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Política

Damares aciona Justiça para impedir posse de novo ministro da Previdência

Nomeação manteria estrutura que negligenciou alertas, diz senadora

Wolney Queiroz, novo ministro da Previdência, indicado por Lula depois de fraude no INSS
Wolney Queiroz, novo ministro da Previdência, indicado por Lula depois de fraude no INSS | Foto: Reprodução/Instagram

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ingressou na Justiça Federal de Brasília com uma ação popular contra a nomeação do deputado federal licenciado Wolney Queiroz (PDT-PE) como ministro da Previdência Social.

A petição, protocolada na madrugada deste sábado, 3, sustenta que a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fere os princípios da moralidade, finalidade e motivação administrativa, e representa a continuidade de uma estrutura conivente com fraudes bilionárias contra beneficiários do INSS.

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Segundo o documento, assinado pelo advogado Marco Vinicius Pereira de Carvalho, a nomeação “extrapola qualquer limite da moralidade do ato” e se classifica como um “flagrante desvio de finalidade”.

O texto ainda avalia o caso como uma “ignóbil tentativa de manter intacta a estrutura de um Ministério que (…) contribuiu para a ocorrência do resultado alarmante de subtrair sem cerimônias os poucos recursos de aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS”.

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Novo ministro ignorou alertas sobre descontos indevidos

A principal acusação é de que Queiroz, enquanto secretário-executivo da pasta e presidente substituto do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), foi diretamente alertado sobre as irregularidades e não tomou providências.

A ação menciona a ata da 296ª reunião do CNPS, realizada em 12 de junho de 2023, na qual a conselheira Tônia Galletti solicitou a inclusão, em pauta, da discussão sobre os Acordos de Cooperação Técnica com entidades que descontavam valores diretamente dos benefícios do INSS. A solicitação foi considerada “relevante”, mas ignorada.

“Mesmo diante de um exponencial crescimento dos descontos”, os dirigentes do conselho só voltaram a discutir o tema quase um ano depois, em 24 de abril de 2024, durante a 303ª reunião do CNPS — presidida, nesta ocasião, por Queiroz.

Parlamentares criticam indicação de Wolney Queiroz como mudança superficial, sem impacto nas soluções para a crise da Previdência | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Parlamentares criticam indicação de Wolney Queiroz como mudança superficial, sem impacto nas soluções para a crise da Previdência | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Naquela sessão, o então secretário limitou-se a passar a palavra a técnicos e não tomou qualquer deliberação concreta, apesar das evidências de fraudes e propostas normativas para enfrentamento do problema. A ação afirma que a omissão permitiu a “perpetuação desse nefasto esquema criminoso que feriu a dignidade de idosos e outros beneficiários vulneráveis do INSS”.

A ação também se baseia em relatório da CGU, datado de setembro de 2024, que denunciava um crescimento exponencial nos pedidos de cancelamento de descontos não autorizados — de 22 mil em julho de 2023 para 192 mil em abril de 2024. Mesmo com esses alertas, o INSS teria se limitado a suspensões pontuais.

“A criticidade da situação (…) aliada à alta materialidade dos descontos de mensalidades associativas, superiores a R$ 200 milhões mensais, requer ações contundentes com vistas a preservar o interesse dos beneficiários do INSS, em sua maioria idosos”, advertiu a CGU, conforme trecho transcrito na ação.

Fraude só foi enfrentada depois de operação da PF

A fraude só veio a ser enfrentada com a deflagração da Operação Sem Desconto, em 23 de abril, pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. A ofensiva resultou no afastamento de dirigentes do INSS por ordem judicial da 15ª Vara Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.

A decisão judicial detalhou indícios de crimes como corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informação e violação de sigilo funcional, além de determinar a suspensão de Acordos de Cooperação Técnica com nove entidades.

Damares Alves, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Damares Alves, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Damares argumenta que a nomeação, embora formalmente válida, esvazia os princípios constitucionais da moralidade, finalidade e motivação, ao promover para o comando da pasta alguém que, segundo ela, já demonstrou incapacidade e omissão diante de uma das maiores crises já enfrentadas pelo sistema previdenciário brasileiro.

“O ato de nomear o Sr. Wolney extrapola qualquer limite da moralidade”, sustenta a petição, ao citar o jurista José dos Santos Carvalho Filho. Também afirma que a finalidade do ato seria ilegítima: “Não se trata de recompor ou reconstruir a estrutura da Previdência, mas sim de manter o status quo de conivência e desídia”.

Ação de Damares pede anulação do ato presidencial

Segundo o Decreto nº 11.356, de 1º de janeiro de 2023, era atribuição direta da Secretaria-Executiva supervisionar “as atividades de prevenção, de detecção, de análise e de combate a fraudes ou outros atos lesivos ao patrimônio público em matérias relativas à legislação previdenciária”.

Damares sustenta que Queiroz falhou gravemente nessa missão e, por isso, “não tem as condições de receber maiores encargos”. A ação destaca que o ato presidencial que o nomeou deve ser declarado nulo por “violação do motivo e da finalidade” do ato administrativo, segundo a Lei 4.717/65, que regula a ação popular.

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Fraude causou demissão de presidente do INSS | Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

A petição solicita a concessão de liminar para impedir a posse de Queiroz, com fixação de multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento. Também pede que o caso seja encaminhado à Câmara dos Deputados para eventual apuração de crime de responsabilidade cometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso se mantenha o ato de nomeação.

Para Damares, “a permanência de Queiroz renova a incerteza e insegurança dos segurados do INSS” e representa “o absurdo de nomear para gerenciar uma crise aquele que contribuiu diretamente para sua instalação”.

Leia também: “Onde os idosos não têm vez”, artigo de Tiago Pavinatto publicado na Edição 267 da Revista Oeste

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5 comentários
  1. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Tudo ladrão , o ladrao tirou um e botou outro kkk

  2. Christian
    Christian

    Ele deveria ter a decência de não aceitar uma vez que sabia do que estava ocorrendo.
    Mas como é indecente, aceitou e está no pelourinho…

  3. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Manteve a quadrilha na cena do crime

  4. Marcus Magalhães
    Marcus Magalhães

    Boa! Damares e afastar também o lenvandosquix por envolvimento afinal recebe honorários da empresa envolvida em fraude.

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