publicidade
Política

Do palanque ao prejuízo

Verborragia de Lula pôs o Brasil em conflito com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do evento Transformação Digital: um governo para cada pessoa, no Palácio do Planalto, em Brasília, DF (23/7/2025) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do evento Transformação Digital: um governo para cada pessoa, no Palácio do Planalto, em Brasília, DF - 23/7/2025 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A relação entre Brasil e Estados Unidos atravessa sua pior crise em décadas, resultado direto da política de confronto adotada por Lula contra Donald Trump. Desde a eleição norte-americana de 2024, Lula transformou fóruns internacionais em palanques de hostilidade, rompendo padrões diplomáticos. Chamou Trump de “criminoso que deveria estar na cadeia” (ONU, setembro/2024), “monstro que ameaça a humanidade” (Planalto, novembro/2024) e “símbolo do fascismo moderno” (Deutsche Welle Brasil, março/2025). O ponto crítico, porém, foi sua ofensiva contra o dólar, propondo, nos Brics, criar uma nova ordem financeira “sem hegemonia do dólar americano” — iniciativa que não encontrou endosso da Rússia: “Esta é uma ideia exclusiva de Lula”, disse Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores de Putin.

+ Leia notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

A resposta veio em maio de 2025: tarifas de 50% sobre produtos estratégicos brasileiros, como etanol, celulose e grãos — afetando US$ 10 bilhões em exportações. Ao contrário do discurso oficial, que fala em “agressão à soberania”, trata-se de uma retaliação previsível à hostilidade sistemática de Lula, que misturou ataques pessoais a Trump, desprezo às instituições dos EUA e iniciativas geopolíticas antagônicas.

Política de palanque rendeu punição ao Brasil

Pela primeira vez, os EUA reagiram às bravatas de um presidente latino-americano com força comercial. E Lula, acostumado a discursos sem consequências, agora enfrenta perdas reais. Após o tarifaço, dobrou a aposta: “Trump usa o comércio como arma porque não tem moral para negociar com democracias verdadeiras”, disse. Mas essas falas apenas reforçam o isolamento diplomático do Brasil. Washington interpretou a declaração como provocação frontal, e o USTR iniciou investigação sobre o Brasil com base na Seção 301 do Trade Act de 1974, que analisa práticas comerciais consideradas injustas, discriminatórias ou restritivas.

Ao invés do confronto, outros países buscaram o diálogo: a França negociou quando ameaçada por tarifas, e a China manteve canais abertos mesmo sob sanções bilionárias. Já o Brasil, por escolha política, se absteve de qualquer contato com o governo Trump. O Itamaraty ignorou o diálogo e transformou a diplomacia em trincheira ideológica.

Com suas próprias palavras, Lula isolou o país e fragilizou setores-chave da economia. Produtores de etanol relatam perdas imediatas, e exportadores de celulose veem contratos suspensos. “Isso é culpa do protecionismo dos ricos”, alega Lula, mas o custo recai sobre trabalhadores, não sobre os autores da retórica.

A verborragia de Lula

A soberania não se fortalece com discursos inflamados em cúpulas ideológicas, mas com diplomacia técnica e pragmática. O governo Lula apostou na retórica e ignorou o risco real de retaliações comerciais. O resultado não é apenas econômico — é político. Pela primeira vez, os EUA trataram o Brasil não como um parceiro complicado, mas como adversário estratégico. As tarifas de 50% são mais do que uma medida econômica: são o custo de uma política externa construída sobre confronto, bravatas e isolamento.

Para além de Bolsonaro, Moraes e STF, a imposição de tarifas contra o Brasil é resultado daquilo construído pela verborragia lulista. Trata-se de retaliação direta e calculada ao ambiente de instabilidade e beligerância verbal cultivado de forma irresponsável pelo presidente brasileiro. Uma conta que será paga com desemprego, inflação e isolamento.


Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Cientista Político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Christian
    Christian

    Vai levar um puxão nas duas orelhas. Trump sópuxou um do Zelensky.

  2. Aeduardo
    Aeduardo

    Este bandido ainda vai passar maus bocados na mão do Trump. Covarde, está borrando as calças em ter que enfrentar pessoalmente o ‘Laranjão’. 😁
    Tem lá seus receios de acordo com aquilo sabido quando o primeiro experimentou. Zelensky que o diga no encontro televisionado pelo carão que tomou!
    O cagaço do demiurgo é que a cena se repita com ele! kkkkkkk

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade