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Política

Comissão do Senado pode votar PEC que anistia partidos

Conforme apurou Oeste, alguns senadores pressionam para que texto entre na pauta da CCJ

O PL da desoneração estava na pauta do Senado de hoje, mas foi retirado e Pacheco fala em apreciar o projeto na próxima semana | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado pode apreciar, na quarta-feira 17, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que refinancia as dívidas partidárias das legendas que descumpriram a cota de repasse de recursos a negros e pardos. Inicialmente, o texto anistiava o não cumprimento dessas multas, mas um novo relatório propôs que os valores referentes as cotas sejam pagos, de forma retroativa, a partir de 2026 nas quatro eleições subsequentes.

Apesar disso, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse, na semana passada, que o texto não seria tratado com “açodamento”, mas com celeridade. Se aprovado pela CCJ, o texto deve ir para o plenário da Casa depois do recesso parlamentar, em agosto.

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O texto ficou conhecido como PEC da Anistia em virtude da versão anterior do relatório. A votação só foi possível após um acordo firmado com o Senado, que era contra os termos iniciais da proposta. A PEC define também um porcentual de 30% de recursos para negros e pardos, porém, “nas circunscrições que melhor atendam aos interesses e às estratégias partidárias”, ou seja, isso ficará a cargo de cada partido definir.

Atualmente, o TSE estipula uma regra de acordo com a proporção de candidatos, o que representou cerca de 50% no ano passado. O texto ainda cria imunidade tributária a partidos, institutos ou fundações. Segundo a matéria, a aplicação de qualquer recurso em candidaturas de pessoas pretas e pardas realizadas pelos partidos nas eleições que aconteceram até a promulgação da proposta — que deve ocorrer neste ano depois de passar pelo Senado — será considerada cumprida.

+ Pacheco: ‘Não haverá ‘açodamento’ com PEC que anistia partidos’

Foi adicionado, no entanto, um trecho que preve que a eficácia do dispositivo mencionado acima será condicionada ao pagamento dos valores dessas cotas a partir de 2026, considerando as quatro eleições posteriores. O texto, porém, não menciona o que acontecerá com as multas que os partidos teriam de pagar por não cumprimento das cotas inicialmente.

A mudança no parecer se deve a uma articulação da federação do PT. Durante a votação, a deputada federal Dandara (PT-MG) explicou que o acordo contou com o apoio de vários partidos. Apesar disso, o Novo, o Psol e a oposição orientaram voto contra o texto. O PL e o PT estão entre os partidos favoráveis ao texto.

Inicialmente, o relatório ainda colocava limites ao TSE no que se refere à criação de normas sobre “políticas afirmativas” às minorias. Mas, no parecer final, o relator, deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), removeu esse trecho.

PEC da Anistia: imunidade tributária, cotas e Refis

O texto fixa em 30% os recurso destinados a candidaturas de pessoas pretas e pardas. Inicialmente, o porcentual era de, no mínimo, 20%. Agora o porcentual de 30% valerá para as eleições municipais deste ano se a PEC da Anistia for promulgada em 2024.

O relatório novo dispensa a emissão de recibo eleitoral nas doações do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário feitas por transferência bancária pelas legendas aos candidatos. Isso valerá ainda para doações via Pix.

Inicialmente, o texto impedia a punição para quem descumprisse a cota de 30% de gênero — mais usada para mulheres. Contudo, o relator retirou esse trecho.

O texto deixa também de responsabilizar os partidos por falhas nas prestações de contas. Na última versão da matéria divulgada, o relator incluiu alguns dispositivos que regulamentam um programa de refinanciamento das dívidas dos partidos e que concede imunidade tributária às legendas.

Segundo Rodrigues, a ideia é “reforçar” a imunidade tributária, que, na prática, cancela as “sanções aplicadas e os processos em curso que desrespeitam esse princípio constitucional, especialmente em casos em que a ação de execução supera o prazo de cinco anos, assegurando justiça e equidade”.

O novo texto propõe ainda a criação de um Programa de Recuperação Fiscal (Refis) direcionado a partidos políticos. O Refis é um benefício para o pagamento à vista ou parcelado de dívidas e multas. A ideia é “facilitar a regularização de débitos tributários e não tributários, excluindo juros e multas acumulados e permitindo o pagamento dos valores originários com correção monetária em até 180 meses”.

A PEC da Anistia também prevê que os partidos usem recursos do Fundo Partidário para parcelar multas eleitorais e sanções/débitos que não estejam relacionados às eleições.

O projeto, anteriormente, estabelecia prazo para os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário às cotas de gênero e raça, mas o relator tirou esse trecho do parecer final.

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2 comentários
  1. R Fortes
    R Fortes

    E a anistia para os presos políticos? Porque esse PL não avança para ser concluído e pautado?
    Nem parlamentares da Oposição conseguem explicar e tão pouco convencer o Povo.

  2. André Luiz Cumplido de Sant'Anna
    André Luiz Cumplido de Sant'Anna

    Anistiar partidos???? Partidos que funcionam para dar provimento aos interesses de deputados, em sua grande maioria, perdulários e voltados tão unicamente para seus interesses particulares. Anistiar falcatruas?

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