O Brasil tem testemunhado uma erosão gradual das proteções democráticas. São processos que envolvem a neutralização da oposição, a centralização do poder (que será estabelecida definitivamente com a reforma tributária), um controle ainda “discreto” da mídia e a fragilidade institucional.
Soma-se a isso um sistema de segurança pública fraco, incapaz de combater a corrupção, as inúmeras mortes e assassinatos e o comando do narcotráfico em morros, favelas e grandes extensões do território nacional. Cria-se um solo fértil para o surgimento de movimentos paralelos e tiranos.
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Vale ressaltar que a transição para o autoritarismo raramente é abrupta. Geralmente, é um processo lento de erosão.
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O Brasil já tem sido apontado em certos contextos como um narcoestado. E não é impossível que, em setores-chave da administração, o país viva um cenário de coação semelhante àquele retratado na série colombiana Pablo Escobar, El Patrón del Mal (Netflix).
Pablo Escobar e a erosão democrática
Em um trecho marcante (capítulo 16), Pablo Escobar notifica o Coronel Pedregal, comandante das forças policiais, com um ultimato claro: “Ou recebe US$ 100 mil mensais para oferecer a proteção necessária ao Cartel de Medellín, de modo que não tenham problemas com a lei, ou eu mato o senhor, seu pai, sua mãe, seus tios, sua esposa Maria, seus filhos Santiago e Pilar e até sua avó. Se sua avó já morreu, eu a desenterro e a mato de novo”. Ao ser questionado se era uma ameaça, Escobar responde que é uma “notificação oficial”.
Essa ficção levanta um questionamento crítico: se a política é dominada e o Estado é fragilizado, setores da administração pública podem estar vivendo uma coação semelhante, onde a escolha não é entre o certo e o errado, mas sim entre a submissão e a destruição. A política, mais do que nunca, exige a eterna vigilância.
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Aí está o diagnóstico. Onde está a cura?