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Política

Como o feminismo destrói a família

Ele vence sempre que transforma a cama de casal em opressão, o sexo em diversão casual, filhos em fardos e amor em dominação

feminismo
Foto: Reprodução

Há poucas semanas, conversando com um amigo de infância, estávamos discutindo um problema familiar que ele enfrenta. Sua mãe, no alto dos seus 53 anos, decidiu-se pelo divórcio de um casamento de mais de 24 anos de duração. Explicava-me ele que, ao contrário da maioria das separações, na dos seus pais não houve nenhum tipo de violência, desrespeito ou coisa parecida, mas sim o feminismo que infectou sua progenitora nos últimos três anos, após ela entrar na faculdade de pedagogia — coisa que o próprio marido apoiou e financiou.

Segundo o meu amigo, nos últimos dois anos, sua mãe, católica convicta, praticante de terço diário e atuante em pastorais, passou a adotar um discurso mais combativo em favor de um progressismo católico denominado Teologia da Libertação e, junto a isso, uma repetição programada de dogmas feministas já comuns aos meus ouvidos: “os homens tendem a oprimir as mulheres”; “o local da mulher deveria ser onde ela queira estar”; “a família é um fardo que impede a liberdade das mulheres”; “a reprodução como norma cultural é um enfado patriarcal” etc. Junto a isso — e não poderia ser diferente — ela passou a defender a esquerda política, demonizando cada vez mais os expoentes da direita, enquanto ronronava à mesa de jantar as políticas petistas e os “fascismos” de Trump.

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Seu pai, um homem prático, metalúrgico, pouco ligado à política cotidiana, a sindicatos e às redes sociais, tinha opiniões gerais sobre política apenas na medida em que suas observações cotidianas permitiam. Em vez de procurar tretas no Instagram, preferia mexer em seu Monza velho nas horas livres; no domingo, na hora do almoço, em vez de falar de uma tia distante ou dos netos que começavam a andar e falar, a mulher preferia discutir a respeito do mal que Nikolas Ferreira representaria à luta socialista e sobre como as mulheres são vítimas de uma cultura machista arraigada no cristianismo. Hoje, ela se define como “agnóstica” — nada de novo no front.

Não é preciso dizer que o casamento foi esfriando à medida que a fúria ideológica tomava aquela senhora. Em poucos meses após a radicalização da mulher, depois de alegar que os dois não tinham mais “compatibilidade” e que sua tarefa esponsal a oprimia, impedindo-a de ser plenamente livre como deveria ser, ela pediu o divórcio em meio a um jogo do São Paulo, quando, veja só que opressor, o homem tomava uma cerveja e fazia um churrasco — a expressão máxima de um padrão conservador e opressivo em um casamento. Obs.: a senhora estava em processo de se converter à Igreja Vegana dos Últimos Dias e, para coroar o drama, poucos meses depois, seu filho disse-me que ficou sabendo que sua mãe estava em um relacionamento aberto com alguém.

Eis um receituário, um roteiro que acontece cada vez mais na sociedade ocidental. Nós damos muito pouco crédito à engenhosidade do feminismo militante — isto é, aquele de linha marxista que tomou o movimento na virada do século XX. Desde então, o feminismo tornou-se um objeto de perfuração moral e infecção cultural. E quem diz isso não sou eu, mas Shulamith Firestone, Kate Millett, Simone de Beauvoir, entre outras feministas históricas; aliás, verdade seja dita, elas jamais esconderam que suas missões eram derrubar a família.

Firestone, por exemplo, em seu queridinho livro Dialética do Sexo, afirma: “Assim, libertar as mulheres de sua biologia significaria ameaçar a unidade social, que está organizada em torno da reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico, a família. […] Com isso, atacamos a família numa frente dupla, contestando aquilo em torno do que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres e, como consequência, a dependência física das mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia de poder; contudo, nós a destruiremos ainda mais.” Beauvoir, por sua vez, diz em uma entrevista ao Saturday Review: “Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família, e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas.”

Ou seja, o feminismo está conseguindo.

O lar, por constituição histórica e cultural, deveria ser um bunker e, como em todos os bunkers, o mundo externo não deveria ter proeminência ou interferência em seu interior. O lar é o local físico, privado, onde marido, mulher e filhos podem ser plenamente autênticos, expressarem-se de forma genuína sem esperar represálias estatais, onde o reinado não é o político, mas sim o da moralidade que os pais desejarem. A família — enquanto unidade cultural — deveria ser, por sua vez, um farol resistente a ideologias e modismos que desarraigam e maculam a unidade do corpo moral estabelecido pela ética dos pais.

Não estou aqui para romantizar o casamento e pagar de cego às obviedades e, por isso — verdade seja dita —, num cenário contemporâneo de homens e mulheres com sérios desequilíbrios mentais e afetivos, que perdem mais tempo com reels do que com conversas e confidências, não se pode culpar somente as ideologias pelos fracassos de tantos casamentos. O casamento é, em si, um esforço hercúleo de adaptação, vitória sobre manias, tendências e egos, um ajuste moroso e persistente para encontrar um amor maduro e seguro. E isso já é difícil por si só. Mas o que o feminismo faz é, por meio da infecção ideológica, transformar o casamento em algo que ele não é: opressivo, impossível e intrinsecamente mau. A propaganda passa a ser de que a família é uma cadeia cultural, de que filhos são pesos dispensáveis e de que marido e mulher são antes inimigos inatos que se acorrentam mutuamente por meio de alianças morais e costumes sexuais retrógrados.

Quando se derrubam as paredes dos lares e se invadem os portões das famílias, não há mais espaço seguro na sociedade nem ambiente cultural adequado para praticar virtudes e amadurecer plenamente crianças e jovens. Tudo se torna política, tudo se torna uma grande praça, onde não há cumplicidade nem amor, apenas disputas ideológicas, tensões de poder e política furiosa em plena prática.

A família não é política; ela é um arranjo de experiências humanas e percepções de um Direito Natural intrínseco à nossa espécie. Quando a tornamos politizada, tiramos-lhe a essência, trocamos sua função e, aí, sim, se sua função for meramente política, não faz sentido algum abnegar e amar. A família só tem valia se o sacrifício de nossos egos trouxer um amor e uma realização tangível: filhos, posteridade, amor matrimonial, segurança social e econômica, cumplicidade moral e compreensão.

O feminismo vence a guerra sempre que transforma a cama de casal em um manifesto de opressão, o sexo em diversão casual, filhos em fardos, amor em dominação e maridos em ditadores. Minhas caras, pensem que talvez não sejam seus maridos o problema, mas, sim, suas ideologias; tentem praticar a vida cotidiana sem se preocuparem com Bolsonaro ou Lula, Trump ou Maduro; notem a beleza da maternidade em vez do seu peso; olhem seus maridos como homens que as ajudarão a crescer e as amarão apesar dos seus defeitos. Talvez seu casamento não seja perfeito, mas, pelo amor de Deus, a vida que o feminismo propõe é melhor que uma casa com um marido e crianças que amam vocês? Não sejam tolas: o feminismo é propaganda política para jovens em busca de turbas e para mulheres rancorosas; a família, com seus inúmeros problemas e defeitos, ainda é um empreendimento de amor e amadurecimento.

Leia também: “O fim do banheiro feminino”, reportagem publicada na Edição 298 da Revista Oeste

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