A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) encaminhou um ofício à Secretaria-Geral do Partido Republicanos no qual solicita a expulsão imediata de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), dos quadros da legenda. O documento, endereçado ao secretário-geral Demóstenes Félix, foi enviado logo depois da oitiva de Abraão Lincoln na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), realizada na segunda-feira 3.
+ Damares: ‘Querem ver Bolsonaro na Papuda, mas não vão calar a direita’
Receba nossas atualizações
No texto, Damares afirma que a medida é necessária diante das “graves acusações apresentadas contra ele durante a sessão da CPMI”, que investiga o maior esquema de fraudes em aposentadorias e pensões já detectado no país.
A senadora destaca que as denúncias reveladas comprometem “a imagem e os valores éticos do partido”, e defende uma providência imediata para preservar “a credibilidade e o compromisso público que norteiam a atuação dos Republicanos”.
+ CPMI do INSS: Moraes concede habeas corpus a presidente de confederação investigada
“Cumprimentando-o cordialmente, sirvo-me do presente para solicitar a expulsão dos quadros do Partido Republicanos o senhor Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, em virtude das graves acusações apresentadas contra ele durante a sessão da CPMI do INSS”, escreveu Damares.

O documento ressalta que a atuação do partido deve se pautar pela ética e pela transparência e reforça a expectativa de que o Republicanos adote medidas cabíveis com rapidez.
“Certa da costumeira atenção e zelo de Vossa Senhoria quanto à conduta ética e moral dos filiados, apresento esta solicitação com a confiança de que as medidas cabíveis serão adotadas”, conclui a senadora no ofício.
Presidente da CBPA na CPMI do INSS

A CBPA é uma das entidades citadas em investigações da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, que apura repasses irregulares e descontos indevidos em benefícios do INSS. Durante a sessão da CPMI, ele foi interpelado por parlamentares sobre movimentações financeiras e uso de recursos de associações da categoria, que teriam sido desviados por meio de contratos fictícios.
+ INSS: CPMI manda prender presidente de confederação de pescadores
Abraão Lincoln prestou depoimento ao colegiado com um habeas corpus, concedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com o benefício, ele se esquivou de responder à maior parte das perguntas dos parlamentares — por poder ficar em silêncio diante de interpelações que pudessem incriminá-lo.
O titular da confederação recebeu voz de prisão, determinada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), por falso testemunho. Abraão foi preso, mas foi liberado na madrugada desta terça-feira, 4, depois de pagar fiança de R$ 5 mil.
A comissão já havia aprovado a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Abraão Lincoln e solicitado relatórios financeiros ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As investigações revelam que a confederação presidida por ele teria sido usada como ponte em um esquema de desvio estimado em R$ 221 milhões.
Com o pedido de Damares, o caso deve ser analisado pela direção nacional do Republicanos, responsável por deliberar sobre a manutenção ou expulsão de filiados envolvidos em condutas que possam afetar a imagem pública da legenda.






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.