milhões em letras financeiras do Banco Master e do Banco Daycoval.
Cajamar começou os investimentos ainda em 2023, antes de o banco cumprir todos os requisitos legais para receber recursos do regime próprio de previdência.

O instituto deliberou, em outubro de 2023, a compra de até R$ 35 milhões em letras financeiras do Master e, em dezembro, aprovou novo aporte de até R$ 25 milhões, com remanejamento de recursos antes mantidos em fundos da Caixa Econômica Federal. Em março de 2024, um novo investimento de R$ 27 milhões foi realizado.
Outros municípios, como Santo Antônio da Posse, na região de Campinas, também investiram: a cidade destinou R$ 13 milhões ao banco, e a PF investiga suspeita de gestão inadequada dos recursos.





































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