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Política

EUA estudam restringir vistos da delegação do Brasil durante Assembleia da ONU

Caso Washington aplique as medidas, os diplomatas brasileiros receberiam o mesmo tratamento que as comitivas de Irã, Sudão e Zimbábue

Salão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)
Salão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo dos Estados Unidos estuda limitar os deslocamentos das delegações do Brasil, do Irã, do Sudão e de Zimbábue durante a Assembleia-Geral da ONU, que começa em 22 de setembro em Nova York. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 4, a partir de um memorando interno do Departamento de Estado dos EUA.

As possíveis medidas restritivas de visto podem limitar atividades dos representantes desses países fora da área da assembleia, de modo a fiscalizar suas movimentações. A delegação brasileira, que tradicionalmente faz o primeiro discurso do evento, também está incluída na análise.

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Segundo a Associated Press (AP), “não estava claro se quaisquer restrições de visto potenciais afetariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou membros de nível inferior da delegação do país”.

Lula tem sido criticado diretamente pelo presidente Donald Trump, que se opõe ao processo judicial no Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado. A possível inclusão do Brasil nessas restrições evidencia o aumento das tensões políticas entre os dois governos.

No caso do Irã, as limitações já existentes podem ser ampliadas, inclusive para impedir diplomatas iranianos de frequentar lojas, como Costco e Sam’s Club, sem autorização do Departamento de Estado. A AP relatou que esses estabelecimentos eram usados para adquirir produtos em grande volume e enviá-los a Teerã, para driblar a escassez no país.

Enquanto essas nações enfrentam possíveis sanções, a Síria ficou isenta. Sua delegação foi liberada das restrições de circulação depois de mais de dez anos, em decisão alinhada à política do governo Trump de fortalecer laços depois da queda do ditador Bashar al-Assad, em 2024.

O Departamento de Estado dos EUA também negou vistos ao líder palestino Mahmoud Abbas e à delegação da Palestina para o encontro da ONU. Procurados pela AP, representantes do Departamento de Estado, do Irã e do Brasil não se manifestaram sobre o tema.

Mahmoud Abba
Mahmoud Abbas, presidente Autoridade Nacional Palestiniana | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Ministro de Lula está sem visto para ir à Assembleia da ONU

O tema das restrições é mais um capítulo na crise da relação entre Brasil e EUA. Em julho, a Casa Branca anulou os vistos de oito ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet. Moraes também recebeu sanção pela Lei Magnitsky.

Em 15 de agosto, o consulado norte-americano em São Paulo informou à mulher e à filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sobre a revogação de seus vistos. Padilha afirmou que não foi afetado, pois o seu já estava vencido desde 2024. Entretanto, ele já não sabe se vai à Assembleia da ONU.

Os EUA também cancelaram os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, ligados ao programa Mais Médicos no governo Dilma Rousseff. O Departamento de Estado alegou que a medida buscou responsabilizar envolvidos no “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”.

Na semana seguinte, surgiram relatos de revogação dos vistos do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e de seus familiares.

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