publicidade
Política

Dívida bruta brasileira pode chegar a 95% do PIB

Medida aprovada com aval do governo Lula amplia gastos fora do limite fiscal e pressiona trajetória da dívida até 2035

Dívidas No acumulado de 12 meses, o crescimento da Dívida Pública Federal foi de 10,49% | Foto: Reprodução/Flickr
Mesmo que o governo adote novas medidas para reforçar o caixa e atinja as metas fiscais estabelecidas, a dívida seguirá em trajetória ascendente | Foto: Reprodução/Flickr

Importante indicador da sustentabilidade das contas públicas, a dívida bruta brasileira do país pode atingir 95% do Produto Interno Bruno (PIB) em dez anos, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira, 12, pelo Tesouro Nacional. A projeção se concretizará caso não ocorram mudanças significativas na arrecadação. Essa estimativa se dá em razão da retirada dos precatórios do teto de gastos previsto no arcabouço fiscal.

O relatório oficial detalha os impactos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios promulgada em setembro de 2025, que excluiu progressivamente as despesas com sentenças judiciais do limite fiscal. A nova regra contou com apoio do governo Lula e prevê uma transição de dez anos para reinclusão gradual dos gastos à meta de resultado primário.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Mesmo que o governo adote novas medidas para reforçar o caixa e atinja as metas fiscais estabelecidas, a dívida seguirá em trajetória ascendente. O relatório estima que o índice chegue a 89% do PIB em 2032 e recue pouco nos anos seguintes, atingindo 88% do PIB em 2035.

As projeções mostram dois cenários. O primeiro considera apenas a legislação em vigor até o fim de novembro. O segundo inclui medidas aprovadas posteriormente, como o corte linear de benefícios tributários e um reforço fiscal ainda dependente de ações futuras.

A dívida bruta engloba União, Estados, municípios e estatais não financeiras, exceto Petrobras. Segundo o Tesouro, o índice fechou em 79,3% do PIB em 2025.

Precatórios abrem espaço no teto, mas ampliam gasto total

O novo regime permite ao governo ampliar os gastos com custeio e investimentos ao liberar espaço que antes seria ocupado pelos precatórios. A exclusão das sentenças judiciais obriga o Tesouro a recalcular o teto de despesas, retirando o valor correspondente dessa conta. Esse ajuste reduz o limite de gastos em R$ 49,2 bilhões para 2026.

Por outro lado, a PEC incorporou R$ 12,4 bilhões extras ao cálculo, valor que será mantido nos anos seguintes. Com a correção, o efeito líquido representa uma diminuição de R$ 35,5 bilhões no teto do próximo ano.

Leia também: O Agente Secreto: governo Lula investiu mais de R$ 8 milhões na produção”

Na prática, no entanto, os gastos aumentam, já que o valor total dos precatórios ultrapassa os R$ 100 bilhões.

O relatório estima que os gastos primários — sem incluir o pagamento de juros — ficarão 0,5 ponto porcentual do PIB acima do previsto de 2026 a 2035. A despesa com precatórios e RPVs crescerá, em média, 4,4% ao ano, acima do ritmo do limite de despesas, projetado em 2,4%.

+ “‘Extra’ de quase R$ 30 mi a magistrados de MT é alvo de denúncia”

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.