O caso que envolve Filipe Martins, ex-assessor Especial para Assuntos Internacionais de Jair Bolsonaro, ganhou novos desdobramentos com as declarações do advogado Jeffrey Chiquini. O defensor acusa o jornalista Guilherme Amado, autor de reportagem que sustentou a prisão de Martins, de produzir “notícia falsa” deliberadamente, com a intenção de prejudicá-lo.
Além disso, Chiquini diz que a ONG Redes Cordiais, da qual Amado é diretor de conteúdo, teria recebido quase de US$ 80 mil (R$ 440 mil) da Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (Usaid), antes da publicação da reportagem. A Usaid, extinta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foi usada pelo governo anterior para manipular eleições em todo o mundo a favor de candidatos de esquerda.
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O advogado relaciona a publicação do texto com o pagamento. Segundo ele, o financiamento ocorreu “no mesmo ano da publicação da reportagem falsa que alegava que Filipe Martins tinha viajado aos EUA e ‘evaporado’.” E completa: “Não haveria censura nem perseguição no Brasil sem o dinheiro da Usaid”.
Em entrevista ao programa Oeste com Elas nesta terça-feira, 14, Chiquini também falou sobre o caso. “O fato é que Guilherme Amado fez uma matéria falsa”, acusa. “E, agora, a gente descobre que a ONG que ele faz parte recebeu R$ 400 mil, isso fica mais grave. Possivelmente, tem uma ligação.”
Chiquini continua, afirmando que a descoberta ocorreu durante o esforço dos advogados de preparar a defesa. “Eu falo em nome da defesa de Filipe Martins, porque isso faz parte do esclarecimento defensivo”, afirma. “Há uma ‘fumaça’ do envolvimento do Guilherme Amado, uma ‘fumaça’ de dolo. Há indícios suficientes de que tudo foi combinado.”
Reportagem falsa acusa Martins de sair do país
O texto publicado em 2023 no portal Metrópoles, cujo autor é o jornalista Guilherme Amado, afirmava que Martins havia deixado o país em dezembro de 2022 e entrado em Orlando, nos EUA, o que teria configurado risco de fuga. Com base nessa informação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do ex-assessor em fevereiro de 2024.

De acordo com a defesa, documentos do Customs and Border Protection (CBP), dos EUA, comprovaram que o registro de entrada no país era falso e que Martins não viajou ao exterior naquele período. Chiquini afirma que a inserção de dados falsos no sistema norte-americano ocorreu para justificar a prisão e que há indícios do envolvimento de autoridades brasileiras.
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O advogado informa ainda que Amado é alvo de investigação dos Estados Unidos “por participar dessa farsa” ao usar o documento em reportagem. “Ele deu causa à prisão injusta de um inocente”, acusa.
Guilherme Amado nega acusações
Amado, por sua vez, nega as acusações e diz que se baseou no documento, sem imaginar que haveria uma fraude. “Quando houve a confirmação de que ele [Filipe Martins] não teria ido para os EUA, (…) foi quando eu, mesmo tendo procurado ele nesse meio tempo, entrei na reportagem no Metrópoles, e fiz uma correção”, afirmou o jornalista.
“Eu coloquei que é errado dizer que ele foi para os EUA e que o correto é dizer que foi registrada uma entrada dele no território americano”, continuou. “É uma sutileza que você nunca vai imaginar quando você vê um registro oficial de um governo. Porque o bom jornalismo se baseia em documentos, então você não vai pressupor que aquilo ali está errado”.
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