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Política

Defesa acusa STF de ignorar provas na condenação de Filipe Martins

Advogados afirmam que julgamento se baseou em delação premiada sem lastro e classificam decisão como ‘política’

Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República, durante palestra no Instituto Rio Branco - 9/5/2019 | Foto: Arthur Max/MRE
Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República, durante palestra no Instituto Rio Branco — 9/5/2019 | Foto: Arthur Max/MRE

Nesta terça-feira, 16, a defesa de Filipe Martins divulgou nota na qual acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de ter ignorado provas e depoimentos constantes dos autos ao condenar o ex-assessor da Presidência para Assuntos Internacionais no julgamento do núcleo 2 da suposta trama golpista, analisado pela 1ª Turma da Corte.

De acordo com os advogados, a condenação “representa uma ruptura grave com o devido processo legal, com os parâmetros mínimos do Direito Penal e com a própria democracia que o STF alega proteger”. A nota sustentou que o julgamento desconsiderou elementos objetivos e afastou, sem fundamentação racional, depoimentos que contrariariam a narrativa adotada nos votos.

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A defesa afirmou que testemunhas de acusação, como o general Freire Gomes e o brigadeiro Baptista Jr., declararam de forma inequívoca que Martins não participou das reuniões descritas pelo tenente-coronel Mauro Cid nem apresentou qualquer minuta a eles. Esses relatos, de acordo com os advogados, teriam sido ignorados em favor do que classificam como uma “narrativa isolada e contraditória” do delator.

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Outro ponto levantado diz respeito a um discurso atribuído a Martins, utilizado para sustentar a existência de dolo. Conforme a nota, o texto afirma expressamente que o resultado das eleições não seria contestado e descreve como se daria a oposição ao novo governo.

Ainda assim, segundo a defesa, o conteúdo teria sido distorcido para sustentar uma intenção criminosa inexistente, em violação à lógica penal e à liberdade de expressão.

Defesa de Filipe Martins critica delação

O tenente-coronel Mauro Cid: planos de se mudar para os EUA, em meio a ironias de Carlos Bolsonaro | Foto: Tom Molina/STF
O tenente-coronel Mauro Cid: delator do caso da suposta trama golpista | Foto: Tom Molina/STF

Os advogados também destacaram que o próprio voto reconheceu a inexistência, nos autos, da suposta minuta atribuída a Martins e admitiu supostas irregularidades na decretação da prisão preventiva. Para a defesa, apesar dessas constatações, tais fatos foram tratados como irrelevantes no desfecho do julgamento.

Na avaliação dos advogados, ao colocar a delação do tenente-coronel Mauro Cid no centro da condenação, o STF teria substituído provas por presunção de culpa, contrariando a jurisprudência da própria Corte segundo a qual a colaboração não constitui prova em si, mas meio de obtenção de prova.

A nota conclui que o caso não configura um julgamento jurídico, mas político. Para a defesa, a condenação não fortalece o Estado de Direito; ao contrário, “expõe sua corrosão” e estabelece um precedente que consideram perigoso, por demonstrar um suposto estado de exceção no país.

Leia também: “Pedro Urruchurtu: ‘A ditadura da Venezuela atravessa seu momento mais frágil'”, entrevista exclusiva publicada na Edição 300 da Revista Oeste

3 comentários
  1. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    Stalinismo de volta no Brasil. Eliminação de opositores, prisões sem crime, cndenações baseadas em suposições ou delação forçada para atingir um objetivo escuso. Em algum momento o muro de Berlim vai cair e aí a justiça será feita com as mesmas armas usadas para esse extermínio. Há que aparecer alguém que vingue o Brasil!!!!!

  2. PCC
    PCC

    Nim estado de exceção vc não precisa de provas pra acusar . O réu já está condenado antes fo julgamento, tudo não passa de uma farsa..

  3. Julio José Pinto Eira Velha
    Julio José Pinto Eira Velha

    O cara está livre para fazer o que bem entender, e ainda tem a cara de pau de afirmar que a retirada das restrições, foi porque os americanos entenderam nào haver nada de irregular no judiciário brasileiro.

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