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Política

Correios registram prejuízo de R$ 1,7 bi no primeiro trimestre, o pior em 8 anos

Estatal acumula atrasos, fechamentos, déficit de carteiros e risco de irregularidades contábeis

Correios de 9 Estados iniciam greve por tempo indeterminado
Estatal considerou uma liminar provisória como suficiente para desconsiderar o valor | Foto: Divulgação/Agência Brasil

A crise dos Correios se agravou em 2025. A estatal registrou prejuízo de R$ 1,72 bilhão no primeiro trimestre. O montante representa o dobro das perdas do mesmo período de 2024, que totalizaram R$ 801 milhões. Trata-se do pior resultado para um primeiro trimestre desde 2017.

A empresa opera no vermelho desde 2022 e, agora, enfrenta atrasos em pagamentos, fechamento de unidades, falta de carteiros e risco de suspensão de voos. O jornal O Globo divulgou as informações nesta segunda-feira, 2.

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Como resultado, a situação já preocupa setores do próprio governo. Lula nomeou Fabiano Silva dos Santos, aliado político e integrante do grupo Prerrogativas, para comandar a estatal.

Um parecer técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) revela que os Correios reduziram artificialmente o prejuízo de 2023, baixando uma despesa judicial de R$ 1 bilhão para apenas R$ 18.

A cifra estava reservada para pagar adicional de periculosidade a funcionários em atividades externas. No entanto, a estatal considerou uma liminar provisória como suficiente para desconsiderar o valor.

Sem a manobra, o prejuízo de 2023 teria sido de R$ 1,6 bilhão. Com a baixa, foi reduzido para R$ 663,5 milhões. A área técnica do TCU recomendou reprocessamento das contas em 90 dias, e considerou insuficientes as explicações da empresa.

Queda de receita e falta de insumos nos Correios

A estatal perdeu espaço no setor de encomendas e acumula reclamações por atrasos, agências sem materiais básicos e paralisações de transportadoras terceirizadas.

Elias Divisa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de São Paulo, relata que falta papelão, fita adesiva e envelopes em diversas unidades.

O Sindicato dos Trabalhadores no Rio de Janeiro afirma que os Correios fecharam 17 agências, inclusive algumas instaladas em imóveis cedidos por prefeituras, sem custo de aluguel.


A estatal responde que a reestruturação visa à eficiência e não prejudicará a população. Contudo, os Correios deixaram de repassar R$ 274 milhões ao fundo de previdência complementar Postalis.

O valor refere-se à parte patronal de duas mensalidades atrasadas. A situação gerou insegurança entre os funcionários, forçando o fundo a emitir nota pública.

Mesmo com o anúncio de um Plano de Demissão Voluntária, a estatal sofre com falta de carteiros. Em Caraá (RS), por exemplo, a única agência da cidade não conta com entregadores. Desta forma, os moradores precisam buscar as correspondências presencialmente.

Corte de férias, retorno ao presencial e corte de custos

A gestão dos Correios adiou férias, convocou servidores de volta ao trabalho presencial e pretende reduzir o quadro de 83 mil para 80 mil funcionários. A meta é economizar R$ 1,5 bilhão com enxugamento administrativo e operacional.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) conseguiu liminar na Justiça para barrar a suspensão de férias previamente agendadas.

Segundo a empresa, apenas 15% das agências geram superávit. A estatal diz ter investido R$ 830 milhões em 2024 e R$ 1,6 bilhão desde o início da atual gestão.

Além disso, a Agência Nacional de Aviação Civil determinou a suspensão de voos operados pelos Correios por irregularidades no transporte de materiais perigosos.

+ Leia também: “Anac suspende operação de transporte de carga aérea dos Correios”

As operações são terceirizadas, e a estatal atribui o problema a “práticas herdadas de gestões anteriores”. Uma reunião entre as partes tenta evitar a paralisação.

Sobre o balanço, os Correios afirmam que tudo foi feito com “respaldo jurídico e conformidade contábil”. A empresa ainda diz que o pagamento a fornecedores ocorre de forma “gradual” e que revisa contratos em busca de economia.

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