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Política

Entidades pedem que Pacheco devolva medida que revoga desoneração

Setores afetados por decisão do governo Lula consideram MP inconstitucional

pacheco desoneração
Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, disse que analisará a medida provisória sobre desoneração com líderes partidários | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Representantes dos setores afetados pela revogação da política de desoneração da folha de pagamentos pediram ao presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que devolva a medida provisória sem levar o texto à apreciação dos parlamentares.

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No ofício, as entidades juntaram um parecer elaborado pelo escritório Sacha Calmon Misabel Derzi Advogados que lista ilegalidades e inconstitucionalidades da MP, informou O Estado de S. Paulo, que teve acesso ao ofício das entidades.

A medida provisória foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na quinta-feira 28, mesmo dia em que Pacheco promulgou a prorrogação da desoneração por mais quatro anos, depois de o Congresso ter derrubado vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Desde então, as críticas ao governo não pararam. Elas vêm de parlamentares, que dizem que o ministro atropelou o Congresso; de entidades e especialistas em tributação; e dos setores afetados, que inclui empresas de 17 setores, como informática, comunicação, produção têxtil e de calçados.

A desoneração da folha foi adotada em 2011 e vem sendo periodicamente renovada. A política substitui a contribuição previdenciária patronal de 20%, incidente sobre os salários, por alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.

As críticas à medida que revoga a desoneração

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Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou fim da desoneração na quinta-feira, 28 de dezembro, em entrevista coletiva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No documento a Pacheco, as associações empresariais alegam que a medida provisória está sendo usada como “uma forma de segundo veto não previsto na Constituição Federal”. A MP é, portanto, na visão das entidades empresariais, uma tentativa de “derrubar a derrubada do veto”.

+ Mais de 30 entidades se unem para criticar medidas de Haddad: ‘Equívoco’

“Caso o Congresso Nacional acate tal situação, isso poderia resultar em ampla insegurança jurídica, pelo uso de MPs em diversas outras situações nos mais diversos temas, esvaziando a competência do Poder Legislativo”, afirmam as entidades no ofício a Pacheco.

STF já julgou caso semelhante e decretou inconstitucionalidade de MP

O parecer jurídico anexado ao ofício lembra que o Supremo Tribunal Federal já julgou caso semelhante em que o governo de Jair Bolsonaro tentou revogar, por medida provisória, as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo. A Corte vetou aquela MP.

O entendimento é de que o envio de MP ou de novo projeto de lei no mesmo ano em que um tema já tenha sido objeto de votação e aprovação no Congresso se configura como afronta ao princípio de separação dos poderes.

+ Movimento Desonera Brasil critica volta de tributos anunciada pelo governo Lula

Na ocasião, o STF decidiu que “medida provisória não é desvio para se contornar a competência do Congresso Nacional”, sendo “inconstitucional a utilização deste instrumento excepcional para sobrepor-se o voluntarismo presidencial à vontade legítima das Casas Legislativas”.

Além disso, conforme o parecer, também não há comprovação da urgência da edição da medida provisória.

Pacheco, na única manifestação pública sobre a MP que revoga a desoneração, disse que iria deliberar com os líderes do Congresso se devolveria ou não a medida. O presidente do Senado está sendo pressionado também por outros parlamentares, que veem excesso do Executivo na edição de uma MP para tratar de assunto já deliberado pelo Congresso.

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1 comentário
  1. Christian
    Christian

    Pacheco sendo Pacheco.
    Pura PROCRASTINAÇÃO.
    É só para deixar metade do empresariado em polvorosa na passagem do Ano Novo.

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