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Política

Flávio Dino barra adversário no Maranhão e movimenta aliados de Sarney

Decisão do STF gera reação entre antigos companheiros e nomes ligados ao comando partidário local

A decisão de Flávio Dino representa desafios ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrenta resistência no Congresso em virtude das restrições nas emendas | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
O gabinete de Dino afirma que não há impedimento legal e que os critérios aplicados seguem fundamentos técnicos | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A presença de Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF) não o afastou das articulações políticas no Maranhão. Mesmo no posto de ministro da mais alta Corte do país, Dino ainda exerce influência em seu reduto eleitoral.

Decisões recentes do magistrado reacenderam a briga pelo controle do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e provocaram reações de adversários e antigos aliados. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou as informações nesta segunda-feira, 18.

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No epicentro do embate está a nomeação de um conselheiro do TCE. Carlos Brandão (PSB), atual governador e ex-vice de Dino, tentou emplacar seu advogado pessoal, Flávio Costa, para a vaga.

Porém, o grupo de Dino — que foi governador do Maranhão de 2015 a 2022 pelo PCdoB e pelo PSB — preferia o deputado Carlos Lula (PSB). O impasse revelou não apenas o racha político entre os ex-companheiros de chapa, mas também uma rede de conexões que inclui familiares, aliados e até rivais históricos, como os Sarneys.

TCE vira campo de batalha entre grupos políticos

O partido Solidariedade apresentou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a nomeação de Costa. À época, Flávia Alves, irmã do deputado Othelino Neto (ex-PCdoB, atualmente no Solidariedade) — aliado de Dino — controlava a sigla no Maranhão.

A relatoria caiu por sorteio nas mãos do próprio Flávio Dino, recém-empossado no STF. O ministro concedeu liminar que suspendeu a escolha de Costa, sob argumento de irregularidade no processo de votação secreta.

No mês seguinte, Dino acolheu nova ação, desta vez movida pela Procuradoria-Geral da República. Ambas as iniciativas continuam sob sua análise.

Apesar das alegações de parcialidade levantadas por adversários, o gabinete do ministro afirma que não há impedimento legal e que os critérios aplicados seguem fundamentos técnicos.

Como resultado, a decisão desencadeou um efeito dominó. A Assembleia Legislativa alterou seu regimento e comunicou ao STF que o bloqueio da indicação prolonga uma situação anômala no funcionamento do TCE. O Solidariedade, que havia iniciado o processo, mudou de posição depois de passar ao controle do deputado federal Marreca Filho — ligado ao grupo de Brandão — e retirou o apoio à ação.

PF entra no caso por decisão de Dino

Em julho, Dino determinou à Polícia Federal que investigasse um possível esquema de compra de cadeiras no TCE. A denúncia apresentada aponta para o uso de holdings pela família Brandão, que controlaria a empresa Coagri, produtora de grãos no interior do Estado. O documento sugere a ocultação de patrimônio e possível lavagem de dinheiro com recursos públicos. O governador nega as acusações.

Segundo levantamento revelado pelo Estadão, o governo maranhense destinou R$ 280 milhões à construção de uma estrada em área próxima aos lotes da Coagri, depois da expansão das terras da família Brandão no município de Mirador.

A interferência de Dino também atingiu o Legislativo estadual. A eleição da presidência da Assembleia, que terminou empatada entre Iracema Vale (PSB) e Othelino Neto, foi decidida por critério de idade.

A vitória da deputada, apoiada por Brandão, está sendo contestada no STF. A relatoria é da ministra Cármen Lúcia, e Dino acompanhou o voto dela, contrariamente ao interesse de seu aliado. No entanto, as conexões políticas do ministro continuam em pauta. Márcio Jerry, deputado federal e presidente estadual do PCdoB, ingressou como parte interessada no processo.

Ele foi secretário de Dino no governo estadual, e sua mulher chefiou o gabinete do então governador. A própria mulher de Dino, Daniela Lima, atualmente trabalha no gabinete de Jerry.

Do outro lado da disputa, Sarney Filho (PV), filho do ex-presidente José Sarney, saiu em defesa de Brandão. Em manifestação ao STF, declarou que o processo de escolha no TCE foi transparente e necessário para restaurar a plena funcionalidade do tribunal.

Imparcialidade no centro do debate

O gabinete de Dino rebateu as críticas. Em nota, afirmou que nenhum dos envolvidos solicitou seu afastamento dos processos e que ministros do STF julgam causas de seus Estados de origem rotineiramente.

Também argumentou que a mulher do ministro atua profissionalmente desde antes de sua nomeação à Corte.

+ Leia também: “STF marca julgamento de Bolsonaro, mas mantém processo de PMs do DF parado”

A senadora Ana Paula Lobato, mulher de Othelino e presidente do PSB no Maranhão, declarou que a mudança no comando do partido visa a resgatar pautas sociais e reforçar o papel da legenda no Estado.

Carlos Lula, por sua vez, afirma que a mudança no comando do Solidariedade não altera a legitimidade da ADI. Para ele, o governador Brandão tem recebido conselhos jurídicos “desastrosos”.

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3 comentários
  1. Domingos Henrique Fazan Caramano
    Domingos Henrique Fazan Caramano

    Impeachment já!!!
    Ministro do STF não pode fazer “articulação política”!
    Brasil virou terra de ninguém!!!!

  2. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    A boca é mais que boa.O.povo que se exploda pra pagar os marajás do nordeste.

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